“Aspiramos que o Peru industrialize a agricultura, que promova uma segunda revolução agrária para garantir a segurança alimentar e vencer a anemia e a desnutrição”, assinalou Roberto Sánchez, que disputará o segundo turno das eleições presidenciais em 7 de junho
Após mais de um mês de apuração, ficou definido que o deputado e líder da Juntos pelo Peru, Roberto Sánchez, disputará o segundo turno das eleições presidenciais de 7 de junho contra a fascista Keiko, filha e herdeira de Alberto Fujimori (1990-2000), que tentará pela quarta vez perpetuar os crimes cometidos contra os direitos humanos pelo seu pai.
“Este é o governo dos fujimoristas e da corrupção que vamos derrotar com a luta do nosso povo”, afirmou Sánchez durante um comício realizado na cooperativa açucareira Andahuasi, ao norte de Lima. De acordo com o candidato das forças progressistas, Keiko é responsável pela “corrupção enraizada” e conclamou os líderes populares “para compartilhar as lutas e as esperanças, abraçando as lutas do povo como nossas”.
“Conhecemos muito bem as lutas do povo e aspiramos que o Peru industrialize a agricultura, que promova uma segunda revolução agrária, uma revolução para garantir a segurança alimentar e vencer a anemia e a desnutrição”, sublinhou o parlamentar. Sánchez condenou o fato de que o Estado peruano “só legisla para os poderosos, só oferece benefícios, incentivos e facilidades para as grandes empresas”.
O líder das forças progressistas disse que é chegada a hora de mudar esta lógica, com os trabalhadores não estendendo a mão tão somente para receber isenções fiscais, mas ter “o direito de serem acionistas, proprietários, empreendedores com visão nacionalista e geradores de emprego e desenvolvimento humano”.
O candidato cumprimentou os membros da cooperativa Andahuasi porque “há mais de 40 anos eles demonstram que os agricultores também são capazes de ser empresários honestos, que não pervertem a justiça e que se comprometem com o investimento sem recorrer a paraísos fiscais”.
O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) concluiu a apuração dos votos das eleições gerais de 12 de abril somente nesta sexta-feira, confirmando que Keiko obteve 17,18% dos votos válidos (2.877.678), enquanto Sánchez conquistou 12,03%, recebendo (2.015.114). A disputa pelo segundo lugar com o candidato de extrema-direita Rafael López Aliaga foi acirrada, já que ele obteve 11,90%, totalizando 1.993.904 votos, uma margem de somente 21.210 votos.
DOIS PROJETOS DE PAÍS
Filha do sanguinário ditador Alberto Fujimori (1990-2000), responsável por inúmeros crimes contra os direitos humanos, Keiko é um protótipo made in USA, prometendo atrelar seu país a Donald Trump e banir os imigrantes que, segundo ela, infestam a sociedade.
Administradora graduada nos Estados Unidos, a fascista alega que vai atrair investimentos de transnacionais norte-americanas e integrar governos de ultradireita que se somam ao “Escudo das Américas”, ampliando desta forma a submissão à Casa Branca.
Não se dispondo a transformar o seu país em marionete do estrangeiro, Roberto Sánchez exibe um modelo nacional de desenvolvimento, com industrialização, priorizando o fortalecimento do mercado interno.
Desta forma, enquanto Sánchez propõe um modelo que fortalece o papel do Estado por meio de maiores investimentos públicos e foco na inclusão social, Keiko Fujimori prioriza as daninhas “parcerias” público-privadas – geridas pelo grande capital – e a chamada “produtividade” do mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo enquanto o candidato progressista defende a realização de reformas estruturais no sistema judiciário e participação comunitária, a ultradireitista quer “tolerância zero” com a juventude e construção de megaprisões.
De acordo com Keiko, “a América Latina está girando para uma corrente na qual se prioriza a liberdade, os investimentos e recuperar o controle e a segurança”. Por isso aplaude nomes ridicularizados por seus desgovernos neoliberais como Javier Milei, Daniel Noboa e Rodrigo Paz. “Faltam Colômbia e Peru”, acrescentou.
A FICHA CORRIDA DE UM PSICOPATA
Alberto Fujimori foi condenado em 2009 a 25 anos de prisão como autor de inúmeros “crimes contra a humanidade”, entre os quais incursões ilegais e massacres perpetrados pelo esquadrão da morte paramilitar Grupo Colina. Entre os casos comprovados estão o de Barrios Altos, em 1991, com o assassinato de 15 pessoas, incluindo um menino de 8 anos, durante uma festa; La Cantuta, em 1992, com o sequestro e a execução de nove estudantes e um professor da Universidade Enrique Guzmán y Valle; e sequestros qualificados como os do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer.
Entre as muitas violações dos direitos humanos, Fujimori foi condenado por “diversos crimes de corrupção, incluindo peculato, falsificação de documentos, usurpação de cargos e o pagamento ilegal de milhões de dólares em fundos públicos ao seu ex-assessor Vladimiro Montesinos”. O fascista também enfrentou investigações sobre as “esterilizações forçadas” ocorridas durante sua presidência.
Após anos de disputas judiciais entre o mais do que corrupto sistema judiciário peruano e decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Fujimori foi vergonhosamente libertado da prisão em dezembro de 2023. Posteriormente, o ex-presidente faleceu em setembro de 2024 sem ter pago indenizações civis ao Estado ou pedido desculpas às famílias das vítimas.











