Eduardo e Nikolas se estapeiam nas redes digitais

Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira em suas aparições (Fotos: Instagram - Pablo Valadares - Câmara dos Deputados)

Se alguém ainda nutria a expectativa de que votação expressiva fosse sinônimo de estatura política, o fim de semana tratou de desfazer a ilusão com eficiência constrangedora.

O deputado federal mais votado do Brasil, Nikolas Ferreira (PL-MG), e o mais votado de São Paulo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), protagonizaram mais um episódio de confronto. Não em tribunas, tampouco em projetos, mas no território onde a política parece ter decidido se esconder: as redes digitais.

O que se viu foi menos embate de ideias e mais rinha de egos, travestida de debate público. Sequência de posts, indiretas, “risinhos” e vídeos compartilhados que, somados, dizem muito pouco sobre o País. E muito sobre o nível da sua representação.

RINHA VIRTUAL

A troca de farpas mais recente, no sábado (4), está longe de ser caso isolado.

O conflito entre ambos já vem de antes, mas ganhou novos contornos com a habitual mistura de vaidade, lealdade seletiva e disputa por protagonismo dentro do mesmo campo político.

O palco, como de costume, foi o X (antigo Twitter). Ambiente ideal para condensar complexidade em 280 caracteres e transformar divergência em espetáculo.

CRONOLOGIA DO NADA

A briga começa de forma quase didática em sua irrelevância. Na quinta-feira (2), Eduardo Bolsonaro criticou o perfil de Nikolas por declarar voto divergente dentro do próprio grupo político.

Horas depois, Nikolas Ferreira entra na conversa, compartilha conteúdo do mesmo perfil, critica o governo e faz afirmação que pouco dialoga com a origem da discussão. Mas ajuda a inflar o ruído.

No dia seguinte, Eduardo publica vídeo com tom de indireta, sugerindo incoerência do colega bolsonarista. A tensão cresce com a entrada de terceiros — influenciadores e figuras orbitais do bolsonarismo — até culminar, já no sábado, no momento que talvez melhor sintetize o episódio: um “kkk” digitado por Nikolas. Sim, um “kkk”.

A partir daí, o “debate” degringola de vez: Eduardo interpreta como deboche, acusa desrespeito e transforma 3 letras em crise política.

RACHA

O episódio atual ecoa tensões anteriores. Em julho de 2025, Eduardo já havia classificado Nikolas como “pouco ativo”. Em fevereiro de 2026, voltou à carga, criticando também Michelle Bolsonaro por suposto engajamento insuficiente na pré-candidatura de Flávio.

A ex-primeira-dama é pré-candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal.

Nikolas reagiu, defendeu Michelle e sugeriu que Eduardo “não está bem”.

A escalada obrigou o comando partidário a agir. Valdemar Costa Neto negou qualquer racha e garantiu que todos estarão no mesmo palanque. A negativa, como costuma acontecer na política, diz menos sobre a inexistência do problema e mais sobre a necessidade de contê-lo.

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