“O próprio Vorcaro foi recebido 24 vezes no BC quando Campos Neto era presidente”, afirma a ministra das Relações Institucionais
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apresentou “desculpas esfarrapadas” para tentar livrar-se no caso do Banco Master em vez de explicar porquê “a fraude foi tão longe em sua gestão no BC”.
“O próprio Vorcaro foi recebido 24 vezes no BC quando Campos Neto era presidente”, escreveu Gleisi na rede social.
A ministra citou que Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e o fim de 2024 por indicação de Jair Bolsonaro, “foi alertado sobre a crise do Master, mas atuou pelo menos duas vezes para evitar intervenção no banco de Daniel Vorcaro”.
Em 2024, a Polícia Federal questionou o BC de Campos Neto sobre denúncias de fraudes envolvendo o Banco Master, mas a autarquia que era presidida pelo bolsonarista optou por não abrir nenhuma investigação.
Roberto Campos Neto também teria sido alertado por outros bancos e pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), sobre o qual grande parte do esquema de Daniel Vorcaro se apoiava.
Foi somente depois que se encerrou o mandato de Campos Neto que o Banco Central se debruçou sobre o caso e determinou a liquidação do Banco Master.
Gleisi Hoffmann apontou que “dois ex-diretores indicados por Campos Neto são investigados por suspeita de terem ajudado Vorcaro na fraude”.
Ela se refere a Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, que foram flagrados pela Polícia Federal mantendo contato direto com Vorcaro, enviando e recebendo documentos.
“E agora me vem o senhor Campos Neto dizer ao Estadão que a cúpula do BC não tinha responsabilidade sobre o assunto. Respeite ao menos a inteligência alheia… Ao invés de apresentar desculpas esfarrapadas, deveria explicar por que a fraude foi tão longe em sua gestão no BC”, criticou a ministra.
O ex-presidente do BC disse em nota que não era sua obrigação fiscalizar o Master e não pode ser “responsabilizado por falha de terceiros”. Além disso, falou que indicou Paulo Sérgio e Belline para os cargos por uma questão de “tradição histórica” do órgão em ter funcionários de carreira nas funções.











