Realmente, a roubalheira já é de domínio público. O áudio pedindo propina de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro e a visita ao banqueiro em São Paulo no dia seguinte a sua saída da prisão dizem tudo
Mergulhado num oceano de escândalos talvez nunca visto na história política brasileira, o senador Flávio Bolsonaro bradou nesta quinta-feira (21) da tribuna da Câmara, batendo na mesa, que não tem nada a esconder. A primeira coisa que veio à cabeça dos presentes foi “imaginem se tivesse”.
O que o senador fez até agora foi mentir o tempo todo. Ele escondeu do Brasil inteiro que pediu R$ 134 milhões ao banqueiro ladrão, Daniel Vorcaro. Dizia que não conhecia e nunca tinha conversado com o dono do Banco Master e foi flagrado num áudio pedindo o dinheiro ao banqueiro. Foi um escândalo. Ficou completamente desmoralizado.
Numa entrevista na TV, logo assim que saiu o áudio, ele foi obrigado a admitir que havia mentido. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual?”, indagou. “Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, disse o pré-candidato, justificando ter enganado o país. Segundo o senador, o contato com Vorcaro era “exclusivamente” para tratar do projeto audiovisual e negou irregularidade na relação. Outra mentira. A PF já investiga os destinos do dinheiro tirado do Brasil.
Realmente ele não tem muito a esconder depois destas revelações bombásticas. Mas o pior é que mesmo assim apareceu mais coisa. Mais falcatruas que estavam escondidas. Ele viajou para São Paulo – com dinheiro público – para visitar o banqueiro que estava de tornozeleira eletrônica após ter passado dez dias na prisão. Com essa notícia, a versão de que ele não sabia dos crimes de Vorcaro também caiu por terra.
A nova notícia de mais um encontro com o banqueiro, vazada por um deputado bolsoarista provocou a ira de Eduardo Bolsonaro que chamou o parlamentar que vazou de “FDP”. A revelação apareceu no mesmo dia em que Flávio estava sendo cobrado por deputados e senadores sobre a primeira conversa com o banqueiro. Com a nova bomba, ele foi obrigado a admitir o novo encontro ao final da reunião. A confissão provocou espanto e mais indignação entre os aliados.
Bastante desacreditado, Flávio Bolsonaro saiu atirando para todo lado nesta quinta-feira (21) na Câmara dos Deputados. “É necessária a instalação da CPMI do Master. Faço um desafio: quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados no banco da CPMI, explicando qual era a relação deles com Flávio Bolsonaro, Lula e Alexandre de Moraes. Porque eu não tenho nada a temer, nada a esconder”, declarou.
Nas primeiras tentativas de se explicar, o senador disse que pediu dinheiro para Vorcaro para custear o filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro e que não tinha nada de errado nisso. Nem no fato de ter mentido dizendo que não conhecia Vorcaro. Justificou a mentira inventando um inexistente contrato de confidencialidade com o banqueiro. Muitas perguntas ficaram sem resposta. Até agora ele não apresentou o tal contrato. Ninguém sabe onde foi parar o dinheiro dado por Vorcaro aos bolsonaros.
O irmão que fugiu para os EUA para conspirar contra o Brasil também se enrolou todo para explicar o destino do dinheiro. Eles criaram um fundo nos EUA que era gerenciado por seu advogado, Paulo Calixto. Entre os R$ 61 milhões que Vorcaro conseguiu mandar, mais a verba de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo e as emendas de bolsonaristas, mai de R$ 200 milhões foram enviados aos EUA.
Supostamente todo esse recurso teria sido destinado ao filme Black Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Entretanto há fortes suspeitas de que boa parte dele foi destinado a manter a conspiração de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil nos Estados Unidos. A Polícia Federal já está investigando essa suspeita.
Relembre aqui a íntegra do áudio com Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao dono do Master
“Oi, irmão. Preferi te mandar um áudio aqui para você ouvir com calma…
Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei o que vai ser daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, tá na mão de Deus aí.
E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí, também, essa confusão toda, e você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado liberdade, Daniel da gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim.
É porque tá num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso. Eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né?
Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel (ator), no Cyrus (Nowrasth, diretor do filme) os caras pô renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim, né?, com todo o efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme. Pode ter o efeito elevado a menos um, não é, cara?
Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque tem muita… já tem muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também.
E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, perde tudo, todo o contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmão, desculpa o áudio longo aí, tá? Abração, fica com Deus, cara”.











