O indicador de prévia da inflação (IPCA-15) registrou 0,44% em março, abaixo da taxa de 0,84% em fevereiro, informou o IBGE nesta quinta-feira (26).
No acumulado em 12 meses até março (3,90%), o IPCA-15 também sinaliza um arrefecimento quando comparado com os últimos 12 meses até fevereiro (4,10%).
Em março de 2025, a prévia da inflação foi de 0,64%. Ou seja, há uma desaceleração no nível do IPCA-15 de um ano para o outro.
O IPCA-15 também mostra que em março deste ano a alimentação voltou a pressionar a inflação, ao registrar alta de 0,88%, puxada pela aceleração da alimentação no domicílio, de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março. A alta no mês reflete, como de praxe, fatores sazonais.
Na quaresma de 2026, o preço médio do ovo de galinha – que vinha de deflação em fevereiro (-2,36%), já marca alta de 7,54% em março, por exemplo.
Contudo, os porta-vozes dos banqueiros na grande mídia aproveitam essas altas sazonais do IPCA-15 hoje para disseminar um alarmismo deliberado entre a população. Já que a previa da inflação ainda não captou totalmente o agravamento dos impactos da agressão dos EUA contra o Irã na cadeia de suprimento global, mais especificamente, com aumento dos preços dos combustíveis que pode se espalhar por outros produtos.
Foi neste sentido que o BC já elevou a sua expectativa da inflação deste ano de 3,50% para 3,9%, conforme o Relatório de Política Monetária, divulgado no dia de hoje.
Todo o esforço é para manter os juros em patamares elevados. Para isso, a mídia alinhada ao mercado financeiro já usa o argumento: “os mais pobres serão os mais afetados pela possível disparada da inflação”.
É curioso, para dizer o mínimo, como essa preocupação com o bem-estar social ganha fôlego para proteger os ganhos de bancos e rentistas. O mais curioso, ainda, é que a parcela mais vulnerável da população torna-se invisível quando se trata dos cortes em saúde, educação, segurança, em investimentos produtivos, nas aposentadorias e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), frequentemente preteridos para assegurar o rigoroso pagamento dos juros da dívida pública, que, no ano passado, ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão.
O fato é que elevar os juros não resolve crises de oferta, seja no Brasil ou no resto do mundo. Manter ou aumentar a Selic (taxa básica de juros) com a economia brasileira já em desaceleração é um ‘tiro no pé’, pois sufocará ainda mais a atividade econômica sem atacar a verdadeira raiz do problema.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) fez um mísero corte na taxa Selic de apenas 0.25 ponto porcentual (p.p), que reduziu a taxa nominal de juros de 15% para 14,75%. Com esse movimento, o Brasil permanece no topo do ranking global de juros reais, com uma taxa próxima de 11% ao ano após descontada a inflação.
Com a Selic alta pressionando os custos para cima, em fevereiro deste ano, o Brasil atingiu a marca de 73,7 milhões de inadimplentes, alta de 10,22% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil. Dados do próprio BC apontam que os brasileiros já comprometem 30% da sua renda com as dívidas financeiras. Desse total, 10,38% são apenas com pagamento de juros.
Na ata da última reunião do Copom, divulgada na última terça, o BC não sinalizou a continuidade do ciclo de cortes da Selic. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que é necessário ter “tempo para entender” como o conflito no Oriente Médio impactará a economia brasileira.
Segundo Galípolo, a postura “conservadora” da política monetária em 2025 garantiu ao país uma situação mais favorável do que a esperada caso não houvesse o arrocho monetário.
“Eu acho que a posição em que o Banco Central está hoje, e em que o Brasil está, tem alguns benefícios decorrentes de ser exportador de petróleo e de ter uma taxa de juros bastante contracionista”, declarou Galipolo em coletiva à imprensa.











