Demanda por bens industriais perdeu força por conta da elevação da taxa de juros, segundo a entidade. No primeiro trimestre, o setor acumula queda de 4,8% frente ao mesmo período do ano passado
Dados da pesquisa Indicadores Industriais divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a indústria de transformação brasileira voltou a reagir em março após sequências de meses em queda.
O faturamento do setor subiu 3,8% em relação a fevereiro, garantindo um primeiro trimestre do ano 9,8% acima do patamar de dezembro de 2025. Apesar da alta, o faturamento do setor acumula queda de 4,8%, frente ao 1º trimestre do ano passado.
“De lá para cá, a demanda por bens industriais começou a perder força por conta da elevação da taxa de juros, que teve início no fim de 2024 e persistiu em 2025, contribuindo para a queda do faturamento na comparação interanual”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, ao divulgar a pesquisa na sexta-feira (8).
A redução de apenas meio ponto percentual nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central este ano, de acordo com o presidente da CNI, Ricardo Alban, é insuficiente para recuperar o estrago feito pelos juros elevados sobre a economia. A Selic permanece em 14,50% ao ano, com o segundo juro real (descontada a inflação) mais alto do planeta, comprometendo a produção, investimentos, a demanda por bens industriais e a geração de emprego.
Pela quinta vez em sete meses, o emprego industrial recuou. Entre fevereiro e março, a abertura de vagas caiu 0,3%. Com isso, os postos de trabalho do setor acumulam queda de 0,7% no 1º trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025.
A massa salarial caiu 2,4% em março. No primeiro trinestre deste ano, a soma dos rendimentos pagos aos trabalhadores ficou 0,8% acima do registrado no mesmo período do ano passado. O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria recuou 1,8% em março e encerrou o 1º trimestre 1,5% acima do mesmo período de 2025.
O número de horas trabalhadas na produção aumentou 1,4% ante fevereiro. Os dois meses anteriores também registraram variação positiva, mas esta sequência reverte apenas parte das perdas acumuladas desde a segunda metade de 2025.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) cresceu 0,3 ponto percentual, passando de 77,5% para 77,8%, entre fevereiro e março, porém segue abaixo do observado no mesmo período do ano passado.
“Isso mostra que há certa ociosidade na indústria. Ou seja, há maquinário e pessoal, mas o setor vem produzindo menos do que pode por conta de uma demanda mais fraca”, diz Marcelo Azevedo.











