Taxa a 14,50% mantém os juros reais do Brasil entre os maiores do mundo, elevando a inadimplência e endividamento das famílias, inviabilizando investimentos produtivos e travando a economia
O Conselho de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) voltou a frustrar o país, ao decidir por reduzir o nível da Selic em míseros 0,25 ponto porcentual nesta quarta-feira (29). Com o corte, a Selic caiu dos 14,75% para 14,50% ao ano, o que mantém o Brasil com a segunda maior taxa de juros reais do planeta, 10% a.a., após o desconto da inflação projetada para os próximos 12 meses.
O perverso juro alto do BC segue elevando os indicadores de endividamento e inadimplência das famílias, impossibilitadas de renegociarem suas dívidas a juros mais baratos e impedindo os investimentos do setor produtivo.
“O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, afirma Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria, ao considerar que a redução de 0,25 p.p. é “insuficiente”.
Em março deste ano, a taxa média de juros no crédito livre às pessoas físicas atingiu 61,5% segundo números do BC. No mês, os juros do cartão de crédito rotativo chegaram a quase 430% ao ano. Com esse cenário, o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 29,7%.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) revela que mais de 80% das famílias estavam endividadas em março deste ano. Sendo que destes, quase 30% afirmavam que não estavam conseguindo pagar as suas contas – ou seja, estavam inadimplentes – tendo seus CPFs negativados. Já o indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil aponta que em março 74,31 milhões de brasileiros estavam inadimplentes.
Por isso toda e qualquer ação do governo Lula para a melhora do poder de compra é bem-vinda, como no caso da nova versão do programa “Desenrola”, que renegocia dívidas com juros baixos e descontos de até 90%.
Contudo, a Selic mantida em níveis proibitivos sabota este esforço ao seguir alimentando a inadimplência no país. Nesse sentido, torna-se imperativo que o BC promova reduções mais expressivas na taxa nominal de juros, não apenas pela questão do endividamento, mas também para reinserir o Brasil em uma trajetória de crescimento econômico que resulte em melhorias efetivas no bem-estar da população.
O trabalhador brasileiro vem perdendo o seu poder de compra em uma economia que se desaquece fortemente, devido à queda dos investimentos e do baixo consumo, que são também frutos dos juros nas alturas.
No caso da indústria, que é mais sensível aos juros, o Índice de Confiança do Empresário apresentou em abril de 2026 os piores resultados desde junho de 2020. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a confiança da indústria caiu em 19 dos 29 setores industriais considerados, em quatro das cinco regiões do Brasil e em todos os portes de empresas.
Baixa confiança significa freio nos investimentos em produção e cortes nos custos, principalmente em mão de obra. Nos dois primeiros meses deste ano, a produção física da indústria cresceu 3%, após acumular três meses de queda no final do ano passado. Porém, a produção de bens de capital recuou -12,5% entre janeiro e fevereiro, com queda igualmente de dois dígitos na grande maioria de seus componentes, segundo apuração feita pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Neste mesmo período, a produção de bens de consumo duráveis apresentou queda de -6,8%.











