Vazamento de gás tóxico coloca Manaus em alerta e resulta em multas de R$ 22,5 milhões

Vazamento de gás estireno na Videolar- Innova - Foto: Reprodução Redes Sociais

No último domingo (19), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que conteve o vazamento de gás tóxico monômero de estireno registrado na Unidade 4 da empresa Videolar-Innova, no Distrito Industrial de Manaus, no Amazonas.

A Videolar-Innova, que é uma indústria do bilionário Lirio Parisotto, provocou uma emergência química de alto risco em Manaus devido ao vazamento do gás tóxico estireno em uma unidade situada na Zona Franca, segundo informações do portal Amazônia Real. 

Esse incidente gerou pânico generalizado e forçou o fechamento de 19 escolas e diversas indústrias vizinhas por risco de contaminação. As autoridades de saúde já contabilizaram mais de 500 atendimentos médicos de moradores com sintomas como falta de ar, náuseas e desmaios. 

Como punição pela gravidade dos danos, a Prefeitura de Manaus aplicou duas multas por emissão de gás tóxico, poluição do solo e do corpo hídrico, totalizando R$ 9,9 milhões contra a petroquímica. O Ministério Público investiga agora as responsabilidades da empresa de Parisotto, cujo patrimônio pessoal é estimado em R$ 14,1 bilhões. Ainda, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) decidiu multar a indústria em R$ 12,5 milhões por poluição atmosférica.

As multas dos órgãos ambientais da Prefeitura de Manaus e do Governo do Amazonas contra a petroquímica somam R$ 22,5 milhões. As penalidades são por vazamento contínuo de estireno, poluição atmosférica, poluição de solo e corpo hídrico, risco à saúde e segurança pública e descumprimento ambiental.

A Defesa Civil classificou o incidente de “uma emergência química de alto risco”. Trabalhadores da Videolar-Innova foram internados, mas a empresa não informou o número de pessoas atingidas dentro das instalações da petroquímica. 

Um comitê formado por órgãos estaduais, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), decidiu liberar o retorno das atividades nas indústrias do Polo Industrial, além de escolas da rede estadual e serviços públicos a partir desta segunda-feira (20).

Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, as medições realizadas no local indicaram que não há mais emissão de gás estireno.

“Nesse momento não encontramos qualquer resíduo do gás estireno tanto no entorno como dentro da área isolada. Estamos com emissão zero a partir do tanque atingido”, afirmou.

Apesar da contenção, o Corpo de Bombeiros continuará atuando na fábrica para manter o resfriamento do tanque. De acordo com o comandante, o trabalho de retirada do produto armazenado e de desativação da estrutura poderá durar meses.

Com a decisão do comitê, as escolas estaduais que tiveram as atividades suspensas na região do Distrito Industrial retomam as aulas nesta segunda-feira (20). O Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5 também volta a funcionar normalmente.

As indústrias do Polo Industrial de Manaus que haviam interrompido as atividades por precaução também estão autorizadas a retomar a operação.

O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, informou que o órgão acompanhou toda a operação ao lado do Corpo de Bombeiros. No sábado (18), equipes utilizaram um drone com câmera térmica para monitorar a temperatura do tanque.

Mesmo com a liberação das atividades, o Ipaam informou que continuará acompanhando os trabalhos na Innova. O órgão seguirá monitorando a qualidade do ar, analisando os efluentes gerados, fiscalizando a destinação dos resíduos remanescentes e verificando o cumprimento das condicionantes da licença ambiental da empresa.

CAOS

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), entre quarta-feira (16) e domingo (19), foram registrados 552 atendimentos de pessoas com sintomas compatíveis com possível exposição ao estireno. Apenas um paciente permanecia internado na rede estadual até este domingo.

A secretaria informou que continuará monitorando os atendimentos e orienta a população a procurar uma unidade de saúde ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, em caso de sintomas relacionados à exposição ao gás.

No sábado (18), um homem de 60 anos morreu após dar entrada em uma unidade particular com problemas respiratórios. Segundo a SES-AM, a causa da morte será investigada pelo comissão de verificação de óbito da unidade privada, para apurar se há relação com a exposição ao estireno.

Outro paciente, de 67 anos, morreu na quarta-feira (16), após procurar atendimento com relato de mal-estar. Segundo a secretaria, não foi constatada relação direta entre o óbito e o vazamento, já que ele tinha histórico de doença respiratória crônica.

O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa.

O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Segundo especialistas, a exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea.

Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.

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