O presidente chinês destacou o status internacional e a importante influência do Brasil e declarou apoio ao país na salvaguarda de sua soberania e independência
O presidente Lula conversou por telefone com o presidente chinês, Xi Jinping, neste domingo (26). Um dos temas tratados foi a ampliação do comércio e do intercâmbio tecnológico entre os dois países diante das incertezas no comércio mundial, provocadas pela política tarifária dos EUA. As informações são da nota divulgada pelo governo brasileiro e da agência chinesa de notícias Xinhua.
A conversa ocorre no momento em que Lula tem reforçado a defesa da diversificação das relações comerciais do Brasil. Neste domingo, em artigo publicado no jornal americano The Washington Post, o presidente classificou como um “erro estratégico” as novas tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e afirmou que o país buscará alternativas para ampliar investimentos e parcerias econômicas.
Na conversa, Xi e Lula falaram sobre fortalecer a coordenação estratégica bilateral e multilateral entre os dois países, além da aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China. Outro assunto abordado foram as ameaças de ingerência do governo Trump nas eleições brasileiras. O líder chinês declarou apoio ao esforço brasileiro na defesa de sua soberania e autodeterminação.
Segundo o presidente da China, “o país valoriza profundamente o status internacional e a importante influência do Brasil, apoia o país na salvaguarda de sua soberania e independência, opõe-se à interferência externa e contribuirá para a manutenção da paz e da estabilidade regional e global”.
O governo Lula tem declarado que quem vai decidir o destino do Brasil será o seu povo e mais ninguém. O Planalto vem também fazendo todos os esforços para evitar as consequências negativas sobre a economia brasileira do tarifaço unilateral imposto por Donald Trump ao país.
O Brasil comprovou nas negociações com os EUA que as tarifas impostas ao país pela Casa Branca são injustas e descabidas. O governo lembrou que o Brasil é um dos poucos países do mundo que tem déficit comercial com os EUA. Diante da intransigência americana, o país defenderá suas empresas e buscará uma maior diversificação de parceiros comerciais para substituir o cerco americano aos produtos brasileiros.
Xi Jinping enfatizou que, diante das novas circunstâncias e desafios, a China e o Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem se posicionar firmemente ao lado da justiça histórica e do progresso da civilização, desempenhando um papel construtivo ainda maior na reforma e no aprimoramento do sistema de governança global e na defesa da equidade e da justiça internacionais.
Lula afirmou que o Brasil e a China têm feito progressos positivos na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e um planeta mais sustentável, com rápido desenvolvimento na cooperação em diversas áreas e o comércio bilateral atingindo um novo patamar.
De acordo com a nota divulgada pelo governo Lula, os líderes trataram da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países. Ambos reiteraram o propósito compartilhado de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Sobre os temas internacionais, os presidentes manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos ao redor do mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global. Os dois também lamentaram as perdas humanas e materiais decorrentes dessas crises.
Em relação ao Oriente Médio, Lula e Xi afirmaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm impactos negativos para a economia mundial. Eles também expressaram preocupação com a continuidade da crise humanitária em Gaza.
Os líderes concordaram ainda que o Grupo de Amigos da Paz pode ter papel relevante na retomada de negociações para encerrar a guerra na Ucrânia. A iniciativa diplomática foi lançada por Brasil e China em setembro de 2024, na Organização das Nações Unidas (ONU), e reúne países do Sul Global em defesa de uma solução política para o conflito.
Segundo o comunicado, Lula e Xi criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder adequadamente às crises internacionais. Eles também avaliaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário global particularmente desafiador. Ao final da conversa, os presidentes reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter coordenação próxima sobre temas da agenda internacional em fóruns como a ONU e os Brics.










