O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha uma vida de luxo e ostentação. No caso, ele comprou três aviões no intervalo de pouco mais de dois anos pela quantia de R$ 260 milhões à vista.
É a ponta de um dos icebergs da maior fraude da história recente do sistema financeiro do país, cujos valores estão na casa dos bilhões de reais. As investigações apontam fraudes bilionárias que abalam o mercado financeiro e as instituições de controle.
A informação foi dada pelos jornalistas Joana Cunha, Maeli Prado e Iran Alves, do jornal Folha de S. Paulo.
Sendo a mais escandalosa delas a venda de R$ 12 bilhões em títulos podres, sem lastro, do Banco Master, para o BRB. A negociata que deu prejuízo bilionário ao BRB, banco público, foi ordenada pelo governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que os aviões foram comprados à vista, prática que é vista como incomum por especialistas no mercado de aviação particular.
O mais valioso é um Gulfstream modelo GV-SP fabricado em 2010, registrado como PR-PSE, que foi comprado da Icon Taxi Aéreo em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões.
A aquisição mais recente ocorreu em agosto de 2024, quando entrou na frota um Dassault modelo Falcon 7X, também fabricado em 2010. O veículo foi adquirido da Timbro Trading por aproximadamente R$ 117 milhões.
O menos valioso dos aviões é um Falcon 2000 fabricado no ano 2000, de prefixo PP-CFF, que foi adquirido da AM Participações em fevereiro de 2022 por pouco mais de R$ 21 milhões.
Os aviões de Vorcaro foram comprados da Viking, empresa da qual ele é sócio. Dois meses antes de ser preso e de ter o banco liquidado, Vorcaro vendeu 55% do capital da Viking para um fundo de investimentos chamado FIP Stern, administrado pela Reag, investigada por participação em fraude para inflar ativos ligados ao Master.
Os três jatinhos sofreram ordem judicial de bloqueio após a liquidação do Master em novembro.
O Falcon 7X foi aquele que Vorcaro estava para fugir, em novembro passado, rumo a algum país árabe, na versão do próprio, e foi apreendido pela Polícia Federal junto com a primeira prisão do tratante.
A prática usual na aquisição de aviões acima de algumas dezenas de milhões é através de operações de Leasing, com a garantia do próprio bem e são seguradas.
A informação é do professor da USP Carlos Portugal Gouvêa, especialista em direito comercial, feita também à Folha. “Os juros para aeronaves são muito favoráveis, historicamente no patamar de 6% a 8% ao ano no mercado internacional. As taxas são baixas porque as próprias aeronaves são dadas em garantia e são seguradas. Então é um bem de fácil recuperação”, diz Gouvêa.
De acordo com o professor, é mais comum que essas aeronaves sejam adquiridas por empresas, para poder deduzir da base de incidência do imposto de renda o total das prestações pagas ao invés das depreciações quando o a aeronave é comprada e passa imediatamente ao patrimônio da compradora.











