“Empresas de aplicativos querem que motoristas paguem para trabalhar”, denunciam sindicatos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Trabalhadores de aplicativos de transporte e entregadores de todo o país estão se mobilizando para uma nova paralisação em protesto contra mudanças nos modelos de remuneração e distribuição de corridas adotados pelas plataformas Uber, 99 e iFood.

Na segunda-feira (27), entregadores por aplicativo fizeram paralisações parciais das atividades em cidades como Juiz de Fora (MG) e Florianópolis (SC), e outras mobilizações estão sendo debatidas pelas entidades que representam a categorias.

Motoristas e entregadores denunciam o chamado “passe” para trabalhar, adotado pela Uber e 99, e a criação do sistema +Entregas, do iFood, que, de acordo com eles, provocam redução dos ganhos.

A introdução do sistema de “passe”, que está em fase de teste pelos aplicativos de corridas, consiste em que os motoristas precisam pagar uma assinatura, válida por um período ou por um limite de faturamento, para acessar as corridas e ficar com o valor integral das viagens.

Em relação ao sistema +Entregas, os representantes dos trabalhadores entregadores explicam que os aplicativos exigem agendamento de turnos e atuação em áreas definidas pela empresa, o que reduziu a remuneração média para cerca de R$ 3,50 por entrega, valor muito inferior ao piso de R$ 7 por corrida de até quatro quilômetros anunciado pelas empresa no ano passado.

“A única forma de a gente conseguir fazer com que a sociedade perceba o que está acontecendo com a gente é ir para a rua e colocar isso em debate público. É importante dizer que essas modalidades reduzem o ganho”, ressaltou Nicolas Sousa Santos, diretor jurídico da Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (Ammejuf).

Segundo as entidades, com esses novos sistemas, “os trabalhadores pagam para trabalhar”. Para o presidente do Sindimoto-RS (Rio Grande do Sul) e secretário de Transporte, Trânsito e Logística da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RS), Valter Ferreira, que falou à reportagem do portal Vermelho, “é preciso combater esse avanço sobre a remuneração dos trabalhadores de forma organizada e incisiva”, e reforçar as mobilizações.

“Sempre procuram uma forma de aferir cada vez mais vantagem em cima de nós, sugando tudo que podem”, ressalta o sindicalista.

Ferreira argumenta que, como a manutenção de uma remuneração mínima é muito importante para a maioria dos trabalhadores, e que um dia parado pode ser muito lesivo ao bolso deles, a alternativa é demonstrar insatisfação ao atrasar o sistema, ou uma paralisação total das entregas.

“Estamos discutindo com a categoria para não deixar de atender. Vamos propor o “efeito tartaruga” em que se pega uma entrega e ao invés de levar 15 minutos para a entrega, ela pode levar meia hora, 40 minutos, para atrasar todo o sistema. Assim não se deixa de trabalhar, é uma proposta. A outra é a paralisação total. Vamos ver nesses debates o que a gente vai construir e ver a caminhada que vamos tomar, mas já adianto: tudo isso com a participação dos órgãos competentes, TRT, Justiça do Trabalho, Subdelegacia do Trabalho, a gente não faz nada sozinho”, conclui.

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