BRICS aprovam na Índia resolução contra a crise energética provocada pelos EUA

Índia recebe encontro do Brics sobre energia internacional (Sarkaritel.com)

Ministro do Petróleo iraniano denunciou os ataques dos EUA e Israel como “uma guerra cega contra a segurança energética de todas as nações”

Ministros do petróleo e da energia dos países dos BRICS, reunidos em Gurugram, na Índia, que preside rotativamente o bloco agora, aprovaram uma resolução em defesa da segurança energética e discutiram a cooperação, sustentabilidade e desenvolvimento do vital setor.

Diante da guerra de agressão dos EUA e Israel contra o Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia crucial para o fornecimento de energia à economia global, a questão da segurança energética ganhou um especial relevo.

Como observou o representante iraniano, ministro do Petróleo Mohsen Paknejad, “os repetidos ataques de agressores à infraestrutura de petróleo, gás, refino e petroquímica do Irã durante esse período não foram apenas um ataque às instalações básicas do país, mas uma guerra cega contra a segurança energética mundial.”

“Agora vemos que as consequências dessas agressões levaram a uma crise energética, aumento dos preços globais de matérias-primas e produtos manufaturados, pressão econômica e aumento do custo de vida de muitos civis. Essas ações agressivas constituem uma flagrante violação do direito internacional, especialmente da Carta das Nações Unidas, e devem ser condenadas em todos os níveis.”

Presidindo o encontro, o ministro indiano da energia, Manohar Lal, sublinhou que a energia permanece fundamental para o crescimento econômico, progresso social e desenvolvimento humano.

Ele reiterou o compromisso da Índia com a construção de sistemas de energia resilientes e que se guiem pelo princípio da “energia para todos”. Lal relatou a transformação sofrida por seu país ao longo da última década, emergindo como o terceiro maior produtor e consumidor de eletricidade, e com as fontes renováveis responsáveis por mais da metade da capacidade instalada de aproximadamente 540 GW.

A Índia também lançou o Centro BRICS de Excelência Digital para Redes Inteligentes e Armazenamento de Energia. A reunião de dois dias se concluiu nesta sexta-feira (26).

A SEGUIR, OS DESTAQUES DO DISCURSO DO MINISTRO PAKNEJAD

“Venho de um Irã orgulhoso, que nos últimos meses se defendeu poderosamente contra os ataques do regime sionista e dos Estados Unidos.”

“Os repetidos ataques de agressores à infraestrutura de petróleo, gás, refino e petroquímica do Irã durante esse período não foram apenas um ataque às instalações básicas do país, mas uma guerra cega contra a segurança energética mundial.”

“Esses ataques também causaram danos às instalações, o martírio e ferimentos de vários funcionários da indústria petrolífera, consequências ambientais extensas, interrupção na produção de matérias-primas e na cadeia de suprimentos de bens essenciais necessários para a vida do povo iraniano, além da perda de renda e emprego para milhares de famílias na região do Golfo Pérsico.”

“A República Islâmica do Irã, como declarou repetidamente, acredita que a única forma de alcançar estabilidade e segurança na Ásia Ocidental, que fornece uma grande parte da energia mundial, é a retirada dos estrangeiros da região, o desmantelamento das bases americanas e a confiança da segurança dessa região estratégica aos próprios países da região.”

“Hoje, o sistema energético global enfrenta mais desafios e incertezas crescentes do que nunca. O aumento da demanda por energia, riscos geopolíticos, flutuações imprevisíveis do mercado, aquecimento global, restrições de investimento e a necessidade urgente de garantir acesso universal a energia acessível estão entre os desafios globais que não podem ser enfrentados apenas por um ou dois países, mas que exigem cooperação internacional e a adoção de abordagens políticas pragmáticas e realistas em nível global.”

O ministro Paknejad advertiu que as ações de mitigação das mudanças climáticas não devem levar a políticas unilaterais e eliminatórias no sistema energético que coloquem em risco a “segurança energética global” e aprofundem a pobreza energética em muitas comunidades e regiões desfavorecidas do mundo.

“Assim, no âmbito de uma transição energética justa, ordenada e inclusiva, para alcançar condições sustentáveis no fornecimento de energia e combater o aquecimento global, o investimento global na indústria de petróleo e gás e nas tecnologias de descarbonização deve ser rapidamente “aumentado”.

“Nossos países, juntos, formam uma parcela significativa da produção, consumo, reservas e capacidade de inovação de energia do mundo. Podemos utilizar esse poder coletivo para avançar no desenvolvimento de diversos campos de energia, incluindo petróleo e gás, renováveis, redes elétricas, hidrogênio, eficiência energética, inteligência artificial e a digitalização do setor energético.”

“Enquanto hoje a dinâmica do mercado global de energia enfrenta riscos e ameaças sérios devido à crescente imposição de medidas comerciais e sanções sob falsos pretextos contra países que possuem grandes reservas de petróleo e gás, os membros dos BRICS têm a responsabilidade compartilhada de manter a estabilidade, prevenir interrupções nos mercados de energia e garantir o fluxo ininterrupto de recursos energéticos.”

“De uma forma que ambos os aspectos da segurança energética — segurança da oferta para os consumidores e segurança da demanda para os produtores — sejam realizados.”

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