O ex-ministro bolsonarista Ricardo Salles (Novo-SP) disse que teria proposto “de outra forma” a Jair Bolsonaro que seu governo “passasse a boiada” na destruição da regulamentação ambiental durante a pandemia, quando a imprensa estava mais atenta à Covid-19.
Na segunda-feira (20), Salles deu uma entrevista ao UOL e afirmou que, caso soubesse que a reunião ministerial estava sendo gravada e seria divulgada, “eu falaria o mesmo conteúdo, mas claro que de uma outra forma”.
A reunião ministerial ocorreu em 22 de abril de 2020 e foi divulgada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Diversos ministros defenderam crimes no encontro.
No caso de Ricardo Salles, o então ministro do Meio Ambiente apontou que o governo Bolsonaro tinha uma possibilidade, “neste momento em que a imprensa está voltada quase que exclusivamente para a pandemia”, “de passar as reformas infralegais de desregulamentação”.
“Para isso precisa ter um esforço nosso enquanto estamos nesse momento de tranquilidade de cobertura de imprensa e ir passando a boiada, ir mudando todo o regramento”, completou.
Na entrevista ao UOL, Salles falou que ele propôs “passar a boiada” porque o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fazia oposição e o governo Bolsonaro não conseguia passar nenhum tema entre os deputados.
“O que eu digo naquela reunião: todos os ministérios ali presentes, nós somos cobrados internamente e no exterior pelo excesso de burocracia, regras irracionais e que atrapalham o nosso país”, lembrou.
Por conta da situação com Rodrigo Maia, a sugestão de Salles era “fazer o trabalho de casa dentro dos ministérios. Tem portarias, tem atos normativos, instruções normativas, uma série de normas infralegais que a gente não precisa do Congresso”.
“Se você falar para mim ‘olha, essa reunião vai ser divulgada’, eu falaria o mesmo conteúdo, mas claro que de uma outra forma”, repetiu.
Sua fala em 2020, porém, não menciona em nenhum momento a situação no Congresso. Ricardo Salles defendeu somente que os ministérios, em especial o do Meio Ambiente, acabassem com toda a regulamentação infralegal enquanto ninguém percebesse.











