Presidente acusa pacto de “terroristas, fascistas e narcotraficantes” nos 26 atentados realizados em menos de 48 horas. “O fascismo é fruto do desespero dos donos do capital”, enfatizou
A Colômbia sofre uma escalada de violência à medida em que se aproximam as eleições presidenciais de 31 de maio. Entre sexta (25) e sábado (26) foram registrados 26 atentados em menos de 48 horas nas regiões do Cauca e do Vale do Cauca, que deixaram 20 mortos, dezenas de feridos, além de graves danos à infraestrutura rodoviária. Somente em Cauca ocorreram incidentes simultâneos em municípios como Caloto, Popayán, Guachené, Mercaderes e Miranda, sendo decretados três dias de luto oficial.
O atentado mais letal atingiu mais de uma dúzia de veículos na região de El Túnel, provocando uma cratera na pista e espalhando destroços por dezenas de metros. O Instituto Nacional de Medicina Legal informou que entre as vítimas há pelo menos 15 mulheres e cinco homens; havendo preliminarmente cinco menores entre os feridos.
O presidente Gustavo Petro responsabilizou as forças “narcofascistas” pelo banho de sangue provocado, alertando para a aliança perigosa entre a extrema direita, o neoliberalismo e o paramilitarismo na América Latina, particularmente na Colômbia. Diante da união macabra de “terroristas, fascistas e narcotraficantes”, o dirigente comunicou medidas governamentais emergenciais.
RESPOSTA “MÁXIMA” DO ESTADO
Anunciando uma resposta “máxima” do Estado, apontou que entre o conjunto de medidas está o reforço de mais de 13 pelotões de cavalaria e 12 de infantaria na região; a recompensa de até 5 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 7 milhões) por informações que levem à captura dos responsáveis; o acionamento da Unidade de Informação e Análise Financeira (UIAF) para rastrear ativos do grupo e a preparação de denúncia perante a Corte Penal Internacional por crimes contra a humanidade.
Conforme o mandatário, esta aliança criminosa visa o controle territorial e social exercido por estruturas com orientação política e ideológica autoritária para impor o retrocesso. “O fascismo é fruto dos donos do capital, desesperados porque a classe trabalhadora decide tomar o poder”, assinalou Petro, referindo-se à origem do regime nazista na Alemanha e do fascismo italiano como reações das elites econômicas aos movimentos operários.
“NEOFASCISMO ASSASSINOU 5.000 MILITANTES DA UNIÃO PATRIÓTICA”
“Muitas regiões da Colômbia acabaram sob o poder de uma espécie de narcofascismo, que assassinou 5.000 militantes da União Patriótica, deixou mais de 200.000 colombianos mortos em valas comuns e até mesmo em fornos crematórios, e fez desaparecer mais de 60.000 pessoas”, condenou Petro.
Denunciando a “nova combinação de livre mercado e fascismo”, que aparece na história com Pinochet e a Escola de Economia de Chicago – em uma sociedade que buscava o desenvolvimento nacional soberano com medidas socialistas – o presidente colombiano enfatizou que esta aliança se consolidou “após o assassinato de Salvador Allende e de 10.000 membros da Unidade Popular no Chile”.
“ALIANÇA ENTRE A EXTREMA-DIREITA E O NEOLIBERALISMO”
“A aliança entre a extrema-direita latino-americana e o neoliberalismo”, registrou o líder colombiano, é “uma aliança que caminha rumo ao fascismo do livre-comércio, exilou pelo menos um milhão de latino-americanos e fez desaparecer e assassinar cerca de cem mil ativistas de esquerda”. “Mais de 20 milhões de soviéticos foram assassinados pelo exército nazista de Hitler na URSS. Mais de 50 milhões de europeus morreram lutando contra os nazistas e o fascismo em geral”, acrescentou.
Infelizmente, disse Petro, o perigo do fascismo não é coisa do passado, uma vez que “os desdobramentos de Hitler estão crescendo no mundo hoje”, citando “o bombardeio de Gaza” e o assassinato de milhares de crianças e bebês.
Em relação às atrocidades cometidas na Colômbia, o presidente indicou que “são delinquentes criminosos contra a humanidade e assim devem ser tratados”, pois “querem que a extrema direita: o fascismo, governe porque sabem que com eles fazem seus negócios de cocaína e ouro ilícito”. “Quero que o povo caucano se liberte desta máfia, detritos da violência”, declarou Petro, que também defendeu o histórico de seu governo no combate ao narcotráfico.
As autoridades colombianas responsabilizaram a autoria dos ataques a dissidentes das extintas FARC, a quem atribuíram pelo menos oito investidas. Diante da ofensiva militar do governo Petro no Cauca e na fronteira com o Valle do Cauca, salientou o comandante das Forças Armadas, Hugo Alejandro López Barreto, “esses criminosos estão recorrendo ao terrorismo em uma tentativa desesperada de aliviar a pressão”.
“Vamos fortalecer nossa presença com tecnologia adicional para vigilância e prevenção”, afiançou o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, para quem os atentados contra civis “comprovam a fraqueza e a covardia” dos dissidentes. “Fortaleceremos nossa presença com tecnologia adicional para vigilância e prevenção”, finalizou.











