Recusa saudita ao uso de seu espaço aéreo para provocação em Ormuz forçou Trump a recuar, diz NBC

Base aérea saudita, de Príncipe Sultan, que servia aos EUA, quando atingida por ataque iraniano (Redes Sociais)

Iranianos fizeram a sua parte na hidrovia com drones, mísseis e embarcações velozes, barrando o caminho aos piratas de Washington

Segundo a emissora norte-americana NBC News, a recusa da Arábia Saudita em permitir à aviação norte-americana o uso da Base Aérea Prince Sultan, ou ceder o espaço aéreo, para o “Projeto Liberdade” de escolta armada no Estreito de Ormuz, pesou decisivamente no súbito recuo do presidente Trump da provocação, 48 horas depois de postar seu início.

O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o comércio internacional, por onde passa 20% do petróleo e gás, 30% dos fertilizantes e o gás hélio para produção de chips. Após a agressão EUA-Israel, as forças iranianas assumiram o controle da hidrovia e seguem exigindo o fim do bloqueio naval norte-americano.

A outra razão para o recuo foi a dura retaliação iraniana com drones, mísseis e embarcações rápidas, forçando a Marinha dos EUA retroceder. A Base Prince Sultan fica a sudeste da capital saudita, Riad.

A recusa foi revelada à NBC News por duas fontes sob anonimato. Uma ligação entre Trump e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman não resolveu a questão, disseram os dois oficiais americanos, forçando o presidente a pausar o Projeto Liberdade para restaurar o acesso militar dos EUA ao espaço aéreo crítico.

Agências de notícias apontaram outros aliados próximos do Golfo também foram pegos de surpresa, pela própria operação e depois pelo recuo; Trump conversou com líderes no Catar depois que a provocação já havia começado.

Ainda segundo a NBC, também o Kuwait cortou acesso, bases e sobrevoo (ABO). A decisão saudita (e a do Kuwait) demonstra não ser de interesse deles reescalar a guerra. O que os tornaria os primeiros alvos da resposta iraniana em caso de qualquer novo bombardeio EUA-Israel ao Irã.

As agências de notícias também observaram que o tráfego aéreo militar dos EUA na região na quarta-feira foi também interrompido abruptamente.

Nas últimas 24 horas, aeronaves militares americanas no ar pela região colapsaram — de mais de 27 ontem para apenas 7 agora. Todos os aviões-cisterna e logísticos: C-17 Globemasters, um C-5M Super Galaxy e KC-135 Stratotankers fazendo o trajeto entre Ramstein, Spangdahlem, Tel Aviv, Abu Dhabi e Al Udeid escassearam.

Nas últimas semanas, a propaganda israelense vinha alegando que seriam os árabes do Golfo que estariam pressionando por mais guerra contra o Irã. O que pode ser verdade para os Emirados, que embarcaram de mala e cuia nos “Acordos de Abraão” com Israel e Trump, e chegaram a ser chamados de “ninho sionista” em comunicado iraniano de advertência aos aventureiros.  

O Irã desmentiu ter atacado o porto de Fujairah dos Emirados, havendo até quem acredite que haja sido uma rasteira intra-petromonarquias em decorrência da recente saída da Opep, para atender a sanha de Washington pelo controle dos mercados globais de energia, substrato do petrodólar e do “privilégio exorbitante”.

Em visita à China, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi conversou pelo telefone na quarta-feira com o seu homólogo saudita, o príncipe Faisan bin Farhan al Saud. Segundo o comunicado iraniano, as partes enfatizaram o caminho da diplomacia e cooperação dos países da região para evitar a ocorrência e escalada de tensões. Foi a China que mediou, em 2023, a retomada das relações diplomáticas entre Irã e Arábia Saudita, rompidas então há sete anos.

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