Segundo o jornal Folha de S.Paulo, não houve avanços na proposta de Daniel Vorcaro de colaboração premiada
A Polícia Federal vai recusar a proposta de Daniel Vorcaro para uma colaboração premiada por, mais uma vez, não apresentar fatos novos em relação aos avanços da investigação. A informação é de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.
Essa é a segunda tentativa de Daniel Vorcaro de conseguir um acordo.
Na primeira, o banqueiro das fraudes não somente não apresentou nenhuma informação nova como também propôs que devolvesse R$ 40 bilhões ao país, montante considerado muito inferior ao que foi desviado.
Agora, ele chegou a incluir algumas informações de sua relação com políticos, mas novamente não deu nenhum passo para além do que a Polícia Federal já descobriu. Na prática, Vorcaro está tentando proteger o máximo de aliados que conseguir.
A PF, no entanto, entende como um avanço a proposta do banqueiro de entregar R$ 60 bilhões. A decisão da corporação de rejeitar a nova proposta de delação deve ser comunicada à defesa de Daniel Vorcaro ainda na terça-feira (9).
De acordo com Igor Gadelha, do Metrópoles, Vorcaro tentou impor nesta proposta de delação a narrativa de que foi perfeitamente legal e sem irregularidades sua negociação com o senador Flávio Bolsonaro pelo envio de R$ 134 milhões para a produção de um filme propangandístico sobre Jair Bolsonaro.
Na versão de Daniel Vorcaro, o dinheiro serviria como patrocínio, do qual não exigiria nenhuma contrapartida.
Pelo menos R$ 61 milhões foram enviados para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por um advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
A primeira versão de Flávio Bolsonaro era de que ele nunca havia recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. Na primeira tentativa de delação, Vorcaro sequer mencionou o caso.
Foi somente depois que o Intercept Brasil divulgou áudios e mensagens trocados entre Flávio e Vorcaro sobre esse caso que os dois passaram a argumentar que tudo correu dentro da lei.
Pessoas ligadas à investigação entendem que Daniel Vorcaro está apresentando suas propostas de delação premiada dessa maneira, sem entregar aliados, em uma tentativa de ganhar tempo para que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida adotar medidas mais frouxas contra ele e seus familiares.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel, está preso desde a segunda semana de maio. A investigação revelou que ele era um operador financeiro do esquema, fazendo pagamentos para um dos núcleos clandestinos da organização criminosa, e também era beneficiário.
O banqueiro Daniel Vorcaro também tentou ocultar R$ 2,2 bilhões que obteve com as fraudes no Banco Master enviando o dinheiro para o pai. A movimentação aconteceu depois que foram descobertas suas fraudes e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou a arcar com mais de R$ 50 bilhões do rombo do Master.











