Haddad anuncia Márcio França como vice e define chapa para disputa ao governo de São Paulo

Presidente Lula, junto a Márcio França, Haddad, Simone Tebet, Marina Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin durante Partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo 2026 - Foto: Ricardo Stuckert / PR

Ex-ministras Simone Tebet e Marina Silva serão disputarão o Senado

O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (25) que o ex-governador paulista Márcio França será o candidato a vice-governador em sua chapa para as eleições estaduais de outubro. A definição encerra semanas de negociações entre PT, PSB e aliados da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em torno da composição da candidatura de oposição ao governador Tarcísio de Freitas.

O anúncio foi feito durante evento político em São Paulo e contou com a participação de lideranças dos partidos que integram a aliança. Haddad afirmou que a escolha de França fortalece a construção de uma frente ampla para disputar o Palácio dos Bandeirantes e destacou a experiência administrativa do ex-governador, que já ocupou os cargos de vice-governador e governador do estado, além de ministro dos Portos e Aeroportos e do Empreendedorismo no governo Lula.

Haddad ainda ressaltou as competências de França para atuar com políticas públicas e consolidar o plano do governo além da capital. “Ele tem efetivamente credenciais que o habilitam a atuar de maneira ampla e irrestrita, porque é uma pessoa que conhece o estado como pouca gente conhece”, disse.

Durante o lançamento da chapa, Haddad também apresentou as principais diretrizes de sua campanha e afirmou que a segurança pública será uma das prioridades centrais de seu programa de governo. O petista defendeu uma atuação mais integrada entre as forças policiais, investimentos em inteligência e políticas voltadas à prevenção da violência, buscando responder a uma das principais preocupações do eleitorado paulista.

“A segurança vai ser prioridade, nós vamos apresentar um plano de segurança, eu já alinhei algumas características desse plano que nunca foi feito da forma que vai ser”, afirmou.

A escolha de Márcio França era considerada uma das alternativas mais fortes dentro do PSB. Nos últimos dias, Haddad havia revelado que também avaliava outros nomes para a vice, mas as conversas conduzidas pelo presidente Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin contribuíram para consolidar o acordo entre os partidos.

Em sua fala, Márcio França criticou a atual gestão citando uma falta de projetos memoráveis. “Se você perguntar qual a marca de São Paulo hoje, talvez seja a venda da Sabesp e o pedágio Free Flow. […] O Tarcísio também tem (qualidades), mas ele é uma pessoa menor do que a cadeira do governo de São Paulo, alguém que precisa de uma orientação para poder pedir, precisa de autorização do chefe para poder pedir”, disse o ex-ministro.

França chega à chapa com forte presença política no estado. Filiado ao PSB desde a década de 1980, foi prefeito de São Vicente, deputado federal, vice-governador na gestão de Geraldo Alckmin e assumiu o governo paulista em 2018. Naquele ano, disputou a reeleição e foi derrotado por João Doria no segundo turno por uma diferença apertada de votos.

A oficialização da chapa ocorre em um momento em que as pesquisas eleitorais apontam vantagem para Tarcísio de Freitas na corrida pelo governo estadual. Levantamento divulgado recentemente pelo Paraná Pesquisas indicou o atual governador à frente das intenções de voto, enquanto Haddad aparece como principal adversário na disputa.

Com a definição da aliança entre PT e PSB, a campanha de Haddad passa agora a concentrar esforços na ampliação do apoio entre prefeitos, vereadores e lideranças regionais, apostando na combinação entre a força eleitoral de Lula e a experiência administrativa de Márcio França para tentar retomar o comando do estado mais populoso do país.

Além da definição de Márcio França como candidato a vice-governador, a aliança formada por PT, PSB, MDB e demais partidos da base do presidente Lula também confirmou os nomes que disputarão as duas vagas de São Paulo no Senado Federal. A deputada estadual Maria Lúcia Amary e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, foram anunciadas como candidatas ao Senado pela coligação.

A composição busca ampliar o arco de alianças da chapa encabeçada por Fernando Haddad, reunindo lideranças de diferentes partidos do campo governista. Enquanto Maria representa um nome com atuação política consolidada no estado de São Paulo, Tebet chega à disputa após ganhar projeção nacional nas eleições presidenciais de 2022 e integrar o primeiro escalão do governo Lula.

Segundo os articuladores da coligação, a formação da chapa majoritária foi construída para fortalecer a presença da frente ampla tanto na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes quanto na corrida pelas cadeiras paulistas no Senado. A expectativa é que a candidatura de Tebet atraia eleitores de perfil mais moderado, enquanto os demais nomes busquem consolidar o apoio da base progressista e dos partidos aliados em todo o estado.

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