Não abrem mão dos juros reais nas alturas às custas da estagnação da economia
Os bancos e demais rentistas consultados pelo Banco Central mantêm a pressão contra a redução dos juros no Brasil para níveis civilizados. No Boletim Focus, divulgado pelo BC nesta segunda-feira (29), a taxa Selic ficaria em 14% no final deste ano, com o Brasil com as maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo.
Desta forma, querem o fim do ciclo de cortes da Selic (iniciado em março) e a retomada da escalada dos juros, mesmo após a prévia da inflação de junho mostrar uma desaceleração. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) no mês ficou em 0,41%, menor do que no mês de maio (0,62%). A “expectativa de inflação” do cartel dos bancos é de 5,33 no final deste ano.
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC defendeu que os juros devem permanecer em patamar elevado por mais tempo. Essa postura choca-se novamente com os setores produtivos do país, que denunciam o elevado nível dos juros no Brasil como um obstáculo à reindustrialização, à sobrevivência das próprias empresas e ao crescimento econômico sustentável do país.
Na ata da última reunião (de 16 e 17 de junho), o Copom cita o ambiente externo “incerto”, a aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano e o mercado de trabalho ainda “com sinais de resiliência” à política de arrocho monetário.
Além disso, o BC usou as “expectativas” dos rentistas sobre a inflação, que no Brasil está controlada – apesar do aumento dos preços dos derivados de petróleo que dispararam após a agressão dos Estados Unidos ao Irã – para justificar a sua decisão de realizar mais um corte minguado de 0,25 ponto percentual, com a Selic passando de 14,50% para 14,25% ao ano.
“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz trecho da ata.
Setores da mídia também segue pressionando o governo Lula a cortar investimentos públicos, a fim de garantir o intocável pagamento dos juros da dívida pública, que atingiram em abril deste ano a soma de R$ 1,095 trilhão, o equivalente a 8,43% do PIB (Produto Interno Bruto) no acumulado em 12 meses.











