Derrotada a farsa na CPMI do INSS que tentou acobertar crimes de Jair e Flávio Bolsonaro

Sessão da CPMI Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado Fonte: Agência Senado)

Votaram 19 membros pelo indiciamento de Flávio Bolsonaro e apenas 12 no relatório farsa. Maioria indiciou 130 pessoas, entre eles Jair e Flávio “Rachadinha”. Envolvido, presidente da CPMI encerrou a sessão sem terminar votação do relatório. Maioria vai enviar o documento às autoridades

Os bolsonaristas fizeram um picadeiro na CPMI do INSS mas foram derrotados na madrugada deste sábado (28). Por 19 votos a 12 o relatório farsa dos fraudadores do INSS, que desviava a atenção dos verdadeiros criminosos, foi derrotado. A sessão da Comissão começou às 9h44 desta sexta-feira (27) e foi encerrada às 01h14 deste sábado.

INSS E BANCO MASTER

O Brasil inteiro sabe que, tanto os golpes nos aposentados quanto a vida mansa que teve o dono do Banco Master para assaltar os cofres públicos, ganharam asas no governo Bolsonaro. Os ministros de seu governo é que viabilizaram a ampliação dos consignados e os desvios. Tanto que o esquema só foi desmontado no governo Lula. Um dos ministros de Bolsonaro, Ronaldo Bento, da Cidadania, virou diretor do Banco Master.

A farsa era tão evidente que até o presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), foi flagrado enviando R$ 3,6 milhões em emendas do orçamento secreto para uma arapuca de Belo Horizonte que desviou dinheiro do INSS. Coincidentemente essa arapuca, a igreja da Lagoinha, conhecida como “ladroinha”, é um antro de bolsonaristas ladrões. A começar por seu pastor, Fabiano Zettel, que está preso.

Mas não é só Zettel que agia na Lagoinha. Dali também saíram o próprio Daniel Vorcaro, que usou o Banco Master, autorizado a funcionar por Roberto Campos Neto, presidente do BC de Bolsonaro, para dar golpes que geraram um rombo de mais de R$ 50 bilhões. A arapuca é frequentada também pelo estridente deputado Nikolas Ferreira. As emendas são só a ponta do iceberg. A Polícia Federal está no encalço do chefe do bando, o pastor André Valadão, que criou um banco dentro da igreja para fraudar aposentados e fiéis. Eles fecharam às pressas a igreja, mas a PF promete seguir na captura dos bandidos.

BANDIDOS ACOBERTADOS

Os ladrões tentaram desviar a atenção de seus roubos para atingir figuras ligadas ao atual governo, exatamente o governo que acabou com a farra. A farsa foi tão ridícula que o relatório derrotado pedia o indiciamento e até a prisão de Fábio Silva, filho do presidente Lula. Um típico ato eleitoreiro. Tinham quebrado o sigilo bancário e fiscal de Fábio e não encontraram nada. Nenhuma ligação com o escândalo do INSS, mas mesmo assim, só para atingir Lula, pediram o seu indiciamento. A palhaçada foi derrotada no plenário da CPMI.

O relatório do deputado bolsonarista Alfredo Gaspar (PL-AL) tentou acobertar seus comparsas que se locupletaram roubando aposentados, recomendando o indiciamento de mais de 200 pessoas. O parlamentar do grupo fascista insistiu em envolver o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, mesmo a comissão não tendo encontrado nada de irregular em suas contas.

Diante da total falta de provas contra Fábio, o relator bolsonarista inventou que ele teria recebido repasses do “Careca do INSS” — apontado pela Polícia Federal como figura central no esquema de descontos indevidos. A invenção se utilizou da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para acusá-lo. Uma farsa cínica e eleitoreira para tentar influenciar a eleição de novembro.

PRESIDENTE DA CPMI ENVOLVIDO

A data limite para a conclusão dos trabalhos é neste sábado (28). Colegiado chega ao fim sem ter um documento formal. O documento da maioria recomendava o indiciamento de 130 pessoas, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Derrotado, o presidente da CPMI, encerrou arbitrariamente os trabalhos para impedir a votação do relatório da maioria e proteger os verdadeiros ladrões que estavam em seu relatório.

Em entrevista, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), líder da bancada na CPMI, criticou duramente a condução dos trabalhos e acusou o presidente de agir por motivação política: “Todas as comissões, todas as decisões de CPIs ou CPMIs, sempre que o voto do relator é minoritário, é designado pelo presidente outro relator para apresentar o voto da maioria. Nós hoje fomos impedidos de fazer com que essa comissão concluísse seus trabalhos como um relatório aprovado”, denunciou.

“Se esta comissão concluir seu trabalho sem um relatório, foi uma decisão política do presidente, com apoio do relator, porque não havia concordância com o voto da maioria. Isso é uma afronta à democracia. Tínhamos a maioria na comissão, portanto tínhamos o direito de aprovar o nosso relatório”, acrescentou. “O presidente decidiu que a comissão não tivesse um relatório para impedir que fosse aprovado o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro como chefe da organização criminosa que roubou os aposentados”, completou Pimenta.

CÚMPLICE DE ZETTEL

Ouviu-se também que o senador Carlos Viana impediu a votação para proteger seus cúmplices. “O presidente da CPMI também impediu a votação do relatório da Verdade, o relatório da maioria, porque queria blindar o pastor Fabiano Zettel, que era pastor da Igreja Batista da Lagoinha, a mesma igreja do senador Carlos Viana.”

Mesmo sem aprovação formal, o relatório da maioria deverá seguir para órgãos de investigação. O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o documento será encaminhado às autoridades competentes: “O relatório da maioria será entregue à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.” Entre os pontos do documento, está o pedido de indiciamento de diversas pessoas, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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