“Com Lula, fé e justiça, em defesa da soberania nacional e de um Brasil melhor”, pedem evangélicos do PT

Ex-ministro Edinho Silva, presidente nacional do PT, na abertura do encontro dos evangélicos (Foto: Divulgação - PT)

Evangélicos petistas defendem ainda o fim da escala 6×1, a democracia e repudiam as fake news. A carta resgata histórico dos governos Lula, condena a instrumentalização da fé na política

O grupo evangélico do PT divulgou, nesta segunda-feira (8), carta aberta dirigida aos evangélicos brasileiros. Elaborado durante o 5º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília, o documento reafirma que os governos petistas sempre mantiveram uma relação de “respeito e reconhecimento” com as igrejas evangélicas e rejeita a difamação, amplamente difundida por adversários políticos, de que o partido seria hostil às manifestações religiosas.

“Seguimos acreditando em um Brasil onde a fé caminhe ao lado da justiça, a política esteja a serviço da vida, a democracia seja fortalecida, a soberania nacional seja respeitada, a criação seja cuidada, a verdade prevaleça sobre a mentira e a esperança seja mais forte do que o medo”, diz o documento.

Os evangélicos petistas manifestam seu apoio à reeleição de Lula por um Brasil melhor.

“A partir de uma avaliação cidadã, democrática e programática dos desafios do país, dos avanços alcançados e das tarefas ainda necessárias para garantir direitos, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz o texto.

“Ao avaliarmos os desafios que permanecem e os avanços já conquistados, entendemos que o Brasil precisa continuar avançando. A redução das desigualdades, a valorização do trabalho, o fortalecimento dos serviços públicos, a proteção ambiental, a promoção da cultura de paz e a ampliação das oportunidades para o povo brasileiro exigem continuidade, compromisso democrático e participação popular”.

A carta defende a democracia, justiça social, reforma agrária, e o fim da escala 6×1.

“Entendemos que a fé cristã nos chama à oração e ao compromisso concreto com a vida, a justiça, a reconciliação, a paz e o cuidado da criação. A defesa da democracia, da justiça social, da Reforma Agrária; o enfrentamento à fome, a valorização do trabalho, a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus e da melhor tradição evangélica. Defendemos o fim da escala 6×1, o que representa qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras, além da defesa de um maior tempo de convivência familiar, essencial para a saúde mental e a organização do lar”.

A iniciativa surge poucos dias após a Marcha para Jesus, em São Paulo, evento que reuniu milhares de fiéis e foi manipulada pelo bolsonarismo como palco político.

Embora tenha optado por não comparecer pessoalmente ao evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou como representante o advogado-geral da União, Jorge Messias.

Em telefonema ao organizador da marcha, o petista afirmou que evita participar de atos religiosos em período eleitoral para não transmitir a impressão de que estaria tentando “tirar proveito político de uma coisa sagrada”.

HISTÓRICO REIVINDICADO PELO PT

Ao longo da carta, os autores destacam medidas implementadas durante os governos petistas relacionadas à liberdade religiosa e ao reconhecimento institucional das igrejas.

Entre essas aparecem iniciativas orientadas à garantia do livre exercício dos cultos, mecanismos de facilitação para criação de entidades religiosas, o reconhecimento da música gospel como manifestação cultural e a criação de datas ligadas à promoção da liberdade religiosa e ao combate à intolerância.

O texto sustenta que os governos do PT jamais adotaram postura de enfrentamento às igrejas evangélicas.

“Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica”, está escrito em um dos trechos centrais do documento.

Ao final, a mensagem associa fé, democracia e justiça social: “Que Deus abençoe o povo brasileiro, fortaleça nossa democracia, nossa soberania, inspire nossas orações e ações em favor do próximo e nos conduza pelos caminhos da fé, da justiça, da paz, da esperança e do bem comum”.

EDINHO

Na abertura do encontro, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, destacou que toda fé deve ser respeitada e que a crença religiosa não pode ser ferramenta para as disputas eleitorais de outubro. O evento foi realizado em Brasília, na sede do PT.

“Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político-eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo”, ressaltou Edinho.

Leia a íntegra da carta:

Acreditamos em um Brasil onde a política esteja a serviço da vida’

Carta do IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores

Este é o tipo de jejum que desejo: Soltem os que foram presos injustamente, aliviem as cargas de seus empregados. Libertem os oprimidos, removam as correntes que prendem as pessoas. Repartam seu alimento com os famintos, ofereçam abrigo aos que não têm casa. Deem roupas aos que precisam, não se escondam dos que carecem de ajuda. 

Isaías 58:6-7

Graça e paz!

