Israel debocha dos cristãos: profanadores da estátua de Jesus crucificado recebem 30 dias de detenção

Vandalismo disseminado: histórica igrena de São Jorge sob ataque na cidade palestino-cristã de Taybeh (Nabd Al-Haya/LWF)

Em um ato de deboche ao clamor contra a profanação, no sul do Líbano invadido, de uma estátua do Cristo crucificado, cometida com uma marreta por um soldado de Israel, o autor e o fotógrafo do vandalismo foram agraciados com 30 dias de detenção, apesar das pomposas declarações do exército israelense e do premiê Netanyahu sobre “profundo pesar”, “vai contra nossos valores” e promessas de “medidas drásticas”.

A estátua do Cristo crucificado estava no jardim de uma casa invadida na pequena aldeia cristã Debel, já agredida por bombas e tropas de ocupação israelense. Profanação que afronta a liberdade de culto e agride as religiões, especialmente a católica, na assim chamada Terra Santa. 

E mais: agora surgem informações de que soldados roubaram pertences nas casas invadidas.

Postada nas redes sociais pelo jornalista palestino Younis Tirawi, a foto circulou online no domingo (19), poucas semanas após o exército israelense retirar as acusações contra cinco soldados flagrados em câmera estuprando um detento palestino – um entre centenas de episódios de tortura – e uma semana depois de Israel massacrar 300 civis libaneses em duas horas de bombardeio.

CINCO MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES

A imagem teve mais de cinco milhões de visualizações, forçando os agressores a admitirem a veracidade. Sobre a profanação o exército israelense asseverou constituir “uma conduta inaceitável e uma falha moral, muito acima de qualquer padrão aceitável e contradizendo os valores das FDI e a conduta esperada de suas tropas”.

No mundo inteiro, quase não há quem desconheça que os “valores” do exército supremacista israelense são, antes de tudo, o genocídio, o apartheid e a tortura – e a impunidade. Ou como o classificou a Relatora Especial da ONU para os direitos dos palestinos, Francesca Albanese, “o exército mais depravado do mundo”.

“SOLDADO SE SENTIU AMEAÇADO POR JESUS”, IRONIZA DEPUTADO

A costumeira desfaçatez com que essas questões são tratadas em Israel levou um deputado oposicionista do parlamento israelense, Ayman Odeh, líder da aliança Hadash, a postar, antes do anúncio da “punição”, o comentário: “vamos esperar para ouvir o porta-voz do exército afirmar que ‘o soldado se sentiu ameaçado por Jesus'”.

Ahmad Tibi, também deputado do Knesset e líder do partido Ta’al (Movimento Árabe para a Mudança) postou no Facebook que aqueles que explodem mesquitas e igrejas em Gaza e cospem no clero cristão em Jerusalém sem punição não têm medo de destruir uma estátua de Jesus Cristo e publicá-la.

“Talvez esses racistas também tenham aprendido com Donald Trump a insultar Jesus Cristo e o Papa Leão?” ele perguntou, referindo-se às recentes controvérsias do presidente dos EUA, incluindo sua imagem gerada por IA, agora deletada, que o retratava como uma figura semelhante a Jesus, depois que o papa que condenou a guerra contra o Irã.

Ao contrário das declarações dos colonialistas israelenses, sua violência contra a liberdade de culto não é a exceção mas a consequência de uma política deliberada que, no mês passado, chegou ao ponto de impedir a celebração da missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro, o que não acontecia há séculos. E que barrou até mesmo a presença do patriarca latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa.

CRISTÃOS MORTOS EM GAZA POR ISRAEL

Em Gaza, a Igreja Greco-Ortodoxa de São Porfírio, a mais antiga de Gaza, foi bombardeada por Israel em outubro de 2023, matando pelo menos 18 cristãos e muçulmanos que estava ali refugiados. Em julho do ano passado, as forças israelenses atacaram a Igreja da Sagrada Família, única paróquia católica no enclave, levando o papa Francisco a, diariamente, se comunicar com a diocese, em seu apoio.

O Centro de Dados sobre Liberdade Religiosa (RFDC) documentou pelo menos 201 incidentes de violência contra cristãos, cometidos principalmente por judeus ortodoxos que visavam clérigos internacionais ou indivíduos que exibiam símbolos cristãos, entre janeiro de 2024 e setembro de 2025. A maioria desses incidentes, que incluíram múltiplas formas de assédio, incluindo cuspir, abuso verbal, vandalismo e agressões, ocorreu na Jerusalém Oriental ocupada.

A aldeia cristã de Taybeh, na Cisjordânia ocupada, que é conhecida como a cidade palestina inteiramente cristã, enfrentou ataques repetidos de colonos israelenses ilegais, de acordo com a agência de notícias turca Anadolu. Relatos de incêndio criminoso perto de uma igreja e cemitério alarmaram clérigos e moradores, que alertaram sobre ameaças crescentes à sua comunidade e patrimônio. Esses atos eram vistos não apenas como ataques à propriedade, mas também como ataques simbólicos à identidade e à presença cristã.

QUASE MIL MESQUITAS DESTRUÍDAS

Em Gaza, até janeiro do ano passado eram 815 as mesquitas destruídas completamente por ataques israelenses e outras 151 ficaram parcialmente danificadas; pelo menos 53 imãs e pregadores foram mortos. 19 cemitérios foram danificados ou profanados. Na Cisjordânia ocupada, foram 45 as mesquitas vandalizadas no ano passado pelos colonos supremacistas, segundo o Ministério dos Assuntos Religiosos da Autoridade Palestina.

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