“Aqui ninguém diz o que vamos fazer”, afirma Lula sobre tarifas de Trump

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania nacional (Foto: Ricardo Stuckert - PR)

“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional”, destacou o presidente da República

O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (21) que “ninguém diz” o que o Brasil deve fazer. A declaração ocorreu na véspera das novas tarifas de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, escreveu o presidente, em publicação nas redes sociais.

Lula reiterou que não há justificativa para novas tarifas anunciadas pelos EUA. Com a medida, o Brasil passará a figurar entre os países mais taxados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais afetadas pelas tarifas americanas. As novas tarifas impostas unilateralmente pelo governo Trump ao Brasil entram em vigor nesta quarta-feira (22), às 00h01 no horário da Costa Leste americana, o que equivale a 01h01 no horário de Brasília.

Tanto o governo quanto o setor produtivo brasileiro se esforçaram para provar que os EUA estão errados em suas afirmações sobre o comércio entre os dois países. As audiências públicas foram conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), responsável pela investigação com base na Seção 301 — trecho da legislação americana sobre comércio internacional. Esta é uma lei que permite aos Estados Unidos implementar tarifas contra países quando identificam práticas comerciais consideradas injustas.

Entre as alegações americanas para justificar as novas tarifas, os Estados Unidos citam a criação do PIX, que é gratuito para a população e, segundo o governo americano, teria prejudicado o comércio de bandeiras de cartões de crédito americanas no Brasil.

Outro absurdo levantado pelos EUA é o desmatamento brasileiro, que, na visão americana, permitiria que os fazendeiros brasileiros operassem com custos menores do que os produtores americanos, que precisam seguir uma legislação ambiental mais rigorosa. Como se não houvesse um rigoroso programa contra o desmatamento no Brasil e como se o governo Trump se preocupasse com meio ambiente.

O governo brasileiro rebateu todas essas acusações, inclusive com dados: apontou que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado vem diminuindo nos últimos anos, que as bandeiras americanas continuaram crescendo no Brasil durante o período de implementação do PIX, e que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil.

Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano, e a tendência é de piora com a entrada em vigor da tarifa de 25%.

A entidade que representa a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser afetadas — o equivalente a 18% de tudo que o Brasil vende ao mercado norte-americano.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) alertou que o impacto vai além da venda direta para os americanos. Segundo a entidade, a nova tarifa aumenta a insegurança no comércio internacional, desestimula o planejamento de investimentos, reduz a competitividade das empresas e pode gerar consequências negativas sobre a produção e os empregos no Brasil.

Para os próximos dias, aguarda-se o início de novas reuniões entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e o setor produtivo, com o objetivo de definir tanto uma possível resposta do governo brasileiro quanto formas de apoio aos setores mais afetados pela nova tarifa.

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