O 52º aniversário da Revolução dos Cravos que, em 25 de abril de 1974, libertou o povo português do regime fascista imposto pelo golpe de 1926 que levou ao poder o ditador António Salazar, regime que durou 48 anos, foi celebrado por representantes de de diversas organizações, em umabraço ao monumento ao 25 de Abril, erigido na praça Mestre de Aviz, em São Paulo..
O emocionante evento teve a presença e pronunciamentos de rerpesentantes do Centro Cultural 25 de Abril, das organizações Direitos Já, Cebrapaz, Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo, Partido Comunista Português, PCdoB Federação da Mulheres Paulistas, Federação Paulista de Associações de Moradores, entre outras, de fundadores do jornal Portugal Democrático, e ainda de atuoridades consulares de Portugal em São Paulo.
Ao abrir o encontro Beatriz Rocha, núcleo de amigos do Centro Cultural 25 de Abril, relembrando que com seu pai “aprendeu a sonhar e dele herdou a decisão de conhecer e participar da história”.
“Nós temos sonhos e muitos deles sonhados juntos. E toda a vida lutamos para realizá-los. Temos sonhos de paz, justiça, liberdade, de que a riqueza produzida seja repartida por todos, de respeito à soberania de nossos países, povos e culturas, de não invasões, agressões e genocídios.
As revoluções que puseram fim ao sofrimento, perseguição, obscurantismo, fascismo, são a nossa reafirmação, nossa demonstração coletiva de que um outro mundo é possível e de que acreditamos em nossos sonhos!
Assim foi e é a Revolução dos Cravos. Assim foi e é o 25 de abril.
A MEMÓRIA NÃO APAGADA
Estar aqui hoje como estão milhares em Portugal e espalhados pelo mundo é mais do que homenagem. É nosso ato de resistência, é nossa coragem e luta renovadas, é nossa memória não apagada.
As comemorações trazem de volta à vida nossos sonhos de justiça, de esperança e de paz! Havemos de realizá-los! Fascismo nunca mais! 25 de Abril sempre!

O presidente do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo, Carlos Seabra, Carlos Seabra, relatou os esforços para a criação, promoção do crescimento e manutenção do Centro Cultural 25 de Abril “que se tornou um centro de encontros e debates de integrantes da luta democrática tanto em Portugal quanto aqui entre nós”.
O presidente do Cebrapaz, José Reinaldo, declarou se sentir honrado em “representar o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e luta pela Paz, na celebração da Revolução dos Cravos”.
“O 25 de Abril é um dos momentos destacados da história de Portugal, tanto pela vitória contra o fascismo, como do protagonismo das massas populares, das forças revolucionárias e democráticas nessa vitória, em união com o Movimento das Forças Armadas”, enfatizou Reinaldo.

“O 25 de Abril deslanchou um processo de libertação do povo português, incluindo a Constituição que, inclusive coloca a construção do socialismo como perspectiva”.
“Estamos em um ponto desse processo no qual as forças contra-revolucionárias tentam voltar para trás a roda da história e anular as conquistas do 25 de Abril, o que nos exige uma vigilância contra o ataque a estas conquistas”, alertou Reinaldo.
Lembrando a libertação das colônias portuguesas na África, o presidente do Cebrapaz, destacou ainda que “esta característica do 25 de Abril o torna atual neste momento de acirramento da luta anti-imperialista”.
Sergio Gomes, da editora Oboré, relatou toda a trajetória do embate político, tanto em nível da Câmara Municipal de São Paulo, quanto da Prefeitura para localizar um espaço – que acabou sendo a atual praça Mestre de Aviz, que tem limite na Avenida Ibirauera, para produzir o monumento em homenagem ao 25 de Abril, aqui no Brasil.
“Falar do 25 de Abril, é falar da libertação dos 48 anos de regime fascista imposto aos portugueses”, declarou José Antonio Silva, representando o Partido Comunista Português.
“É recordar o que esse tempo representou para a esmagadora maioria dos portugueses. Um tempo de ausência de liberdade de expressão, de negação de eleições livres e democráticas. Um tempo em que a polícia política (PIDE/DGS) torturava e assassinava nas ruas, nas prisões e mesmo no campo de concentração do Tarrafal em Cabo Verde”.
“Um tempo em que 6 famílias detinham o essencial da economia portuguesa e que a pobreza reinou em Portugal”.
José Antonio prestou homenagem ao “camarada Bento Gonçalves, operário e secretário-geral do PCP, morto no campo de concentração de Tarrafal” e ao “general Humberto Diogo, um democrata que teve a coragem de desafiar o regime fascista e foi assassinado”.
“Um tempo em que Portugal mantinha como colônias a Argélia, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor. Onde os movimentos de libertação lutavam pela sua independência”.
A vitória da união entre o povo e o Movimento das Forças Armadas, o MFA, possibilitou a Portugal transformações que “depois de meio século de fascismo, iriam causar admiração da Europa e do mundo”.
