Cupincha de Flávio Bolsonaro compra mansão de R$ 6,1 milhões nos EUA

Paulo Figueiredo e Flávio Bolsonaro nos EUA (Foto: Divulgação - Paulo Figueiredo)

Aliado de Eduardo Bolsonaro e Flávio é apontado como proprietário de outro avaliado em R$ 5,5 milhões

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado político de Eduardo Bolsonaro e um dos principais articuladores da ofensiva internacional contra autoridades brasileiras, ampliou patrimônio imobiliário nos Estados Unidos ao adquirir, em novembro de 2025, mansão em Clermont, na Flórida, por US$ 1,2 milhão, algo em torno de R$ 6,1 milhões na cotação da época.

Levantamento da Agência Pública e do ICL Notícias identificou ainda uma segunda propriedade vinculada ao influenciador bolsonarista, localizada em Weston, também na Flórida, anunciada à venda neste ano por US$ 1,09 milhão (aproximadamente R$ 5,5 milhões).

Juntos, os imóveis somam valor de mercado estimado em R$ 11,6 milhões.

Figueiredo sustenta, contudo, que os imóveis foram adquiridos por financiamento e, por isso, “não integram seu patrimônio líquido”. Segundo ele, o valor efetivamente investido está muito abaixo das cifras atribuídas pelas reportagens.

Abrindo um parênteses, Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões ao banqueiro ladrão Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme Dark Horse sobre seu pai. R$ 61 milhões foram liberados e enviados para um fundo nos EUA daministrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro. As transações foram reveladas pelo site Intercept em áudios e planilhas.

Planilhas e recibos bancários provam que Daniel Vorcaro enviou, entre fevereiro e maio de 2025, pelo menos R$ 61 milhões (US$ 10,6 milhões) para um fundo nos Estados Unidos, após negociação com Flávio Bolsonaro. Os documentos derrubam qualquer tentativa dos bolsonaristas de negar o caso.

DÍVIDA MILIONÁRIA E CONDENAÇÕES

A revelação sobre os imóveis ocorreu enquanto Paulo Figueiredo figura na Dívida Ativa da União por débitos que somam aproximadamente R$ 4,9 milhões.

A cobrança decorre de autuações relacionadas ao esquema investigado pela Operação Armadeira 2, desdobramento da Lava Jato, que apurou mecanismos destinados a blindar empresas de fiscalizações da Receita Federal.

O influenciador afirma ter sido autuado de forma indevida e contesta a cobrança.

Além disso, ele responde à outra frente de questionamentos na esfera financeira.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aplicou multa de R$ 102 milhões em processo administrativo relacionado a irregularidades na captação de recursos para empreendimento hoteleiro no Rio de Janeiro que envolveu a marca de Donald Trump.

A penalidade ainda é objeto de contestação.

IMÓVEIS DE ALTO PADRÃO

A residência adquirida em Clermont possui características típicas de imóveis de luxo.

Construída em terreno de aproximadamente 17,5 mil metros quadrados, conta com 515 metros quadrados de área construída, 6 quartos, 5 banheiros, cozinha gourmet, salas de estar e jantar, área de jogos, piscina de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e casa na árvore.

Já a casa de Weston permaneceu registrada, durante anos, em nome da empresa Olive-Fig Tree Real Properties LLC, pertencente ao influenciador. Em outubro de 2025, a propriedade foi transferida para o nome pessoal de Figueiredo, pouco antes da aquisição da nova mansão.

PROCESSO NOS ESTADOS UNIDOS

A compra da mansão ocorreu cerca de um mês após Figueiredo informar à Justiça dos Estados Unidos que não possuía recursos para contratar advogado para defender a empresa dele, a International Treasure Group, em processo ligado à falência do empresário chinês Miles Guo.

Na ação, administradores da massa falida buscam recuperar transferências consideradas fraudulentas. Entre essas está o pagamento de US$ 140 mil destinados à empresa de Figueiredo por serviços prestados à rede social Gettr entre 2021 e 2022.

Segundo o influenciador, o contrato foi legítimo e remunerou atividades de consultoria durante o lançamento da plataforma no mercado brasileiro. A Justiça americana chegou a proferir sentença à revelia contra a empresa dele após tentativas frustradas de citação, decisão posteriormente contestada pela defesa.

A Gettr foi fundada por Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump e aliado político da família Bolsonaro.

NARRATIVA DE DIFICULDADES FINANCEIRAS

Em audiências realizadas nos Estados Unidos e em entrevistas concedidas ao longo de 2024, Paulo Figueiredo afirmou ter sofrido forte impacto financeiro em razão das decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).

Chegou a declarar que estava “desempregado”, disse ter investido cerca de R$ 1 milhão naquilo que chamou de “luta pela liberdade” e alegou que a redução de contratos de consultoria inviabilizou a contratação de advogados para a empresa dele.

A aquisição da mansão meses depois passou a ser explorada por críticos, que apontam aparente incompatibilidade entre o discurso de dificuldades financeiras e a compra de imóvel de alto padrão.

ATUAÇÃO POLÍTICA NOS EUA

Paulo Figueiredo também é investigado pelo STF por participação na articulação internacional destinada a pressionar autoridades brasileiras.

Em denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República), ele e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) são acusados de buscar sanções contra ministros do Supremo com o objetivo de influenciar processos relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Como reside nos Estados Unidos, Figueiredo ainda não foi formalmente citado em uma das ações penais em tramitação no STF.

Segundo reportagens publicadas ao longo de 2025 e 2026, ele e Eduardo Bolsonaro realizaram diversas viagens a Washington para manter contatos com integrantes do governo Donald Trump e parlamentares republicanos, em busca de apoio para medidas contra autoridades brasileiras.

DEFESA E AMEAÇA DE AÇÃO JUDICIAL

Ao responder aos questionamentos da reportagem do ICL, Paulo Figueiredo afirmou que é empresário e cidadão privado e que não tem obrigação de prestar contas sobre o patrimônio dele à imprensa.

Reiterou que ambos os imóveis são financiados, negou que os valores divulgados representem o patrimônio real e advertiu que eventuais informações consideradas falsas poderão ser contestadas na Justiça dos Estados Unidos, com fundamento na legislação da Flórida.

A controvérsia acrescenta novo capítulo à trajetória do influenciador, que permanece no centro de investigações judiciais e disputas políticas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

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