Enquanto Trump vai afundando os EUA, seus familiares e cupinchas vão enchendo as burras. “Talvez nunca tenha havido tal grau de corrupção em termos de escala e falta de vergonha porque eles não fazem nenhum esforço para ocultar as negociatas, que superam de longe as de Hunter Biden, o filho de Biden, na Ucrânia”, diz o autor
EUGENE WEBB *
Em 1935, o Brigadeiro General Smedley D. Butler, veterano das guerras dos Estados Unidos nas Filipinas, China, América Central, Caribe, e França escreveu um panfleto intitulado “A Guerra É Extorsão”, onde descreveu e criticou o papel dos EUA em invasões a outros países. Ele aponta as corporações estadunidenses e outros interesses imperialistas por detrás delas. A guerra dos Estados Unidos contra o Irã é mais um capítulo no longo processo de corrupção sempre presente nas guerras patrocinadas pelo complexo militar-industrial e seus aliados na inteligência, mídia, academia, e em várias ONG, segundo a definição de Ray McGovern, analista de inteligência aposentado da CIA.
Estimativas do Pentágono indicam que o governo dos EUA gastou cerca de 22 bilhões de dólares até o dia 17 de março na Operação Fúria Épica, nome dado à agressão militar do país contra o Irã. Segundo informações divulgadas por Ed Elson, colunista do blog Prof G Media, Trump e sua família, e a família de Steve Witkoff estão envolvidos em grandes mamatas relacionadas a transações financeiras intimamente associadas a esses gastos. A figura abaixo resume visualmente o esquema, que o autor chamou de “Está Tudo na Família: Ganhadores Potenciais da Guerra do Irã.”

Os filhos do presidente, Eric Trump e Donald Jr,. são investidores em uma companhia de drones chamada Powerus, que “constrói sistemas de drones autônomos para uso militar e comercial em ambientes de alto risco.” Recentemente, Eric Trump, investiu em uma outra companhia de drones de Israel, famosa na área de defesa pelas munições de drones que têm “baixo custo por morte.” Elson sugere que ambos os investimentos terão grande lucratividade porque há uma nova guerra, o novo programa “Domínio por Drones” do Pentágono tem 1.1 bilhão de dólares para contratar companhias de drone, e o Ministério da Guerra é um dos principais clientes dessas empresas. Os irmãos criaram a corporação “New America Acquisition I como um mecanismo para investimentos cujo objetivo é identificar empresas “bem posicionadas para se beneficiar de incentivos federais e estaduais, como subsídios, créditos fiscais, contratos governamentais ou programas de compras preferenciais.”
Esses verdadeiros “irmãos Metralha” continuam a encher o bolso pelos seus contatos íntimos com o pai, que aliás gosta muito de dinheiro fácil. A mamata começou com as criptomoedas e agora trata-se de apoiar o banho de sangue através de investimentos que antecipam lucros gerados por fabricantes de armamentos de última geração. Talvez nunca tenha havido tal grau de corrupção em termos de escala e falta de vergonha porque eles não fazem nenhum esforço para ocultar as negociatas, que superam de longe as de Hunter Biden, o filho de Biden, na Ucrânia.
Jared Kushner, genro de Trump, por sua vez aposta sua carreira na derrota do Irã, em seguida ao genocídio de Gaza, apostas arriscadas mas quase garantidas por estar debaixo da asa de Trump. Este sionista de carteirinha conseguiu atrair bilhões de dólares de fundos soberanos do Oriente Médio para principalmente reconstruir os países do Golfo. De acordo com Elson, a visão de Kushner requer a criação de uma rede de cooperação econômica entre a Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos, só possível se o Irã não continuar a destruir Israel.
A empresa de investimento de Kushner, Affinity Partners, começou a investir parte da sua carteira de 5 bilhões de dólares em empresas estratégicas do Golfo, como o Grupo Shlomo, um conglomerado israelita com grandes investimentos em defesa. A empresa de Kushner é grande investidora na Phoenix Holdings, uma das maiores firmas de gerência de investimentos de Israel. Ele também está de olho em estabelecer centros de dados em Gaza. Apesar de Kushner não ocupar nenhum cargo oficial na Casa Branca, por ser genro do presidente parece que acaba tendo muita influência nas decisões do sogro sobre política externa e guerras globais.
A família Witkoff é beneficiada via os contatos antigos e profundos entre Steve Witkoff, o homem de negócios imobiliários encarregado por Trump como para negociações no Oeste da Ásia (mal denominado Oriente Médio). O pai passou o controle da sua empresa, Grupo Witkoff para o filho, Alex Witkoff ,depois de nomeado por Trump. Alex em seguida articulou muitos negócios imobiliários no Oriente Médio, ambos evadindo as leis sobre ética no governo que exigem que todos os que têm cargos no governo renunciem a bens que possam se beneficiar de políticas do Estado. Aliás, conforme revelado em coluna anterior, este tipo de práticas se tornou comum no governo Trump 2.0.
O outro filho de Steve Witkoff, Zach Witkoff, se juntou a Eric Trump para criar em 2024 a empresa de criptomoedas World Liberty Financial. Esta união gerou bilhões de dólares de ganhos em criptomoedas ao lado de “projetos,” na verdade roubos, como a Moeda Trump e a Moeda Melania. Foi posteriormente revelado que Zach e Eric venderam 49% da sua firma de cripto no ano passado para os Emirados Árabes Unidos por 500 milhões de dólares. Em resumo, o sobrenome Witkoff facilita o círculo de corrupção entre a diplomacia de Trump e mamatas entre a família Witkoff e monarquias corruptas do Golfo Pérsico.
Confirmando o que disse o General Butler, quanto mais se investiga os gastos dos EUA na guerra do Irã, mais corrupção se encontra. Ou será que é mera coincidência que Steve Witkoff não tem nenhum conflito de interesses quando seu cargo se intitula “Enviado Especial para o Oriente Médio” e seu filho intermedia publicamente negócios na mesma região? Além disso, Jared Kushner tem claramente assessorado o próprio Trump sobre as recentes guerras, fato reconhecido pelo próprio presidente.
Estas descobertas de mamatas e negociatas parecem ser apenas a ponta do iceberg de uma grande rede de enriquecimento das duas famílias e de muitas outras empresas na área da defesa, como a Palantir, cujos contratos com o Pentágono não são divulgados pela midia controlada ou comprada por aliados do presidente. Por exemplo, o valor das ações da Palantir, cujo fundador Peter Thiel é apoiador de primeira hora de Trump e JD Vance, aumentou quase 15% desde o começo da guerra no Irã e quase dobrou desde o início do governo Trump 2.0. A figura abaixo demonstra como as empresas da área de defesa aumentaram de valor no governo Trump 2.0. Para bom entendedor, meia palavra basta!!

* Eugene Webb é professor, analista político e colaborador do HP nos EUA











