Fernando Cristo, ex-ministro de Juan Manuel Santos, soma forças ao Pacto Histórico, do presidente Gustavo Petro, e amplia frente nacional-desenvolvimentista contra a extrema-direita e a selvageria neoliberal
Dias após retirar sua candidatura à presidência da Colômbia pelo Partido Em Marcha, Juan Fernando Cristo, ex-ministro do Interior de Juan Manuel Santos (2010-2018), e seu movimento político “centrista, liberal e reformista” anunciaram o apoio à candidatura presidencial do senador Iván Cepeda, do Pacto Histórico, no próximo 31 de maio.
Ao abrir mão da disputa à Casa de Nariño, Cristo – que atuou como senador entre 1998 e 2014 – fortalece ainda mais o nome de Cepeda, candidato do presidente Gustavo Petro (2022-2026) e favorito às eleições -, ampliando a frente nacional-desenvolvimentista com figuras liberais de peso como o presidente da Câmara dos Deputados, Julián López, ex-ministros, ex-governadores e parlamentares de várias regiões.
“ESPERANÇA, FÉ E OTIMISMO”
“A Colômbia precisa olhar para o futuro com esperança, fé e otimismo. A partir de hoje, embarcamos em um caminho diferente, um caminho de diálogo e acordos que os colombianos anseiam desesperadamente e que são essenciais para enfrentarmos com sucesso os grandes desafios que temos pela frente, porque se continuarmos no mesmo caminho, não avançaremos”, declarou Cristo em seu discurso, assinalando que a iniciativa visava contribuir “para a clareza do debate público”.
Agradecendo o apoio e reiterando o seu significado, Cepeda resgatou a tradição reformista no liberalismo colombiano, lembrando que no século XIX o setor representou uma força revolucionária que desafiou os privilégios herdados e, no século XX, especialmente em sua primeira metade, tornou-se uma força motriz para as reformas sociais, promovendo a dignidade do trabalho, a educação e os fundamentos para uma verdadeira transformação agrária.
Num cenário em que a extrema-direita ameaça “exterminar a esquerda” e desmantelar as reformas sociais, apontou o Semanário Voz, essa convergência amplia o espectro democrático em torno das mudanças promovidas por Petro como a reforma trabalhista, que garante estabilidade e direitos àqueles que viveram em condições precárias por décadas, e a reforma da Previdência Social, que dignifica os idosos, proporcionando acesso a uma aposentadoria digna. Outro elemento considerado prioritário, frisou, é a reforma agrária, que busca devolver a terra a quem a trabalha, desmantelando as grandes propriedades improdutivas, fonte de violência e desigualdade. Transformações essenciais, promovidas pelo último governo – que a extrema-direita tentou obstruir por todos os meios -, mas encontram na aliança dos movimentos um compromisso com a continuidade e o desenvolvimento.
“VAMOS ELEGER UM GOVERNO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL”
“Hoje selamos este pacto pela vida e definimos o rumo para nossa ação política conjunta: vencer as eleições de forma decisiva e eleger um novo governo de transformação social”, sintetizou Cristo, defensor do diálogo como elemento imprescindível para a construção de um país sem amarras ou sectarismos. O líder do Norte de Santander disse que encontrou no candidato do Pacto Histórico um aliado natural para esse propósito: “Iván Cepeda apoiou essa iniciativa e contribuiu para sua promoção”.
Na oportunidade, as duas lideranças reiteraram a identidade de programas entre tradições de movimentos que coincidem em fundamentos baseados na defesa da paz, nos direitos das vítimas, o aprofundamento das reformas sociais e a necessidade de um Acordo Nacional que retire o país da “polarização estéril”, realizando uma aliança que coloque a “construção de um país mais justo no horizonte”.
Para o ex-ministro liberal Guillermo Rivera, Iván Cepeda é uma pessoa genuinamente comprometida com os direitos das vítimas, com a paz e com a busca de soluções para os problemas e dificuldades enfrentadas pelas pessoas mais vulneráveis. “Posso afirmar também que ele é uma pessoa de elevados padrões éticos, ou seja, alguém que sempre tenta fazer o que é certo e justo, reunindo as maiores virtudes para ser um governante justo”, assegurou.
Para o deputado Gabriel Becerra, integrante do Pacto Histórico e membro do Partido Comunista Colombiano, esta unidade permite que se fortaleça ‘uma grande aliança pela vida, que nos ajuda a convocar outras forças políticas e sociais na construção de um governo de coalizão democrática pela transformação política e econômica da sociedade colombiana”.
Cepeda tem como candidata à vice-presidência Aída Quilcué, senadora indígena do povo nasa e uma das principais lideranças do Cauca, no sudoeste do país, que teve o marido metralhado com 117 tiros pelo exército em 2008, durante uma emboscada quando retornava de um encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra sobre direitos humanos.
CINCO RAZÕES PARA A UNIDADE NACIONAL
De acordo com o Em Marcha, seu apoio a Iván Cepeda tem como base cinco pontos que expressam um programa comum. O primeiro é a necessidade urgente de um Acordo Nacional que supere as dificuldades do processo de Paz Total e abra uma nova etapa de diálogo político.
O segundo é uma história comum na luta pela Lei das Vítimas e pela restituição de terras, confrontando o governo de Álvaro Uribe, que se recusava a reconhecer o conflito armado.
O terceiro aponta para o coração do programa de transformação: o aprofundamento das reformas sociais, uma vez que não se trata de alterar superficialmente o modelo, mas de transformá-lo.
O quarto motivo é a reforma política que o país necessita, controlando os gastos exorbitantes de campanha, criando uma autoridade eleitoral independente e autônoma, e combatendo a corrupção desenfreada que, como alertou Cristo, “está matando lentamente nossa democracia”.
O quinto é a defesa do Acordo de Paz de 2016, ameaçado durante o governo de Iván Duque (2018-2022) e defendido por Cepeda e Cristo por meio da plataforma da sociedade civil “Defendamos la Paz” (Vamos Defender a Paz).
Nas recentes eleições para o Congresso, realizadas em 8 de março, o movimento do presidente Petro se consolidou como a principal força política do país. No total, o Pacto Histórico somou 4.203.192 votos (22,86%) – superando os 2,8 milhões de quatro anos atrás – e alcançando 25 das 100 cadeiras do Senado – um aumento significativo em comparação com as 20 cadeiras conquistadas anteriormente.











