Lula: defesa nacional é “urgente e prioritária”; “está cheio de maluco no mundo”

Lula esteve no estaleiro de Itajaí (SC) para a cerimônia de lançamento da fragata (Foto: Reprodução - Youtube - Agência Gov)

“Agora mesmo o presidente americano [Donald Trump] quer tomar a Groenlândia, o Canadá vai virar estado dele, quer tomar o Canal do Panamá”, afirmou o presidente, declarando que vai incluir o tema da defesa no seu plano de governo

O presidente Lula afirmou, nesta sexta-feira (26), que o tema da defesa nacional é “extremamente urgente e prioritário” e estará presente em seu plano de governo. Segundo ele, a indústria nacional de defesa estava “praticamente quebrada”.

“Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa” e o Brasil deve estar preparado “para defender os nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 215 milhões de habitantes”, disse o presidente, que acrescentou que “está cheio de maluco no mundo”.

“Agora mesmo o presidente americano [Donald Trump] quer tomar a Groenlândia, o Canadá vai virar estado dele, quer tomar o Canal do Panamá”, continuou.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos já atacaram a soberania do Brasil tentando interferir na Justiça brasileira e abriram uma brecha para invasão ao caracterizar o PCC e o CV como “organizações terroristas”.

“Pela primeira vez, eu vou colocar a questão da defesa nacional no programa de governo, que é para a gente poder assumir compromisso público com que tipo de defesa a gente vai querer neste país”, informou o presidente.

“Não é possível que a gente não coloque a defesa como uma coisa extremamente urgente e prioritária. A gente não pode discutir defesa apenas repondo aquilo que estragou. É preciso que a gente defina um projeto de que país a gente quer. E definido que país a gente quer, de que defesa precisamos para garantir esse país”, destacou.

Ele comentou que, em conversas com os comandantes das Forças Armadas, tem insistido que “nós precisamos construir um projeto estratégico. E a gente vai ter que ter dinheiro para colocar esse projeto em andamento”.

(Foto: Ricardo Stuckert – PR)

Lula contou que, quando foi deputado constituinte, “eu fui daqueles que votaram pela não proliferação de armas nucleares, porque tinha um compromisso de que quem tinha arma nuclear ia desativar. Alguém desativou? De lá para cá, o Paquistão se armou, a Coreia do Norte se armou, a Índia se armou, a China se armou, a Rússia, os Estados Unidos continuam fabricando cada vez mais armas nucleares. E nós, até outro dia, nossa indústria da defesa estava praticamente quebrada”.

O presidente pediu um minuto de silêncio em solidariedade às vítimas dos terremotos na Venezuela. Ele também determinou que o ministro da Defesa, José Múcio, viaje ao país para prestar apoio.

FRAGATA

A fala presidencial foi feita na cerimônia de lançamento ao mar da Fragata “Cunha Moreira”, em Itajaí (SC), sendo esta a terceira de quatro embarcações construídas no Programa Classe Tamandaré.

O lançamento é estratégico para a recomposição do Núcleo do Poder Naval da Marinha do Brasil.

De acordo com o governo federal, o Programa Fragatas Classe Tamandaré prevê a construção e a incorporação de quatro navios militares de alta complexidade tecnológica para modernizar e expandir a capacidade operacional da Marinha.

Presidente com o ministro da Defesa, José Múcio, e comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen (Foto: Ricardo Stuckert – PR)

As embarcações possuem capacidade de deslocamento de 3500 toneladas, 107 m de comprimento, convés de voo e hangar para helicópteros, além de radares, sistemas de armas avançados e sensores integrados. Os investimentos são estimados em R$ 13,9 bilhões entre 2019 e 2030.

“Isso aqui para mim não é um navio, isso não é um monte de ferro com produto tecnológico de primeira linha. Isso é o começo de um país que vai assumir de fato e de direito o direito de ser soberano, de tomar conta do seu nariz e de estar preparado. É isso que nós vamos ter que fazer daqui para frente”, completou o presidente Lula.

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