“Crime viola todas as normas do direito internacional”, afirmou o presidente libanês Joseph Aoun. Organização Mundial da Saúde acusou os israelenses pelos assassinatos dos paramédicos em cinco ataques distintos em um único dia
Israel executou três jornalistas e nove paramédicos neste sábado (28), em diferentes bombardeios contra coberturas de imprensa e serviços de saúde no sul do Líbano. Outros sete profissionais de saúde ficaram feridos, em ações que tiveram como alvo a cobertura informativa e o atendimento à população civil.
Na região de Jezzine, Fatima Fatouni, jornalista da rede de notícias Al Mayadeen, e Ali Shoaib, corresponsável da Al Manar, foram mandados pelos ares ao lado do camarógrafo Mohamed – irmão de Fatima – após um ataque contra seu automóvel, devidamente identificado como “Imprensa”.
Semanas antes de perder a vida, Fatima havia relatado ao vivo que sete membros de sua própria família foram mortos em um bombardeio israelense na casa deles em Toul, no sul do Líbano. Apesar da tragédia pessoal, ela continuou a denunciar as práticas sionistas, tornando-se uma referência na documentação dos ataques na região. A jornalista já tinha sobrevivido a investidas anteriores, incluindo uma em outubro de 2024, onde relatou o perigo enfrentado por profissionais de imprensa na linha de frente, segurando seu microfone e capacete.
“CRIME VIOLA TODAS AS NORMAS E TRATADOS DE PROTEÇÃO”
O presidente libanês, Josef Aoun, condenou a covardia israelense, enfatizando que “este é um crime flagrante que viola todas as normas e tratados que garantem proteção internacional aos jornalistas em tempos de guerra”.
Como é de praxe, Israel acusou aa vítima pelos seus crimes. Uma fonte militar do Estado sionista alegou que Shoaib pertencia à elite do grupo de resistência Hezbollah, “um terrorista da sua unidade de inteligência Força Radwan” para “revelas as posições israelenses que atuam no sul do Líbano e ao longo da fronteira”.
Entidades jornalísticas recordam que esta não é a primeira vez que profissionais de imprensa desses dois canais libaneses viraram alvo das tropas sionistas. Em outubro de 2024, três repórteres – dois da Al Mayadeen (Ghasan Najar e Mohamed Reda) e um da Al Manar (Wisam Qasem) – foram mortos em uma investida israelense em Hasbaya. Em novembro de 2023, outros dois jornalistas da Al Mayadeen, Farah Omar e Rabih Mamari, também foram assassinados em um emboscada no sul do país. Semanas antes, em 13 de outubro de 2023, um ataque matou o cinegrafista da Reuters, Isam Abdallah, e feriu outros seis repórteres, incluindo dois da AFP (Dylan Collins e Christina Assi), que tiveram a perna direita amputada.
SEGUNDO RECORDE CONSECUTIVO DE MORTES DE JORNALISTAS
Em 2025, o número de jornalistas e profissionais da mídia mortos foi maior do que em qualquer outro ano desde que o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) começou a coletar dados, há mais de três décadas. “Este é o segundo recorde consecutivo de mortes de jornalistas em comparação com o ano anterior, sendo Israel responsável por dois terços de todos os assassinatos de jornalistas tanto em 2025 quanto em 2024”, informou o CPJ.
Conforme levantamento, as tropas israelenses cometeram mais assassinatos seletivos de jornalistas do que as forças armadas de qualquer outro governo desde que o CPJ começou a documentar esses atos em 1992. Dos 129 profissionais de mídia mortos em conflitos no ano passado, 104 eram palestinos executados por Israel, tendo sido “realizadas pouquíssimas investigações transparentes sobre os casos de assassinatos seletivos documentados, e ninguém foi responsabilizado”. Enquanto o governo de Benjamin Netanyahu tergiversava, reduzindo muitos dos casos a “acidentes trágicos”, o CPJ qualificava as execuções como o que são: “homicídios”.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, voltou a denunciar que os reiterados ataques aos paramédicos prejudicam gravemente os serviços de saúde. Diante disso, explicou, quatro hospitais e 51 centros de atenção primária à saúde estão fechados, e diversas outras unidades estão operando com capacidade reduzida.
Neste domingo (29), protestou Tedros, mais um paramédico foi morto por Israel em um ataque contra uma ambulância em Bint Jbeil, que também deixou um depósito de suprimentos médicos na cidade completamente destruído. Antes deste bombardeio, o diretor-geral da OMS relatou que a organização já havia confirmado a morte de 51 profissionais de saúde libaneses desde 2 de março, incluindo nove paramédicos no sábado.
Veja no link abaixo entrevista com a jornalista Fatima, pouco antes de seu assassinato:











