“Vai morrer, seu petista”: Bolsonaristas espancam idoso com ‘mata-leão’ e chutes no Rio de Janeiro

Mauro foi espancado em frete à sua casa - Foto: Reprodução

“Começaram a me agredir gritando ‘é, Bolsonaro!, é, Bolsonaro!’ e ‘vai morrer, seu petista safado’”, relatou Mauro

Mauro Figueiredo Rocha Dias da Costa, de 69 anos, afirmou que foi vítima de uma emboscada com motivação política na noite de quinta-feira (11), em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Agredido em frente ao prédio onde mora, ele classificou o episódio como uma tentativa de assassinato. “Foi uma agressão cruel. “Foi de uma brutalidade sem tamanho. Foi uma tentativa de homicídio. Eles iam me matar. Só pararam porque chegou um homem forte e falou: ‘para, para, vocês vão matar o velho’. E, depois, saíram rindo””, declarou.

A Polícia Civil investiga o caso como lesão corporal. Mauro sustenta que a agressão ocorreu por razões políticas, já que carregava uma mochila com um adesivo da deputada federal Benedita da Silva e afirma ter ouvido palavras de ordem favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante o ataque.

Segundo o relato da vítima, ao chegar em frente ao edifício onde vive, foi cercado por um homem de terno e duas mulheres, todos aparentando ter cerca de 30 anos e porte físico de lutadores. Ele afirma que uma das mulheres aplicou um golpe conhecido como “mata-leão”, enquanto o homem desferia socos em seu rosto. As agressões teriam durado aproximadamente cinco minutos.

“Premeditaram tudo isso. Eu sofri uma emboscada, eles estavam de tocaia, esperando eu chegar em casa. Sabiam onde eu morava. E começaram a me agredir gritando ‘é, Bolsonaro!, é, Bolsonaro!’ e ‘vai morrer, seu petista safado’”, relatou.

Mauro também afirmou que os agressores fizeram ameaças de morte e proferiram ofensas durante a ação. De acordo com ele, o trio dizia frases como “a gente vai te matar agora”, “você já prejudicou muita gente”, “seu petista de merda”, “é, Bolsonaro!, é, Bolsonaro!” e “sua igreja é uma igreja de merda”. O idoso contou ainda que teve um terço arrancado do pescoço antes de sofrer as agressões físicas.

“Eu fiquei sem ar e continuei apanhando, com chutes e socos. Fui jogado contra o portão. Estou com muita dor nas costas. As marcas estão no meu rosto. Minha boca está toda machucada, até vou ao dentista. Eles iam me matar”, afirmou.

A vítima também acusa o porteiro do prédio de omissão. Segundo Mauro, o funcionário presenciou toda a cena, mas não abriu o portão do edifício nem tomou qualquer atitude para interromper as agressões, apesar dos pedidos de socorro. O prédio possui câmeras de segurança, e as imagens já foram requisitadas pelos investigadores. O morador diz, entretanto, que não teve acesso ao material.

“O porteiro, parado, não atendeu ao meu pedido de socorro, para que ele abrisse o portão. Não teve nenhuma empatia. Não gritou nem pelo menos ‘para, para’, nada disso. Ficou assistindo a essa tentativa de homicídio que eu estava sofrendo”, declarou.

Após registrar o caso, Mauro afirma ter enfrentado dificuldades para realizar o exame de corpo de delito. Segundo ele, recebeu duas negativas de atendimento no Instituto Médico-Legal (IML). Na primeira tentativa, relata ter ouvido que “não vou te atender”. No dia seguinte, retornou ao local com a requisição policial, mas novamente não foi atendido porque apresentou uma cópia autenticada da identidade.

Diante da situação, procurou a Corregedoria da Polícia Civil. “Na Corregedoria, o policial ficou horrorizado. Falou ‘não é possível, você podia ter perdido a identidade ou subtraída durante a agressão’. Aí ele fez o encaminhamento da Corregedoria. Pela terceira vez eu voltei ao IML e, finalmente, fui atendido por uma médica, que verificou tudo e que encaminhou para a delegacia”, contou.

Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento. O registro foi inicialmente feito na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, mas posteriormente transferido para a 12ª DP, em Copacabana. A corporação afirmou que a vítima foi encaminhada ao IML para a realização do exame de corpo de delito. Já a Polícia Militar informou que o 19º BPM, responsável pelo policiamento da região, não foi acionado para atender a ocorrência.

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