Nós, evangélicas e evangélicos de todos os Estados e do Distrito Federal, reunidos em Brasília no IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores, nos dirigimos ao povo brasileiro movidos pela fé, pela esperança e pelo compromisso com a construção de um Brasil mais justo, democrático, solidário e fraterno.

Reconhecemos que os evangélicos brasileiros são diversos, pensam de formas diferentes e exercem sua cidadania com liberdade de consciência. Refutando a imagem de que formamos um bloco político único, este encontro não pretende falar em nome de todas as denominações, mas expressar a reflexão de um segmento que, a partir de sua fé, defende a democracia, a justiça social e o bem comum. Por isso, rejeitamos toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política, e denunciamos aqueles que usam do Evangelho como negócio.

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. (Tiago 1:27)

Somos parte da vida cotidiana do nosso país. Estamos presentes nas periferias, nos campos, nas cidades, nas escolas, universidades, locais de trabalho, movimentos sociais e igrejas espalhadas por todo o Brasil. Compartilhamos as mesmas alegrias, preocupações e esperanças do povo brasileiro. E, por isso, defendemos a ampliação e aprofundamento de políticas públicas que tem feito diferença na vida do povo brasileiro, como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Brasil Sorridente, as Cozinhas Solidárias, a Nova Indústria Brasil, o Pé de Meia, o Gás do Povo, a Farmácia Popular, o Agora Tem Especialistas, o Sistema Único de Saúde (SUS), a Reforma do Imposto de Renda – isentando quem ganha até R$5 mil -, a Política Nacional de Cuidados, o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, entre muitas outras medidas.

Entendemos que a fé cristã nos chama à oração e ao compromisso concreto com a vida, a justiça, a reconciliação, a paz e o cuidado da criação. A defesa da democracia, da justiça social, da Reforma Agrária; o enfrentamento à fome, a valorização do trabalho, a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus e da melhor tradição evangélica. Defendemos o fim da escala 6×1, o que representa qualidade de vida para os trabalhadores e trabalhadoras, além da defesa de um maior tempo de convivência familiar, essencial para a saúde mental e a organização do lar.  

Reconhecemos também o papel das igrejas, das organizações comunitárias e das iniciativas de solidariedade que atuam diariamente nos territórios, periferias, campos e comunidades de todo o Brasil. São ações que promovem acolhimento, cuidado, esperança e fortalecimento dos vínculos sociais. 

Nossa fé nos ensina que não podemos ser indiferentes ao sofrimento humano. Seguir Jesus Cristo significa cuidar da vida, promover a justiça, praticar a solidariedade e defender a dignidade de todas as pessoas.

Acreditamos que desenvolvimento econômico e justiça social devem caminhar juntos. Também entendemos que o desenvolvimento do Brasil precisa estar comprometido com a proteção do meio ambiente, o cuidado com a criação e a preservação das águas, das florestas e da biodiversidade. Cuidar da Casa Comum é cuidar do presente e das futuras gerações.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. (Mateus 5:9)

Reconhecemos que a violência é uma das maiores preocupações do povo brasileiro. Defendemos políticas de segurança pública capazes de enfrentar o crime organizado, proteger as famílias, apoiar as vítimas da violência, fortalecer as instituições de segurança pública e promover uma cultura de paz, sempre com respeito à vida, aos direitos humanos e à dignidade da pessoa humana.

Defendemos de forma especial o enfrentamento de toda violência contra as mulheres e a promoção de relações baseadas no respeito, na igualdade e na dignidade.

Defendemos uma sociedade que proteja crianças, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, povos indígenas, comunidades tradicionais e todos os grupos historicamente vulneráveis ou excluídos. Acreditamos que uma nação mais justa é aquela que cuida especialmente daqueles que mais precisam de proteção e oportunidades e se opões a toda forma de discriminação, intolerância e racismo.

Defendemos a democracia e a soberania nacional como valores fundamentais da vida brasileira. A democracia garante direitos, protege liberdades, assegura a participação popular e permite a convivência respeitosa entre diferentes opiniões, crenças e visões de mundo. A soberania fortalece a capacidade do povo brasileiro de decidir seu próprio destino, proteger seus recursos estratégicos e construir um projeto de desenvolvimento comprometido com a justiça social e o bem comum. Defendemos igualmente a liberdade religiosa, princípio essencial para que todas as pessoas possam viver sua fé ou suas convicções com dignidade, respeito e liberdade.

Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. (Efésios 4:25)

Manifestamos preocupação com a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e tentativas de manipulação da fé para fins políticos ou econômicos. O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum. 

