O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país defenderá sua soberania “em cada palmo do território nacional” diante da escalada de sanções e declarações de Donald Trump, que fala em “tomar o controle” da ilha e amplia pressão militar e econômica.
Em publicação nas redes sociais, no sábado (2), o líder cubano afirmou que “nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará a rendição de Cuba” e pediu que a comunidade internacional se posicione contra o que classificou como um possível “ato criminoso” motivado por interesses políticos e econômicos imperialistas.
A firme reação aconteceu após Trump reafirmar a intenção de “tomar o controle” da ilha, mencionando inclusive o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Caribe após as operações no Irã. Segundo o ocupante da Casa Branca, a estratégia busca pressionar Cuba até uma eventual rendição.
Paralelamente, a Casa Branca anunciou um novo pacote de sanções contra indivíduos e entidades ligadas ao aparato de segurança cubano, incluindo bloqueio de ativos e restrições financeiras. O secretário de Estado, Marco Rubio, justificou as medidas ao afirmar que Cuba atua como “patrocinadora do terrorismo” e mantém vínculos com serviços de inteligência de países adversários.
SANÇÕES “SÃO REPUDIÁVEIS E RIDÍCULAS”
O governo cubano reagiu com críticas contundentes. Em nota, a chancelaria afirmou que “Cuba não representa ameaça alguma para os Estados Unidos” e classificou as sanções como “repudiáveis e ridículas”. O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, chamou as medidas de “coercitivas unilaterais” e acusou Washington de impor uma “punição coletiva” ao povo cubano.
Rodríguez também afirmou que “as ações violam a Carta das Nações Unidas e não intimidarão o país”. Segundo ele, as recentes declarações e medidas dos EUA elevam as tensões a “níveis perigosos”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em mais um dos seus arroubos intervencionistas, já havia afirmado na sexta-feira (27) de março que, após as recentes agressões das tropas dos EUA contra a Venezuela e o Irã, “Cuba é a próxima” na lista. E voltou atrás por conta da forte reação internacional de repúdio.
Não se trata, porém, de um episódio isolado. Em 16 de maio do ano passado, Trump já havia classificado Cuba como uma “nação enfraquecida” e declarou que “tomar Cuba seria uma grande honra”. A repetição dessas ameaças expõe uma linha de pensamento que mostra as práticas históricas de invasão e ingerência dos Estados Unidos na região.
EUA DEVEM RESPEITAR SOBERANIA DE CUBA
A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), organização internacional de integração regional formada por Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Equador, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Granada e a Federação de São Cristóvão e Névis, expressou sua condenação às ameaças feitas pelo governo dos EUA contra Cuba, em um contexto regional “marcado por crescentes tensões que comprometem a paz e a estabilidade da América Latina e do Caribe”.
“A ALBA apela à comunidade internacional para que se oponha resolutamente à ameaça ou ao uso da força contra a República de Cuba. Da mesma forma, a Aliança Bolivariana insta o governo dos Estados Unidos a priorizar o diálogo respeitoso, em condições de igualdade, sem ameaças ou condições, em plena observância da Carta das Nações Unidas e com respeito à soberania e independência de Cuba”, afirma o comunicado divulgado neste sábado (2).











