“Condeno a agressão ao Irã e Palestina e quero que Trump respeite o Brasil”, diz Lula ao Washington Post

O presidente Lula quer respeito ao Brasil (Foto: Ricardo Stuckert)

Entrevista foi neste domingo (17) e o presidente brasileiro afirmou que boas relações com os EUA podem colocar fim às tarifas e trazer melhores alternativas para os dois países

O presidente Lula afirmou neste domingo (17), em entrevista ao jornal norte-americano Washington Post, que o Brasil não concorda com as coisas que Trump está fazendo e não quer novas tarifas impostas ao país pelo governo americano.

“Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está acontecendo na Palestina”, disse o presidente à publicação.

“Mas, minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito aqui”, prosseguiu.

Segundo a reportagem, Lula também afirmou que acredita que uma relação cordial com o chefe da Casa Branca pode contribuir para atrair investimentos americanos para o Brasil e garantir o respeito à democracia. No entanto, destacou Lula, o governo brasileiro não pretende se curvar às determinações dos Estados Unidos.

Até mesmo o jornal americano percebeu a diferença de comportamento de Lula e de Jair Bolsonaro, considerado um político servil pela publicação. O jornal classificou como uma “mudança drástica” em comparação à postura do antecessor dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que mantinha um alinhamento mais declarado a Trump.

“Eu jamais pediria a Trump para não gostar de Bolsonaro. Isso é problema dele”, disse Lula. “Não preciso fazer nenhum esforço para que ele saiba que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso”, acrescentou.

O presidente defendeu que quer que Washington trate a América Latina como uma parceira, não como um alvo. Citou a defesa do Brasil para que o governo norte-americano retire as sanções sobre Cuba e não repita interferências como a da Venezuela, em que Nicolás Maduro foi capturado.

“A China descobriu e entrou na América Latina”, disse ele. “Hoje, meu comércio com a China é o dobro do meu comércio com os Estados Unidos. E essa não é a preferência do Brasil.” “Se os Estados Unidos quiserem passar para a frente da fila”, declarou, “ótimo. Mas eles precisam querer isso.”

Lula falou ainda sobre o avanço a extrema-direita no mundo. “A democracia falhou quando parou de responder às aspirações mais básicas das pessoas. Líderes democráticos devem entregar resultados concretos antes que os movimentos antissistema se fortaleçam”. Segundo ele, “qualquer idiota que se posiciona contra o sistema recebe aplausos”.

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