Haddad culpa privatização da Sabesp por explosão que matou uma pessoa no Jaguaré

Fernando Haddad em evento na Fundação FHC - Foto: Vinicius Doti/Fundação FHC

Fernando Haddad (PT) responsabilizou a privatização da Sabesp, conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), pela explosão ocorrida no bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, que deixou uma pessoa morta, três feridas e cerca de 160 afetadas. Em publicação nas redes sociais, o ministro da Fazenda associou a tragédia à gestão da companhia após a desestatização promovida pelo governo paulista.

“Falta d’água, água suja, aumento das reclamações e das tarifas”, escreveu Haddad ao comentar o episódio. A declaração aumenta a pressão política sobre Tarcísio em meio às críticas relacionadas ao desempenho da Sabesp após a privatização.

A explosão aconteceu na segunda-feira (11), durante uma obra de remanejamento de tubulação realizada pela companhia no Jaguaré. Segundo a própria Sabesp, “o acidente ocorreu durante uma obra de remanejamento da tubulação de água, quando uma rede de gás foi atingida”.

“Nos últimos dias, uma explosão em uma obra da Sabesp, no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo, infelizmente causou prejuízos e morte. O fato é muito grave, mas precisa ser tratado com serenidade e apurado com rigor”, declarou.

“Poucos dias antes do acontecido, uma reportagem do UOL mostrou o tamanho da falta de compromisso da empresa privatizada com a vida dos seus clientes, com torneiras secas e falta de cuidado com a água de consumo da população”, afirmou.

Haddad destacou ainda o aumento das reclamações contra a companhia desde a desestatização. “A reportagem mostra também que, depois da privatização, as reclamações contra a Sabesp subiram 70%”, disse. Em seguida, criticou o crescimento do lucro da empresa no mesmo período. “Você sabe o que subiu também? O lucro da empresa, que cresceu mais de 30%. Esse é o resultado da privatização promovida pelo Tarcísio. Beneficia quem compra a empresa e prejudica a população.”

A Defensoria Pública de São Paulo informou que a perfuração feita pela empresa atingiu uma tubulação da Comgás. O órgão confirmou uma morte, três feridos e cerca de 160 pessoas impactadas pela explosão. Pelo menos 46 imóveis atingidos estão passando por avaliação técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

O episódio ampliou o desgaste do governo Tarcísio em torno da Sabesp privatizada. Antes da venda da companhia, o governador havia afirmado que “não vai ter apagão de água em SP”, mas bairros da capital e cidades da Grande São Paulo passaram a registrar problemas de abastecimento após a mudança no controle da empresa.

Diante da crise hídrica e do aumento das reclamações, o governo paulista anunciou medidas emergenciais em um plano da Sabesp que prevê investimento de R$ 3,8 bilhões para tentar conter a falta de água. A iniciativa foi interpretada como reflexo da pressão crescente sobre o Palácio dos Bandeirantes.

A privatização da Sabesp foi concluída em 23 de julho de 2024, em operação conduzida pelo governo estadual. Segundo a gestão paulista, a negociação arrecadou R$ 14,7 bilhões. A Equatorial entrou como investidora de referência ao apresentar proposta de R$ 6,9 bilhões por 15% da companhia.

Na ocasião, Tarcísio afirmou que a desestatização permitiria antecipar as metas de universalização do saneamento de 2033 para 2029 e também reduzir tarifas. As críticas de Haddad contrapõem essas promessas ao cenário atual, marcado por falhas no abastecimento, aumento das tarifas, crescimento das reclamações e acidentes envolvendo a empresa.

Após a explosão, Tarcísio declarou ter convocado uma reunião com as empresas envolvidas e afirmou que os moradores prejudicados terão os danos ressarcidos, além da recuperação das residências atingidas. O governador também disse que a Arsesp foi acionada para investigar responsabilidades e possíveis sanções.

A Defensoria Pública informou ainda que acompanha o atendimento às famílias atingidas em uma força-tarefa conjunta com o Ministério Público de São Paulo. Segundo o órgão, a atuação busca garantir acolhimento, orientação jurídica e acesso à Justiça para os moradores afetados.

As causas da explosão e a definição formal das responsabilidades ainda dependem da conclusão das investigações conduzidas pelas autoridades competentes.

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