A ação, prevista na Constituição Federal e regulamentada por legislação específica, foi estruturada para garantir proteção pessoal aos presidenciáveis durante a campanha eleitoral
A Polícia Federal iniciou, nesta segunda-feira (20), operação nacional de segurança destinada aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.
A ação, prevista na Constituição Federal e regulamentada por legislação específica, foi estruturada para garantir proteção pessoal aos presidenciáveis durante a campanha eleitoral, mediante solicitação formal das candidaturas após a homologação nas convenções partidárias.
Ao todo, a operação poderá mobilizar até 458 servidores, entre agentes, chefes de equipe, profissionais de inteligência e logística, além do suporte das superintendências regionais da PF em todas as unidades da Federação.
O planejamento reserva aproximadamente R$ 95 milhões para custear toda a estrutura, incluindo diárias, deslocamentos, contratação de serviços especializados e aquisição de equipamentos como veículos blindados, coletes balísticos de alto desempenho, sistemas antidrone e kits de detecção e inspeção antibombas.
A segurança de candidatos à Presidência é prevista pela Constituição, pela Lei 7.474/86, pelo Decreto 6.381/08 e pela Portaria 493/98 do Ministério da Justiça.
PROTEÇÃO PERSONALIZADA
Coordenada pela DPP (Diretoria de Proteção à Pessoa), a operação foi dimensionada para atender simultaneamente até 10 candidaturas presidenciais, com equipes distribuídas em todo o País.
Segundo a PF, cada campanha contará com plano de segurança elaborado individualmente, baseado em critérios técnicos de análise de risco. O planejamento considera histórico de ameaças, informações de inteligência, perfil dos eventos, características dos deslocamentos, acessos aos locais e o cenário de segurança de cada região visitada.
Antes de cada compromisso de campanha, equipes precursoras realizam inspeções nos locais, articulando as medidas necessárias com as forças estaduais e municipais de segurança.
O objetivo, segundo a corporação, é assegurar que os candidatos possam cumprir suas agendas “com discrição e mínima interferência na dinâmica dos atos eleitorais”.
MONITORAMENTO EM TEMPO REAL
A estrutura montada pela FP incorpora recursos tecnológicos de alta complexidade. Dependendo da avaliação de risco de cada evento, poderão ser empregados:
• veículos blindados;
• grupos táticos especializados;
• sistemas de defesa antidrone;
• reconhecimento facial;
• monitoramento de ameaças digitais; e
• equipamentos para inspeção antibombas.
A operação também contará com Sala Nacional de Comando e Controle, instalada em Brasília, responsável por acompanhar em tempo real todas as equipes espalhadas pelo País, permitindo respostas rápidas a incidentes, apoio logístico e coordenação operacional.
A PF ressalta, contudo, que essa centralização é apenas operacional. As informações de inteligência e as avaliações de risco permanecem restritas aos profissionais diretamente envolvidos na proteção de cada candidato.
MAIS DE 600 PROFISSIONAIS TREINADOS
A preparação da operação começou ainda em 2025. Segundo a PF, mais de 600 servidores passaram por cursos de capacitação e aperfeiçoamento em diversas áreas, como:
• proteção de dignitários;
• direção defensiva e evasiva;
• primeiros socorros;
• operação de drones;
• salvamento aquático;
• inteligência operacional;
• logística; e
• procedimentos específicos para segurança de presidenciáveis.
O ciclo de preparação foi encerrado com seminário nacional de integração entre todas as equipes envolvidas na operação.
CRITÉRIOS TÉCNICOS E IGUALITÁRIOS
A Polícia Federal afirma que todas as candidaturas receberão tratamento isonômico.
Embora os recursos empregados variem conforme o grau de risco e as características de cada agenda, a corporação sustenta que os critérios técnicos utilizados serão os mesmos para todos os presidenciáveis.
Por questões de segurança, a PF não divulga quantos agentes serão destinados a cada candidato nem informa a classificação de risco atribuída individualmente.
Também permanecem sob sigilo informações como roteiros de viagem, itinerários, composição das equipes e análises de ameaças.
ADESÃO É FACULTATIVA
Desde abril, a Polícia Federal mantém reuniões com partidos políticos e pré-candidatos para explicar o funcionamento da operação. Os 30 partidos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) foram oficialmente comunicados sobre o esquema de proteção.
A adesão, porém, não é obrigatória. Caso uma candidatura opte por dispensar o serviço, a decisão será respeitada, permanecendo aberta a possibilidade de solicitar a proteção posteriormente.
Se o presidente Lula (PT) confirmar candidatura à reeleição, a segurança dele continuará sendo realizada no modelo atualmente adotado, com atuação conjunta do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e da PF.
FLÁVIO RECUSA PROTEÇÃO
Até o momento, o único presidenciável que anunciou publicamente que não utilizará o esquema de segurança da Polícia Federal foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em publicação nas redes digitais, o parlamentar afirmou que não confia na atual direção da corporação.
“Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu.
Na mesma manifestação, Flávio Bolsonaro defendeu que os agentes reservados para a proteção dele fossem deslocados para investigações relacionadas às fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Pode até ser, mas não precisa. A PF já descobriu, por exemplo, que o Banco Master, financiador da campanha dele e do filme do seu pai, causou muito prejuízo aos aposentados e pensionistas do INSS.
O senador também voltou a fazer acusações contra o governo federal e citou investigações que envolvem o escândalo dos descontos ilegais em benefícios previdenciários, além de mencionar o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
As declarações têm caráter eleitoreiro e demagógico e não alteram o planejamento operacional da Polícia Federal, que reafirma que a adesão ao esquema de segurança é facultativa e poderá ser solicitada a qualquer momento pelas campanhas.
SEGURANÇA REFORÇADA
A operação de 2026 ocorre em contexto de crescente preocupação das autoridades com a violência registrada nos últimos anos.
Desde as eleições de 2022, os órgãos de segurança ampliaram protocolos para proteção de autoridades e candidatos diante do aumento de ameaças, episódios de radicalização política e ataques durante eventos públicos.
Com investimento recorde, emprego intensivo de tecnologia e integração nacional entre inteligência, logística e forças estaduais, a Polícia Federal busca garantir que a disputa presidencial transcorra com segurança, preservando a integridade física dos candidatos sem comprometer o desenvolvimento normal das campanhas eleitorais.











