OMS declara emergência internacional no Congo e Uganda por surto de ebola

Ainda não há vacinas para a variante Bundibugyo do vírus ebola, afirma a autoridade sanitária (Gettyimages/Luke Dray)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou  “emergência de saúde pública de importância internacional”, neste sábado (16), devido a um surto do vírus bundibugyo, uma variante do ebola, na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Esta variedade altamente contagiosa é transmitida por fluidos corporais.

Segundo a OMS, o evento atende aos critérios previstos no Regulamento Sanitário Internacional de 2005 para a classificação de emergência internacional. Até agora não existem vacinas nem tratamentos autorizados para tratar dessa variante.

A decisão foi tomada após consultas com os governos da RDC e de Uganda. A entidade informou que avaliou dados fornecidos pelos dois países, evidências científicas disponíveis e o risco de propagação internacional da doença.

Por enquanto, a situação não atende aos critérios de “emergência pandêmica”, conforme a definição do Regulamento Sanitário Internacional, esclareceu a OMS, que alertou para o “alto risco de uma maior propagação” do vírus nos países vizinhos que compartilham fronteira terrestre com a RDC, onde, até 16 de maio, foram confirmados 8 casos da doença, ao mesmo tempo em que foram registrados 246 casos suspeitos e 80 mortes por suspeita da mesma causa.

SURTO COLOCA TODA A REGIÃO EM ALERTA

Este já é o décimo sétimo surto no país desde que o ebola surgiu pela primeira vez em 1976. O surto, que já se espalhou para a vizinha Uganda, colocou toda a região em alerta.

A organização também confirmou dois casos em Kampala, capital de Uganda, entre sexta-feira (15) e este sábado (16). Um dos pacientes morreu. Segundo a OMS, os dois indivíduos haviam viajado da RDC e não apresentavam ligação epidemiológica aparente.

Ainda neste sábado, foi confirmado um caso em Kinshasa, capital da RDC, em uma pessoa que retornava da província de Ituri.

A OMS reconheceu que a magnitude da propagação do vírus pode ser “muito maior” do que os dados disponíveis indicam.

“No momento, há muita incerteza quanto ao número real de pessoas infectadas e à propagação geográfica associada a este surto. O conhecimento das ligações epidemiológicas com os casos confirmados ou suspeitos é limitado”, afirmou a organização.

“Além disso, a falta crônica de segurança, a crise humanitária, a elevada mobilidade da população, o caráter urbano ou semiurbano do atual foco da epidemia e a ampla rede de centros de saúde informais agravam ainda mais o risco de propagação, tal como observado durante a grande epidemia da doença causada pelo vírus Ebola nas províncias de Kivu do Norte e Ituri [RDC] em 2018-2019″, acrescentou.

A elevada taxa de resultados positivos nas amostras iniciais coletadas, o aumento de casos suspeitos com sintomas e o número de mortes “apontam para um surto potencialmente muito maior do que o que está sendo detectado e notificado atualmente, com um risco significativo de propagação em nível local e regional”, alertou a organização.

DESAFIOS PARA PREPARAR RESPOSTA RÁPIDA

Embora a Congo tenha experiência em lidar com surtos de ebola, ela frequentemente enfrenta desafios logísticos para levar profissionais de saúde e os suprimentos necessários às regiões afetadas, sendo o segundo maior país da África em área territorial.

A OMS também recomendou triagem em aeroportos, portos e fronteiras terrestres, além de restrições de viagem para casos confirmados, suspeitos e contatos monitorados.

Para países vizinhos da RD do Congo, a entidade pediu reforço imediato da preparação sanitária, ampliação da vigilância em áreas fronteiriças e criação de equipes de resposta rápida.

A organização afirmou ainda que nenhum país deve fechar fronteiras ou impor restrições ao comércio e ao transporte internacional, argumentando que esse tipo de medida “não tem base na ciência” e pode favorecer deslocamentos irregulares não monitorados.

Segundo a OMS, países considerados em risco devem preparar mecanismos para aprovar terapias experimentais e reforçar ações de comunicação com a população sobre formas de prevenção e identificação da doença.

Até o momento, apenas 13 amostras de sangue foram analisadas no Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, das quais 8 deram positivo para a cepa de Bundibugyo. As 5 restantes não foram conclusivas devido ao volume insuficiente das amostras, informou o ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *