Abbas Araghchi afirma que a guerra ‘não chega ao fim completo’ sem que as forças israelenses deixem territórios ocupados durante o conflito atual
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enfatizou que um acordo de paz com os EUA pressupõe que Israel se retire do Líbano, à medida que crescem as preocupações com a sabotagem de Tel Aviv aos esforços para encerrar a guerra no Oriente Médio, a ponto de o presidente Donald Trump chegar a chamar o premiê Netanyahu, seu comparsa na guerra de agressão, de “irresponsável”.
“Sem a retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam durante esta guerra, a guerra não chegou ao fim completo”, disse Araghachi nesta terça-feira (16), dia em que Israel matou mais quatro libaneses, em um bombardeio de “duplo toque”, e violou o cessar-fogo 84 vezes nas últimas 48 horas. Ele acrescentou que os EUA são responsáveis por garantir a cessação completa dos ataques israelenses ao Líbano, como estipula o memorando.
O acordo EUA-Irã, mediado pelo Paquistão e discutido com os países vizinhos do Golfo, foi confirmado no domingo, depois de 110 dias de confrontação. Ilegal e traiçoeiramente desencadeada pelos EUA e Israel, a guerra contra o Irã acabou se tornando um indisfarçável fracasso para os agressores.
A dura retaliação iraniana às bases americanas e aos cúmplices no Golfo, o fechamento do Estreito de Ormuz e a unidade do povo iraniano impuseram uma estrondosa derrota aos imperialistas e sionistas.
Conforme o memorando de entendimento EUA-Irã, “a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, cessariam imediata e permanentemente a partir da noite de domingo”.
O bloqueio naval americano já foi suspenso e, na sexta-feira (19), está marcada a cerimônia em Genebra de assinatura do acordo. Após o anúncio do acordo EUA-Irã, o regime segregacionista israelense ainda se manifestou dizendo não estar obrigado a respeitá-lo.
DETER OS ATAQUES NO LÍBANO
Na segunda-feira, Araghchi conversou por telefone com o presidente libanês Joseph Aoun e o presidente do parlamento, Nabih Berri, informando-os sobre o memorando e apontando que os ataques israelenses precisam ser “completamente interrompidos” e que cabe a Washington exercer pressão suficiente sobre Tel Aviv para deter os ataques.
Também os presidentes do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e libanês, Nabih Berri, em mensagem dirigida à comunidade internacional exigiram o cumprimento do memorando e o respeito à soberania libanesa. A estabilidade e a segurança do Líbano – eles destacaram – são componentes inseparáveis de qualquer esforço sério para estabelecer estabilidade regional.
Ambos os lados enfatizaram a necessidade de compelir Israel a pôr fim à guerra contra o Líbano, parar a destruição de aldeias, respeitar a soberania libanesa e retirar-se imediatamente dos territórios ocupados. A agressão israelense, que recomeçou em 2 de março, resultou até o momento em 3.826 libaneses mortos e 11.851 feridos, além de centenas de milhares de deslocados.
A RETIRADA COMO DEFINIÇÃO DE PAZ
O portal iraniano em espanhol, HispanTV, observou que em essência, este memorando “estabelece uma premissa clara: a cessação das hostilidades não é sinônimo do fim da guerra. Segundo o Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, a guerra não pode ser considerada encerrada até que as forças de ocupação israelenses se retirem de todos os territórios libaneses que ocuparam. Este não é um ponto negociável, mas sim uma linha vermelha inegociável.”
“Ao separar o conceito de ‘cessar-fogo’ daquele de ‘paz’, o Irã elevou o padrão do que constitui um verdadeiro fim às hostilidades. Cessar-fogos podem ser temporários, frágeis e facilmente comprometidos. A retirada territorial, por outro lado, é tangível, verificável e irreversível. Na prática, o Irã declarou: Eles não podem alegar desejar a paz enquanto suas tropas permanecerem em território de nosso aliado’”.
“O tempo está se esgotando para o prazo final de sexta-feira, quando o memorando deverá ser assinado em Genebra. Se até lá a evacuação não tiver começado ou um plano de implementação crível com um cronograma concreto não tiver sido anunciado, o Irã deixou absolutamente claro que não haverá negociações nem assinatura”, alertou a publicação.
CÚPULA DO G7
Na cúpula do G7 em Évian, na França, o presidente Trump voltou a criticar Netanyahu, dizendo que ele precisava agir “de forma mais responsável no Líbano”, e acrescentando que um recente ataque israelense a bomba em Beirute foi “brutal”.
“Você não precisa demolir um prédio de apartamentos quando está procurando alguém porque há muita gente nesses prédios, e nem todos são do Hezbollah, isso posso garantir”.
Não faz tanto tempo, Trump prometia que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, mas com a oposição à guerra nos EUA não dando sinal de ceder, e com a gasolina em alta às vésperas das eleições de novembro – além de seu recorde de reprovação -, o chefe do MAGA engatou um recuo.
Após dizer que tinha uma “relação pessoal inacreditável” com Netanyahu, Trump revelou não ter gostado do fato de Israel ter atacado Beirute apenas duas horas antes do Irã assinar o memorando. E, frente à sabotagem, asseverou que “sem os EUA, sem mim, não haveria Israel porque não há outro presidente disposto a fazer o que eu fiz”.











