“Acho que é hora dos EUA voltarem a deixar sua pegada na Groenlândia”, disse o preposto nomeado por Trump, o governador republicano da Louisiana, Jeff Landry, que foi à ilha sem ser convidado.
“Go home”: centenas de groenlandeses protestaram diante do novo Consulado dos EUA em Nuuk, a capital do território, expressando seu repúdio às ameaças de anexação reiteradas pelo regime Trump, e empunhando a bandeira vermelha e branca da Groenlândia e placas que diziam “USA ASU”, que significa “Parem os EUA”, além de zombarem do dístico MAGA, reinterpretado como “Make America Go Away” [Faça a América Ir embora].
A manifestação, na quinta-feira (21), foi em rechaço à presença, sem convite, do assim chamado “enviado de Trump para a Groenlândia”, o governador republicano da Louisiana, Jeff Landry, que chegou no domingo afrontando a todos com sua arrogância.
Os manifestantes bradaram “Groenlândia pertence aos groenlandeses” e “Não significa não”, e empunhavam faixas de “Não estamos à venda”. Território autônomo que é parte da Dinamarca, a enorme ilha do Ártico se tornou motivo de cobiça para Trump.
“É muito importante, agora mais do que nunca, mostrar ao povo americano o que já dissemos, que não significa não, e que o futuro e a autodeterminação da Groenlândia pertencem ao povo groenlandês”, disse Aqqalukkuluk Fontain, gerente de contas de TI e organizador de protestos de 37 anos, segundo o jornal britânico The Guardian.
“O protesto em si não é para provocar Donald Trump ou Jeff Landry, mas para mostrar ao mundo que a Groenlândia tem sua própria democracia”, acrescentou Fontain. Landry, governador republicano da Louisiana e enviado do presidente para a ilha, chegou a Nuuk no domingo.
Repetindo o ridículo de janeiro, quando Trump enviou um navio-hospital, Landry chegou com uma delegação que incluía um médico, que causou fúria, como registrou o Common Dreams, ao dizer que estava ali para ‘avaliar as necessidades médicas da Groenlândia’.” Note-se que a saúde pública na Dinamarca e na Groenlândia é muito melhor do que nos EUA. Para não perder a viagem, ele se reuniu em uma “conferência de negócios” com o próprio embaixador americano na Dinamarca, Kenneth Lowery.
Durante a desastrada incursão, Landry “ofereceu biscoitos de chocolate e chapéus vermelhos MAGA para pessoas que encontrava na rua”, registrou The New York Times. “Ele não conseguiu muitos interessados, e autoridades groenlandesas criticaram a visita.” Foi sua primeira visita à ilha de 57.000 habitantes desde que Trump o nomeou enviado em dezembro.
Embora pesquisas mostrem que americanos e groenlandeses se opõem às ameaças de Trump de anexação, Landry disse à Agência France-Presse perto do final de sua viagem que “acho que é hora dos EUA recolocarem sua pegada na Groenlândia.”
“A Groenlândia precisa dos EUA”, alegou Landry, que não deixou de destacar os “recursos petrolíferos” da ilha como uma razão a mais para a pilhagem, à qual tanto a ilha, quanto a Dinamarca, vêm resistindo. No segundo mandato, Trump não para de pintar o mapa de outros países das Américas com as cores da bandeira norte-americana, com chamados a serem o ’51º estado, desde o Canadá, até Venezuela, Canal do Panamá e Groenlândia, e agora investe contra Cuba.











