Desemprego se acelera nos setores industriais metalúrgico e de eletricidade da Alemanha

Trabalhadores da metalúrgica Mahle em greve contra o fechamento da fábrica (Alexander Libl/WSWS)

Os setores de metalurgia e de engenharia elétrica perderam 15.000 empregos na Alemanha, somente no mês de abril em comparação com o mês anterior.

É a maior queda em termos de vagas, desde julho de 2020, no país mais industrializado do Europa segundo a organização federativa de empresários do setor industrial metalúrgico e elétrico, a Gesamtmetall, que abrange milhares de empresas que empregam milhões de trabalhadores.

 Já em comparação com abril de 2025, a queda foi maior: 102.600. Se comparado o quadro com abril de 2019, o setor perdeu um total de quase 320.000 empregos (7,8%), de acordo com o relatório da Gesamtmetall.

“Em contrapartida, a queda na produção foi de 15%, ou seja, o dobro”, alerta o informe.

“Devido à conjuntura desfavorável na Alemanha”, o investimento privado em equipamentos industriais no país está 17% abaixo do registrado em 2019, e no setor como um todo a queda é de 20%, segundo assinala o documento, destacando que isso leva ao envelhecimento dos equipamentos e a um declínio ainda maior na competitividade internacional das empresas alemãs, o que, por sua vez, causa um aumento no número de demissões.

“O tempo está se esgotando [para a Alemanha]. Se as condições não melhorarem, outros 300 mil empregos estarão em risco somente nos setores metalúrgico e eletrotécnico”, resumiu Oliver Zander, CEO da Gesamtmetall.

SANÇÕES CONTRA RÚSSIA IMPACTAM BASE INDUSTRIAL EUROPEIA

A perda do acesso à energia russa barata e confiável, decorrente das sanções aplicadas após o início do conflito na Ucrânia em 2022, é apontada por analistas e institutos de pesquisa como um dos principais fatores estruturais por trás da prolongada crise econômica enfrentada pela Alemanha. O encarecimento e a interrupção no fornecimento de combustíveis como o gás natural e o petróleo impactaram diretamente a base industrial do país. O modelo econômico alemão era historicamente dependente de importações energéticas acessíveis para sustentar a sua forte produção manufatureira e exportadora. Com o corte do fornecimento por gasodutos provocado pelas sanções, Berlim foi forçada a buscar alternativas mais caras que forçam o encarecimento e consequente redução da atividade econômica.

“As sanções não estão enfraquecendo a Rússia, mas sim a saúde da economia global; elas a estão paralisando. Continuamos a negociar ativamente recursos energéticos com nossos parceiros, estamos nos integrando a novas cadeias de suprimentos e nos sentimos mais do que confiantes”, afirmou Marat Berdiev, embaixador especial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia junto ao G20 e à APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em entrevista à Sputnik.

 “As sanções prejudicam mais aqueles que as impõem”, já havia declarado o presidente russo, Vladimir Putin, no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, realizado no início deste mês. Suas palavras são corroboradas até pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê neste ano, um crescimento da Rússia superior ao esperado na França, Alemanha e Reino Unido.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *