Bufão que preside, por enquanto, a Argentina provocou mais rejeição à candidatura de Flávio Bolsonaro. Foi tiro no pé. Em vez de ajudar, ele detonou mais ainda a candidatura bolsonarista e mostrou como ela é uma armadilha contra o Brasil
A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL, no último domingo (26), em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, produziu efeito oposto ao pretendido nas redes digitais brasileiras.
Levantamento da Ativaweb DataLab, divulgado pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, aponta que 84,3% das publicações sobre Milei no Instagram e no Facebook entre os dias 25 e 27 de julho tiveram conteúdo negativo, após os ataques dirigidos ao presidente Lula (PT).
Durante a convenção, Milei ofendeu Lula com termos de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Também dirigiu insultos ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, intensificando discurso que extrapolou a política doméstica argentina e repercutiu imediatamente no cenário brasileiro.
A repercussão negativa indica que a tentativa de internacionalizar o discurso da direita latino-americana encontrou resistência significativa entre usuários brasileiros das principais plataformas digitais.
Embora as redes permaneçam fortemente polarizadas, o levantamento sugere que o tom adotado pelo presidente argentino acabou produzindo desgaste de imagem superior ao potencial de mobilização política.
CRISE ULTRAPASSA AMBIENTE ELEITORAL
As declarações de Milei deixaram rapidamente o terreno da disputa eleitoral e transformaram-se em incidente diplomático.
Em resposta às ofensas, o governo brasileiro convocou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e também chamou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos. A medida representa um dos gestos diplomáticos mais duros adotados pelo Itamaraty nos últimos anos e evidencia a deterioração das relações entre ambos os países.
Apesar da escalada verbal, integrantes do governo brasileiro têm reiterado que os canais institucionais permanecem abertos e que a parceria econômica entre Brasil e Argentina continua estratégica.
O comércio bilateral atingiu níveis recordes recentemente, fator que limita a possibilidade de rompimento político mais profundo.
MILEI CAUSA REPUGNÂNCIA
Mesmo após a reação oficial brasileira, Milei manteve seu pérfido caráter.
Nos dias seguintes, o presidente argentino utilizou a conta dele na rede X para publicar sucessivas mensagens contra Lula, acusando, sem apresentar provas, o governo brasileiro de interferir na eleição argentina de 2023 por meio de consultores políticos ligados ao PT que participaram da campanha do então candidato Sergio Massa.
A estratégia reforça padrão adotado desde a campanha presidencial de Milei: transformar confrontos ideológicos em instrumento permanente de comunicação à base de mentiras e agressões, mobilizando a base mais fiel mesmo ao custo de ampliar tensões diplomáticas.











