A Guarda Revolucionária do Irã lançou um comunicado neste domingo (3) em defesa da proposta de paz apresentada por Teerã, frisando que, a partir de agora, “a margem de manobra dos Estados Unidos diminuiu significativamente”.
“Trump precisa escolher entre uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica do Irã”, afirmou o documento, ressaltando a necessidade de que as tropas estadunidenses suspendam o bloqueio aos portos iranianos, mas sem especificar um prazo para o cumprimento dessa exigência.
Segundo a agência de notícias Tasnim, o Irã, por meio do Paquistão como mediador, apresentou uma proposta de 14 pontos para encerrar definitivamente a guerra iniciada pelos EUA em 28 de fevereiro e terminou após um cessar-fogo prorrogado indefinidamente, com o objetivo de dar tempo para negociações de paz.
GARANTIAS DE NÃO AGRESSÃO, RETIRADA DAS TROPAS E LIBERTAÇÃO DOS ATIVOS
Entre os pontos incluídos na proposta estão garantias de não agressão, a retirada das tropas norte-americanas das proximidades do Irã, o fim do bloqueio naval, a liberação de ativos iranianos congelados, o pagamento de reparações, o levantamento das sanções e o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, bem como um novo mecanismo para o Estreito de Ormuz.
Desconsiderando o tsunami de protestos que sacode os EUA contra a sua política belicista, Trump limitou-se a dizer que iria “avaliar” a proposta de paz do governo persa, mas sem qualquer compromisso. “Em breve analisarei o plano que o Irã acabou de nos enviar, mas não consigo imaginar que seja aceitável”, declarou.
Disparando contra a diplomacia e o diálogo, Trump reiterou suas críticas e esbravejou de forma arrogante que o regime iraniano ainda não pagou “um preço suficientemente alto pelo que fez à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”.
O Irã e os Estados Unidos realizaram uma reunião de alto nível na capital do Paquistão, Islamabad, nos dias 11 e 12 de abril, mas não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim ao conflito. Desde então, não houve acordo para retomar as negociações; no entanto, a troca de mensagens continua.
Defendendo a retomada das negociações, o secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel, por trazerem risco à segurança internacional, já que apontam para o colapso da diplomacia, violam o Direito Internacional e a Carta da ONU. Além disso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) repudiou os ataques contra o Irã, que resultaram na demolição e danos irreparáveis a locais históricos e culturais – como o Palácio Golestan (patrimônio mundial) em Teerã, o Chehel Sotoun e a Mesquita Masjed-e Jāme -, além de inúmeras infraestruturas estratégicas.