AVANÇOS E RETROCESSOS
No entanto, após dois anos de luta intensa, prevaleceu uma contra-revolução que – embora não tenha conseguido regredir as conquistas democráticas básicas inseridas na Constituição das mais avançadas, geradas pela Revolução dos Cravos – fez retroceder conquistas no terreno econômico fazendo com que o avanço inicial se paralisasse fazendo com que dois milhões de portugueses caíssem na miséria e é para retomar um projeto “de desenvolvimento nacional que ponha Portugal”.
PORTUGAL DEMOCRÁTICO
O último dos diretores do jornal Portugal Democrático, Silvio Band, relatou que sua produção se dava regularmente no Brasil e “distribuído por uma rede de simpatizantes no movimento estudantil e sindical e enviado para os núcleos de exilados portugueses pelo mundo e por vias clandestinas chegava regularmente a Portugal, tendo-se confirmado seu recebimento por alguns dos capitães do 25 de Abril”.
Destacou que “um capítulo importante na luta pela derrubada do fascismo em Portugal, foi a aguerrida participação neste embate de exilados portugueses em todo o mundo”.
“No Brasil, a luta consubstanciou-se na criação e vida ativa de um jornal: Portugal democrático, editado em São Paulo”, destacou Silvio.
Pedro Campos, vice-presidente estadual do Partido Comunista do Brasil, representando o movimento Direitos Já, em entrevista ao HP no início do evento, destacou a importância do evento, “no momento em que o mundo está enfrentando um avanço das ideias fascistas, de ataque aos povos e à humanidade é importante relembrar os momentos que esta humanidade se levantou para fazer realidade a garantia dos direitos básicos de democracia e liberdade para nos dar força e consciência na defesa destes direitos”.
LIBERTAÇÃO NACIONAL E SOBERANIA
“A vitória da Revolução dos Cravos sobre o fascismo tem importância internacional, uma vez que agora, estamos enfrentando esta luta aqui entre nós neste momento, pela democracia, contra o arbítrio e também pela libertação nacional”, acrescentou.
“Nesse momento o caráter libertador da Revolução dos Cravos ganha importância especial, uma vez que não existe soberania sob domínio do fascismo, e quando nos encontramos em uma luta para garantir a nossa soberania, como luta central, assim como foi durante a luta contra o nazismo e o fascismo que tentaram subjugar os povos, subjugar a humanidade em uma ataque aos povos invadidos, mas em seus próprios países em particular contra suas classes trabalhadoras” concluiu Pedro.
Veja principais trechos do pronunciamento de Pedro Campos no link:
https://www.instagram.com/reels/DXksZuXAEdP
Luisa Moura, que dirige o Centro Cultural 25 de Abril e que centralizou a organização do evento, ressaltou seu “compromisso com a democracia e com a preservação dos valores e cultura gerados pela luta que desembocou na vitória do 25 de Abril”.
HOMENAGEM AOS COMBATENTES
Luisa prestou homenagem aos lutadores que já faleceram, mas que continuam presentes na memória dos que prosseguem no embate atual contra o fascismo, quatro deles têm suas cinzas depósitadas ao pé do monumento ao 25 de Abril. Luisa repetia o nome destes combatentes, um a um, e o plenário respondia com “Presente!”. São eles:
- Alfredo Massom
- Manoel Myre Dores
- Alexandre PEREIRA
- Expedito José dos Santos
Logo a seguir, Maria Félix, filha de Alfredo Massom e Maria Tereza Myre Dolores, filha Manoel Myre, depositaram flores no monumento.
Todos os presentes foram convidados a um abraço colentivo ao monumento ao 25 de Abril e a entoarem a histórica música de Zeca Alfonso, Grândola Vila Morena, que serviu de senha para o início da Revolução dos Cravos, que ganhou este nome quando participantes apoiando a revolta do Movimento das Forças Armadas, colocaram cravos nos fuzis dos militares nas ruas de Lisboa.
Maria Tereza pediu a palavra para lembrar que, na mesma data, 25 de Abril os italianos celebram a Resistência, força funcamental, ao lado dos aliados, inclusive os espedicionários do Brasil, na expulsão das forças nazists que ocuparam a Itália logo após a queda do fascista Mussolini, na vã tentativa de preservar território ao nazismo em derrocada.
Pelo seu enorme significado histórico e emocionante letra, concluímos esta reportagem com a reprodução da letra da música de José Afonso, entoada pelos presentes ao final do evento:
Grândola, vila morena,
Terra da fraternidade,
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade.
Dentro de ti, ó cidade,
O povo é quem mais ordena,
Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena.
Em cada esquina um amigo,
Em cada rosto igualdade,
Grândola, vila morena,
Terra da fraternidade.
Terra da fraternidade,
Grândola, vila morena,
Em cada rosto igualdade,
O povo’é quem mais ordena.
À sombra duma azinheira,
Que já não sabia a idade,
Jurei ter por companheira,
Grândola’a tua vontade.
Grândola’a tua vontade
Jurei ter por companheira,
À sombra duma azinheira,
Que já não sabia a idade.











