“Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, afirma Ricardo Alban, presidente da entidade
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BCB) de reduzir em 0,25 ponto percentual (p.p) a taxa básica de juros, de 14,75% para 14,50%, nesta quarta-feira (29) foi condenada pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban. “É insuficiente e piora endividamento das famílias e das empresas”, avalia a CNI
Para Alban, o Banco Central precisa intensificar os cortes na Selic.“Uma taxa de juros mais baixa deixou de ser apenas desejável e passou a ser essencial para recuperamos a produtividade e o bem-estar da população brasileira”, afirma Ricardo Alban. “O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”.
De acordo com a CNI, o Brasil está menos exposto ao choque de oferta do petróleo decorrente da agressão dos Estados Unidos ao Irã. “Nem mesmo a volatilidade nos preços do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio justifica a cautela excessiva do BCB em relação ao ciclo de cortes da Selic, postura que sufoca ainda mais a economia”.
“A alta dos preços do petróleo pode pressionar a inflação doméstica temporariamente, mas também gera forte entrada de divisas, permitindo que o governo adote medidas para minimizar os efeitos da alta dos combustíveis”.
A projeção da CNI é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai fechar 2026 dentro do intervalo de tolerância da meta, cujo teto é fixado em 4,5%. Com a Selic nas alturas, o juro real fica em 10%, o segundo maior do planeta.
“A manutenção da Selic em patamar elevado tem feito o endividamento corporativo e a inadimplência atingirem níveis jamais vistos, prejudicando, sobretudo, micro e pequenas empresas”, ressalta em nota a CNI. “Os pedidos de recuperação judicial também batem recorde histórico, evidenciando que o alto custo financeiro prejudica a sustentabilidade operacional das companhias. A saúde financeira das famílias também se agravou nos últimos meses, com endividamento elevado e inadimplência crescente”.
“As consequências para a economia são claras: menor capacidade de investimento do setor produtivo e menor poder de compra das pessoas físicas”, afirma.











