Bombardeio de Netanyahu mata “sem qualquer aviso prévio” um casal, três filhos, o irmão do pai, a avó e um neto de seis meses. “Todos eles se foram”, gritaram os parentes
Centenas de pessoas se reuniram no domingo (10) para lamentar a morte de pelo menos oito membros de uma família libanesa deslocada, assassinada um dia antes, “sem qualquer aviso prévio”, por um bombardeio aéreo israelense ao prédio onde estava abrigada na cidade costeira de Sidon.
Em um ato comovente no cemitério, parentes, amigos e vizinhos se abraçaram e choraram vestidos de preto, rezando pela família falecida, que contava entre os mortos com um casal, três filhos, o irmão do pai, a avó e um neto de 6 meses. “Eles se foram. Todos se foram”, gritaram os parentes sobreviventes enquanto viam as ambulâncias levarem seus corpos.
Integrante da família, Jaafar Bahja, de 25 anos, disse que começou a ligar e mandar mensagens repetidamente para os familiares no sábado (9), logo depois de ser informado dos ataques. No funeral, ele ficou olhando as ligações não atendidas no celular. “Não consigo acreditar que eles foram mortos”, disse Bahja, assistindo a vídeos da família enquanto estava reunida em sua casa, bebendo chá e fumando narguilé.
Conforme o Ministério da Saúde libanês, desde o pretenso anúncio do cessar-fogo mais de 450 pessoas foram mortas por Israel no Líbano.
ISRAEL MENTE SOBRE “CESSAR-FOGO”
As forças armadas israelenses haviam emitido alertas de evacuação para diversas cidades e vilarejos no sul do Líbano, mas a cidade de Saksakiyeh, onde a família foi morta, não estava entre elas.
Como é de praxe, as tropas de Netanyahu alegaram ter “atacado militantes do Hezbollah”, grupo militante político e militar que luta pela libertação nacional, apoiado pelo Irã, que pretensamente operava na região, “a partir de um prédio usado para fins militares”. Foi o pretexto para o banho de sangue. Sem fornecer mais nenhum detalhe, Israel disse ter ouvido relatos de vítimas civis da estrutura atingida e que a “situação estava sendo investigada”.
Conforme o New York Times, “alguns choravam e se agarravam aos corpos, que estavam cobertos com um pano verde e salpicados de flores”. “Eles os beijavam e abraçavam antes que os socorristas levassem os corpos para o sepultamento em sua cidade natal, Jibchit, que também havia sido atacada no início do domingo”, acrescentou a Agência Nacional de Notícias do Líbano.
Uma trégua alcançada há cerca de um mês interrompeu a guerra intermitente entre Israel e o Hezbollah, mas uma nova escalada do governo Netanyahu nos últimos dias elevou a tensão, quando os israelenses intensificaram sua campanha de bombardeios ao bairro de Dahiya, na periferia sul da capital, Beirute. Conforme fontes de Tel Aviv, neste ataque teria sido morto um comandante sênior do Hezbollah.
No domingo, ataques aéreos israelenses contra a cidade de Bedias mataram pelo menos uma pessoa e feriram 13, incluindo seis crianças, informou a agência de notícias libanesa. Dois paramédicos também foram mortos pelas tropas israelenses e outros cinco ficaram feridos em duas cidades no sul do Líbano, registrou o Ministério da Saúde. Os forças israelenses não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre o assassinato dos paramédicos.











