Não quero ser patético,
mas o modo de eu te ver
é pra lá de eclético,
você é um pingo de estrela
que caiu no meu olho,
é feijão com arroz
e moranga com molho,
você é uma samaúma,
o Masp por dentro,
uma ágata azul,
você é o céu noturno
e a Galáxia 001.
Você não é areia
para caminhãozinhos,
você tem um jeito de brigar
que me faz carinho,
você é aloprada,
é uma bela notícia,
morde meu dedo
e o dente marcado
é tattoo delícia.
Você deita na beira
e mergulha a fundo,
você é o bem maior
que tenho dentro e
fora do mundo,
você me satisfaz,
Sonata ao Luar e jazz,
Carinhoso e Botequim,
valsa e maçambique,
colar Shipibo de lagartixa,
colorido a colorido,
desnuda a tua libido,
confete grudado
na bochecha suada
do Carnaval,
você é um violino voador
de Marc Chagall,
você é muito amiga,
amada imaginária
de todo um plantel,
é pastel sem vento,
meu Papai Noel.
Você dorme feito avenca
ou planta dorminhoco,
se tocada surpreende
e nunca pouco,
você é a tal,
a voz da Gal e da Elis,
você passa pelo céu
como um triz,
bolinha de ping-pong
a dançar na ponta
do chafariz,
você é a luta no Mekong
e a vitória final,
o estádio aceso
em noite de Grenal,
você é a cruzinha
que alcançou a nota
no vestibular,
você é a saíra-cinzenta
de asas azuis
preparando um lar,
você é a gargalhada
que acentua a piada,
sacode o diafragma
e atravessa a psiquê
com salto trapezista,
você não precisa
de eira nem coleira,
Águas de Março
batem na tua cachoeira,
você faz o Universo
mais bonito
durante a vida
(quase) inteiraaaa!
Sidnei Schneider é poeta e escritor. Autor de diversos livros, entre eles “De Rua e Sangas” (Umespa, 2018), “Andorinhas e Outros Enganos” (Dahmer, 2012) e “À linha d’água do rio” (Pubblicato, 2024)