Nossa comunicação se fundamenta no respeito, no amor ao próximo e no compromisso com a verdade. Em nossas Igrejas, nossos irmãos e irmãs, precisam ter um amplo acesso às informações para que, como os cristãos de Bereia, possam examinar e verificar onde está a verdade. Como evangélicos afirmamos o nosso compromisso em compartilhar essas informações, utilizando as redes sociais de forma responsável, educativa e em diálogo com as particularidades denominacionais, geracionais e regionais. 

Os governos do PT atuaram sempre de forma respeitosa e laica, defendendo o respeito a diversidade e a liberdade religiosa. Foi com o presidente Lula que foram sancionadas leis que garantem o direito de livre culto e a criação de igrejas. Ele também assinou decretos para o reconhecimento da música gospel como cultura e patrimônio nacional, além de instituir o Dia Nacional da Música Gospel, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da Marcha para Jesus. Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica. 

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1 Pedro 1:3)

Como evangélicas e evangélicos comprometidos com esses valores, reconhecemos os avanços alcançados pelo Brasil na reconstrução de políticas públicas, na geração de empregos, na redução da fome, na valorização da educação e da saúde e na ampliação das oportunidades para a população. Ao mesmo tempo, sabemos que ainda há muito a fazer para garantir plenamente os direitos sociais e elevar a qualidade de vida do povo brasileiro.

Como participantes de um encontro que refletiu sobre os desafios do Brasil e das eleições de 2026, entendemos que a participação política responsável faz parte do exercício da cidadania e do compromisso democrático. Por isso, estimulamos a presença ativa das evangélicas e dos evangélicos nos debates públicos, na formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do país.

Nesse primeiro momento salientamos os seguintes tópicos para o plano de governo:

– Ampliação das políticas públicas voltadas a saúde integral da mulher, enfrentamento à violência e que tenha como foco em seu cuidado e acolhimento em relação à sua saúde física e mental.

– A questão das terras raras precisa ter como norte o desenvolvimento local e regional, a partir dos conhecimentos e estratégias existentes nas Universidades, Institutos e no território, visando o desenvolvimento social e a nossa soberania nacional.

– Em relação ao campo, defende-se o fortalecimento de políticas voltadas à agricultura familiar, como a política de Reforma Agrária, o PAA e o Plano Safra. Também salientamos a necessidade de ampliação dos quintais produtivos, com prioridade para as camponesas. Além de políticas voltadas para a irrigação de pequenas propriedades e fortalecimento da educação no campo, com creches e escolas de educação de tempo integral na zona rural.

– Criação de políticas voltadas para a juventude, com foco no primeiro emprego.

– Fortalecimento das políticas para pessoas com deficiência, com foco em ações de cuidado integral e de geração de renda.

– Garantia do acesso da população negra ao sistema de justiça.

Ao avaliarmos os desafios que permanecem e os avanços já conquistados, entendemos que o Brasil precisa continuar avançando. A redução das desigualdades, a valorização do trabalho, o fortalecimento dos serviços públicos, a proteção ambiental, a promoção da cultura de paz e a ampliação das oportunidades para o povo brasileiro exigem continuidade, compromisso democrático e participação popular.

Acreditamos que a esperança não é apenas um sentimento individual. A esperança popular se constrói coletivamente quando o povo participa da vida pública, amplia direitos, fortalece a democracia e trabalha para que ninguém seja deixado para trás.

Inspirados por esses valores, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um Brasil mais justo, solidário e inclusivo. A partir de uma avaliação cidadã, democrática e programática dos desafios do país, dos avanços alcançados e das tarefas ainda necessárias para garantir direitos, reduzir desigualdades e ampliar oportunidades, manifestamos nosso apoio à continuidade do projeto democrático e popular liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este compromisso não nasce do uso eleitoral da fé, pois compartilhamos do entendimento do próprio presidente de que não se deve “tirar proveito político de uma coisa sagrada”.

À medida que nos aproximamos das eleições de 2026, convidamos as igrejas, lideranças religiosas, movimentos populares, organizações da sociedade civil e toda a população brasileira a participar do debate público com liberdade, responsabilidade, respeito e esperança.

Seguimos acreditando em um Brasil onde a fé caminhe ao lado da justiça, a política esteja a serviço da vida, a democracia seja fortalecida, a soberania nacional seja respeitada, a criação seja cuidada, a verdade prevaleça sobre a mentira e a esperança seja mais forte do que o medo.

Que Deus abençoe o povo brasileiro, fortaleça nossa democracia, nossa soberania, inspire nossas orações e ações em favor do próximo e nos conduza pelos caminhos da fé, da justiça, da paz, da esperança e do bem comum.

Brasília, 08 de junho de 2026.

IV Encontro Nacional de Evangélicos do Partido dos Trabalhadores

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