“Venceremos com Cepeda porque Colômbia não quer ser estripada”, afirma deputada Ana Erazo

Deputada federal Ana Erazo, eleita pelo Vale do Cauca, durante entrevista em Cali: movimentos sociais se somam com tudo na reta final da campanha (ComunicaSul)

“Candidato de Trump, Abelardo de la Espriella não quer diálogo e nem paz, mas implantar a violência e retroceder as conquistas sociais do governo Petro”, denuncia a congressista do Pacto Histórico

LEONARDO WEXELL SEVERO – DIRETO DE CALI/COLÔMBIA

“Nunca havíamos tido a possibilidade de governar a Colômbia e hoje demonstramos que administramos bem e, mesmo com toda a sabotagem do legislativo e do judiciário, muito melhor do que todos os anteriores.  Precisamos agora desmontar o neoliberalismo reinante, algo que não conseguimos fazer no primeiro governo por termos um Congresso da República contrário ao presidente Gustavo Petro”.

A afirmação da deputada federal Ana Erazo, eleita pelo Vale do Cauca, foi feita na fundação “Um teto para meu povo”, em Cali, que junto a inúmeros movimentos sociais se somou com afinco à reta final da campanha do Pacto Histórico. “Venceremos com Cepeda! Nosso povo não aceita o fascismo”, enfatizou, condenando as seis décadas de banho de sangue que dizimaram organizações e partidos populares como a União Patriótica (UP).

O clima de perseguição da ultradireita tem se acirrado próximo ao segundo turno, no próximo dia 21, principalmente quando o candidato de Trump e cidadão estadunidense Abelardo de la Espriella defendeu abertamente “destripar a esquerda”. “Ele declarou de forma direta que vai nos destruir, é um apologista e um promotor terrível do fascismo, de tal maneira que há pessoas que saem de casa com um facão para defendê-lo. O que estamos vendo é uma campanha fanática da morte contra a vida”, condenou.

Diante de tal comportamento, explicou Ana Erazo, “estamos reforçando a denúncia contra Abelardo, que defendeu paramilitares, narcotraficantes e feminicidas. Além disso, propõe a cópia do projeto de repressão e megaprisões de Bukele, em El Salvador [país onde a responsabilidade penal começa aos 12 anos]”.

A parlamentar assinalou que guiados por essa compreensão macabra, “há dois dias das eleições invadiram e roubaram a Casa dos Povos em Cali, levando vários documentos, o que nos fez acionar a polícia para garantir um mínimo de segurança, já que nossas vidas estão sempre em risco”. “Eu mesma tive cinco ameaças. O nosso senador Alexander López escapou da morte agora em maio quando estava em campanha no Vale do Cauca. Sequestraram sua camionete, cobriram o carro de tiros e o motorista conseguiu escapar porque abriu a porta e pulou em movimento”, relatou.

ELEGER CEPEDA E DESMONTAR O NEOLIBERALISMO

Valorizando a aprovação das reformas Trabalhista e Previdenciária – mesmo que esta última continue sendo travada -, a deputada acredita que “com maior representação do Pacto Histórico na Câmara e no Senado poderemos fazer as reformas da Saúde, Política, Trabalhista 2.0 e Educativa, e recompor os direitos retirados pelo neoliberalismo”.

Ana Erazo aponta como pontos-chaves “a recuperação de direitos essenciais como o pagamento de horas extras aos domingos, antes remunerado como um dia qualquer, também conseguimos reduzir a jornada de 48 para 42 horas e fazer com que o adicional noturno comece às 19 e não mais às 21 horas”.

Na questão previdenciária, registrou, “avançamos para que não sejam mais fundos privados quem administrem os recursos dos idosos, pois estavam utilizando o dinheiro para especular fora do país”.

Entre as cinco reformas pendentes, esclareceu Ana Erazo, “lutamos para que haja maior equidade em torno dos partidos políticos, que estão muito permeados pela corrupção, pelo constrangimento eleitoral, pela compra de votos. Além de uma melhor organização, necessitamos garantir que haja mais espaço para a participação das mulheres, a fim de que tenhamos igualdade de direitos”.

Por conta da atual bandalheira, advertiu, “precisamos de uma reforma no Judiciário, não somente pelo sistema carcerário existente, mas porque a Procuradoria muitas vezes termina representando mais os partidos e as decisões dos políticos do que a própria legalidade”.

Outra bandeira do Pacto Histórico é “uma reforma educacional para fazer frente às injustiças sociais reinantes, porque, historicamente, há mais recursos para a guerra e para o conflito interno do que para a educação pública, gratuita e de qualidade para todos”.

