O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo (Sintect-SP) denuncia que enquanto o governo federal apoia a redução da jornada e o fim da escala 6×1, a direção dos Correios, agindo na contramão, tenta estimular a adesão dos trabalhadores à ampliação do tempo diário de trabalho e ao regime de escala de 12×36.
A entidade alerta sobre o erro de achar que aumento da jornada e demissões vão resolver a crise financeira da empresa e cobra “investimentos, contrações e uma gestão capaz de enfrentar os [atuais] desafios”. O sindicato afirma que, “diante dessa contradição surge uma pergunta que precisa ser respondida: qual é o projeto do Governo Lula para os Correios?”.
“A ampliação da jornada não resolve o déficit de pessoal. Não reduz a sobrecarga. Não melhora as condições de trabalho. Ao contrário, pode aumentar o desgaste de uma categoria que já trabalha no limite”, afirma a entidade.
E questiona: “Afinal, se a redução da jornada é apresentada como um caminho para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, gerar empregos e aumentar a produtividade, por que uma empresa pública controlada pelo próprio governo está incentivando jornadas de até 12 horas?”.
Citando pesquisa e levantamentos do DIEESE que indicam que jornadas prolongadas aumentam o desgaste físico e mental, elevam os índices de adoecimento e não representam, necessariamente, mais produtividade, o Sintect reforça que “o trabalhador dos Correios conhece essa realidade melhor do que ninguém”.
“A categoria já enfrenta falta de pessoal, acúmulo de funções, pressão por metas, sobrecarga de trabalho e condições cada vez mais difíceis nas unidades operacionais”.
Diante das tentativas da direção da empresa que vem estimulando jornadas de 12 horas, a entidade alerta os trabalhadores a não se precipitarem e analisarem “com atenção qualquer proposta de alteração contratual” e buscarem orientação junto ao sindicato.
Cobrando coerência entre o discurso defendido pelo governo federal e as práticas implementadas dentro da estatal, o Sintect ressalta que “os trabalhadores dos Correios precisam de valorização, contratação de pessoal, melhores condições de trabalho e uma empresa fortalecida para cumprir sua função social”. “O que está em debate não é apenas uma mudança de escala, mas o modelo de gestão e de relações de trabalho que a empresa pretende adotar”, afirma.











