Estudantes reforçam campanha de solidariedade a Mohamed Bouchana, preso político saarauí

Guilherme Lima, diretor de Cultura da UMES; Artur Vedovelli, tesoureiro; Ibtissam Wiklandoour, esposa de Mohamed; e Luna Martins, presidente (LWS)

A direção da UMES de São Paulo manifestou apoio à imediata libertação do jovem detido injustamente desde janeiro no aeroporto de Guarulhos a pedido da monarquia do Marrocos

A Mostra Contos de Resistência da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (UMES) deste sábado (16) iniciou com uma entusiástica manifestação de solidariedade ao preso político saarauí Mohamed Bouchana, detido injustamente desde o dia 27 de janeiro, a pedido da monarquia do Marrocos, no aeroporto internacional de Guarulhos.

“Como esta é uma mostra que conta da resistência do povo negro, gostaria de falar sobre a República Árabe Saarauí Democrática (RASD), que vive uma situação muito parecida com a Palestina, de ocupação do território. Assim como a de Israel, há uma dominação truculenta do Marrocos”, afirmou o diretor de Cultura da UMES, Guilherme Lima.

Saudando a presença da jovem Ibtissam Wiklandoour, esposa de Mohamed, Guilherme conclamou todos a se somarem à luta anticolonial do povo saarauí, ocupado ilegalmente pelo Marrocos desde 1975.

O fato é que apesar de ter enfrentado ao longo de toda sua vida inúmeras perseguições e torturas por sua atuação independentista, Mohamed não era acusado de nenhum outro “crime” além da sua militância por direitos humanos. Obteve um passaporte de forma legal, emitido pelo próprio governo marroquino, que lhe foi entregue enquanto vivia na vizinha Mauritânia. Passou pelos aeroportos internacionais da Mauritânia, Tunísia, Dubai e Etiópia até que chegaram a Guarulhos e foram surpreendidos pelo “alerta vermelho” lançado contra Mohamed.

Depois de meses detido na área restrita no aeroporto de Guarulhos, o ativista foi enviado para a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Na solicitação de asilo, frente aos riscos que Mohamed Bouchana está exposto, os advogados apontam que “ele tem sido colaborador da organização política Coordination Kdim Izik, fundada no intuito de promover a defesa do direito de autodeterminação e reivindicação da soberania do povo saarauí”. “Mohamed participou de manifestações pela causa pró-saaraui, como se certifica em provas fotográficas. Sofreu, no ano de 2010 e ainda menor de idade, represálias e a prisão ilegal por exercer a liberdade de se manifestar contra a ocupação de Marrocos em território saarauí”, sublinham.

“A ÚLTIMA COLÔNIA DA ÁFRICA”

“O centro da disputa são as enormes riquezas do território do Saara Ocidental, a última colônia da África: o fosfato, a pesca, as terras férteis para produção de legumes, frutas e verduras gourmet, os diversos minerais. Ocupação é sinônimo de pilhagem”, declarou a professora Monica Fonseca Severo.

Integrando uma brigada de solidariedade ao povo saarauí, em novembro de 2025, Monica relatou ter “visto de perto as dificuldades da justa resistência do povo do deserto. Dos campos de refugiados, em meio a enormes carências,  parte a luta armada. Quem vive nos territórios ocupados enfrenta todos os dias a violência pelo menor protesto: carregar uma bandeira da RASD pode significar o sequestro e desaparição”.

A ocupação marroquina conta com assessoria do Mossad (“operações especiais” israelense), da máquina de guerra dos Estados Unidos e mercenários. “A monarquia marroquina construiu o maior muro de segregação do planeta, 2.750 quilômetros, com os mais modernos radares, campos minados e um exército de 150 mil soldados. Mesmo assim, os bravos combatentes saarauís conquistam expressivas vitórias nos campos de batalha”, lembrou Monica. “Falta agora fazermos cumprir as resoluções das Nações Unidas, das cortes internacionais e respeitar a soberania e a autodeterminação do povo”, concluiu.

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