Lucros abusivos das distribuidoras e postos com o diesel atingiram até 70%

Sem BR Distribuidora e Liquigás estatais, os preços dos combustíveis e do gás explodiram (Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil)

As distribuidoras e postos de combustíveis engordaram suas margens de lucro com o diesel em até 70% após o início da agressão dos EUA contra o Irã.

Segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), desde o estouro da guerra em 28 de fevereiro de 2026, as margens de lucro dessas empresas registraram um aumento, em média, superior a 30% em produtos como diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum.

No caso do diesel S-500 – combustível usado em veículos mais antigos – a alta foi de 71,6% no período. Para o diesel S-10 – veículos mais novos – o aumento foi de 45%.

Na gasolina comum, a margem de lucro subiu 32,2%.

Os percentuais apresentados não se referem ao valor total do combustível pago pelo consumidor, mas sim à parcela do preço final que ficam com as empresas. Esse aumento da margem de lucro com o diesel ocorre em um cenário marcado pela desoneração de impostos federais sobre o diesel e pelo aumento do imposto de exportação sobre o petróleo, medidas adotadas pelo governo federal para tentar mitigar a alta dos preços internos.

O levantamento tem como base dados do Ministério de Minas e Energia (MME), extraídos do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, que detalha a composição dos preços — combustível fóssil, biocombustíveis, tributos e margens de distribuição e revenda — com base em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Esalq/USP.

O Ibeps alerta que o crescimento das margens de lucro de distribuidoras e postos já vem ocorrendo desde o ano de 2021.

Há cinco anos atrás, os aumentos das margens de lucro com os combustíveis foram ainda mais expressivos: diesel S-500, +238,8%; diesel S-10, +111,8%; gasolina comum, +90,7%.

O economista do Ibeps, Eric Gil Dantas, avalia que dois fatores contribuíram para  a alta das margens de lucros: a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada pela Petrobrás – que trouxe grande volatilidade ao mercado interno – e as privatizações da BR Distribuidora e da Liquigás, ambas da Petrobrás, no governo de Bolsonaro.

“O primeiro foi a alta de preços entre 2021 e 2022, quando os derivados atingiram os maiores valores reais da história do país”, disse Gil Dantas. “Essa tendência de alta, junto com a volatilidade dos preços e a perda de referência para os consumidores, permitiu que as margens crescessem sem serem percebidas. Mas isso não acabou com o período de maior volatilidade: as margens continuaram subindo ao longo de 2023, mesmo com poucos reajustes”, explica o economista.

A BR Distribuidora e a Liquigás eram as únicas estatais em setores altamente cartelizados e com a privatização destas empresas “perdeu-se a possibilidade de manter margens mais próximas do aceitável”, explica o economista. “A BR e a Liquigás tinham grande poder para determinar essas margens e, após serem privatizadas, isso se perdeu”, completa.

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