SETOR DA SAÚDE PRECISA SER RETIRADO DOS NEGOCISTAS

A deputada reivindicou atenção às reformas do Código Eleitoral e da Saúde, já que as Entidades Promotoras de Saúde (EPS) se tornaram empresas, entes privados que contratam e fazem seus negócios para que sejam elas mesmas quem controlem indevidamente os recursos. Desta forma esdrúxula, alertou, “sem que seja o Estado que maneje diretamente os recursos para o bem do cidadão, o indivíduo acaba sendo o último a ter acesso ao direito”. “Mercantilizaram a saúde, a entregaram ao setor privado, que depois não fornecia os medicamentos e fazia cirurgias de tudo só para cobrar do Estado. Conforme observamos no ano passado, segundo a Controladoria, essas EPS roubaram, com a corrupção, 32 bilhões de pesos colombianos, cerca de um bilhão de dólares”, recordou.

ABELARDO ROUBOU SÍMBOLOS PÁTRIOS E COPIA OS DE TRUMP

Por conta do cenário colocado, o momento é de disputar cada voto, exclamou, pois o marketing político de Abelardo conseguiu vender seu candidato no primeiro turno “como uma pessoa com toda a idiossincrasia colombiana, passando por religioso, quando sabemos que é ateu, que ama os animais, quando os maltrata, que respeita a natureza, quando é avesso a ela”. “Já sabemos o que esperar de uma pessoa que rouba os símbolos pátrios, como a bandeira, e copia os de outros candidatos como Trump e Milei em torno de um leão ou um tigre”.

“Agora temos que refletir a fim de que Trump, que felicitou o seu tigrinho, não saia vitorioso. Precisamos de muita pedagogia para conversar com as pessoas e levar o povo às urnas, combatendo a abstenção [de 43% no primeiro turno, pois aqui o voto não é obrigatório]. Para isso, é necessário explicar o que há por detrás do candidato da ultradireita que por sua nacionalidade estadunidense, obviamente, vai aceitar as determinações do seu governo. Então, é todo o modelo da ultradireita copiado”, denunciou.

“Nós cometemos muitos erros no primeiro turno. Não tivemos a capacidade de mobilizar todas as pessoas que sabem que Petro é um bom presidente, sobretudo porque nosso governo chegou às zonas mais vulneráveis, à ruralidade, com a reforma agrária. Alcançamos espaços em que um governo nunca havia estado”, relatou.

 “Para o segundo turno, estamos motivando mais as pessoas que foram beneficiadas, em que o Estado chegou depois de muitos anos com hospitais, com atenção, para que votem. Da nossa parte, nos toca ajudar e motivar esse eleitorado para que se desloque e saia a votar. Entre os erros que cometemos ouve triunfalismo”, refletiu.

Outro equívoco, adicionou, “foi concentrar a denúncia em Paloma Valência (mais próxima ao ex-presidente Álvaro Uribe) e revelar tudo o que era e representava, deixando Abelardo secundarizado. Agora estamos focados em desnudar quem ele é, suas mentiras, quem o cerca, de onde sai a moeda que o financia, e o que aconteceria caso ganhasse”.

“RECOMPOSIÇÃO PARA UM SEGUNDO GOVERNO PROGRESSISTA”

Nesta semana, demonstrou a parlamentar, “recompusemos a situação e esperamos que o povo possa tomar consciência e se mobilizar para garantir um segundo governo progressista. É isso o que estamos vendo na reta final, principalmente da juventude, que está convocando outros para votar”.

“Antes a gente não se movia, agora está se mobilizando. Porque sabemos que estamos vivendo bem, que temos melhores condições para viajar, para fazer um passeio, ir ao centro comercial, comprar roupa, a economia está melhorando. Mas de todas as formas é um desafio e precisamos dos movimentos sociais e comunitários, dos sindicatos, que todos se somem à campanha. Este segundo governo será de desafio e de responsabilidade com o desenvolvimento, com o país”, indicou.

Conforme Ana Erazo, na contramão do progresso e do desenvolvimento propostos por Cepeda e Ainda Quilcué, “vem os que querem pegar o nosso petróleo, pôr a mão na nossa biodiversidade, voltar à guerra”.

“Felizmente, hoje é o povo que diz o que deve ser feito e que não quer perder seus direitos. Hoje é o povo quem manda, quem decide. São os colombianos quem estão indo às ruas, fazendo o que tem que fazer para eleger o Pacto Histórico”, concluiu.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

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