Presidente em exercício da legenda, Nádia Campeão, apontou a questão da soberania nacional como o eixo central da campanha eleitoral. Já a ministra Luciana Santos, destacou a defesa da frente ampla e do projeto nacional
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) decidiu, de forma unânime, nesta quinta-feira (30), em Convenção Nacional, o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente, Geraldo Alckmin.
O evento aconteceu no formato digital e teve transmissão pública pela internet. Segundo a presidente nacional em exercício, Nádia Campeão, o fato “representou mais um passo na consolidação da estratégia eleitoral da Federação Brasil da Esperança”, integrada pelo PT, PCdoB e PV.
Nádia Campeão colocou a soberania nacional como um dos principais eixos da estratégia eleitoral. A dirigente vem associando a eleição presidencial à disputa sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro, a defesa das riquezas nacionais e a capacidade do país de definir autonomamente suas políticas.
Além de Nádia, integraram a mesa Carlos Lopes, vice-presidente, Altair Freitas, secretário de Organização, Nivaldo Santana, secretário nacional sindical, e Rosanita Campos, da Fundação Maurício Grabois.
LUCIANA SANTOS: FRENTE AMPLA E PROJETO NACIONAL
A presidente licenciada, Luciana Santos, também participou de Olinda (PE), onde se encontrava quando saudou a direção do partido e os convencionais, destacando que a chapa Lula-Alckmin é uma “expressão da frente ampla que nosso partido, há quatro anos, defendeu com unhas e dentes”. “Nós precisamos cada vez mais de discernimento político e ideológico, firmeza nos nossos propósitos e capacidade de diálogo”, argumentou.
Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos destacou a identidade histórica da legenda com a defesa da soberania e da emancipação nacional. Em sua participação na convenção, ela apresentou a reeleição de Lula como parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento das crises política, econômica e geopolítica.
“Nós somos um Partido imprescindível à democracia e à luta pela emancipação nacional”, afirmou Luciana. Segundo ela, a soberania passa também pela superação da dependência tecnológica e pela construção de capacidade nacional de inovação e desenvolvimento.
A ministra defendeu a continuidade da política de alianças construída pelo PCdoB nos últimos anos. Para ela, a chapa Lula-Alckmin expressa a concepção de frente ampla que o partido passou a defender como instrumento para enfrentar a direita e ampliar as condições de governabilidade.
Luciana também chamou atenção para o fortalecimento parlamentar do PCdoB. Segundo sua intervenção, a legenda possui atualmente 11 parlamentares e pretende ampliar sua bancada nas eleições de outubro. O objetivo é combinar a reeleição de Lula com o crescimento da representação comunista no Congresso Nacional.
NÁDIA: SOBERANIA É A QUESTÃO CENTRAL NA DISPUTA
Em sua manifestação, Nádia sintetizou essa preocupação ao afirmar: “Nesta eleição, nós precisamos defender a soberania do Brasil. O Brasil precisa de um presidente que defenda o Brasil, a economia brasileira, o povo brasileiro e a Constituição brasileira.”
Na avaliação da dirigente, o cenário internacional, marcado por disputas comerciais, tensões geopolíticas e pressão sobre recursos estratégicos, torna a eleição de 2026 particularmente relevante. A defesa da soberania aparece vinculada à reindustrialização, à geração de empregos, à proteção dos serviços públicos e ao domínio brasileiro sobre áreas estratégicas, como minerais críticos e tecnologia.
Nádia também sustenta que a vitória eleitoral precisa ser acompanhada de organização social. Em sua intervenção, resumiu a posição: “Não basta eleger o presidente Lula. É fundamental elegê-lo, porque estaremos defendendo o Brasil e os direitos do povo brasileiro. Mas isso não basta. Nós precisamos estar mobilizados e organizados para cobrar mais direitos.”
A presidenta em exercício destacou que a disputa de 2026 transcende as fronteiras brasileiras, inserindo-se em um embate civilizatório global. A dirigente sublinhou que a reeleição de Lula é a principal barreira contra o avanço do fascismo e do imperialismo na América Latina, defendendo a soberania nacional, o controle dos recursos estratégicos (como os metais críticos e as terras raras) e a necessidade de um projeto de desenvolvimento que una a transição energética à geração de empregos de qualidade.
Nádia Campeão lembrou, ainda, que a disputa eleitoral será difícil, principalmente em razão das novas ferramentas digitais, como a Inteligência Artificial, que podem ser utilizadas pelos adversários, inclusive sob a influência de forças externas, como o governo de Trump, dos EUA. “Será preciso vigilância e inteligência”, pontuou.
Nádia enfatizou que o partido também apoiará alianças amplas em Estados, como com o PSD, MDB e União Brasil, em busca de isolar e derrotar candidatos da extrema-direita. “Vamos defender programa de governo do Lula”, sustentou.
A dirigente afirmou que a prioridade da legenda será contribuir para a reeleição de Lula, ampliar a representação da federação no Congresso Nacional e fortalecer uma base parlamentar capaz de sustentar reformas estruturais consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país.
Nesse contexto, o PCdoB pretende concentrar esforços também na reeleição e ampliação de sua bancada na Câmara dos Deputados, avaliando que a governabilidade de um eventual novo mandato dependerá da construção de uma maioria legislativa comprometida com a agenda do Executivo.
POR UM BRASIL SOBERANO, DESENVOLVIDO E DE VALORIZAÇÃO DO TRABALHO
O secretário de Organização da legenda, Altair Freitas, leu um manifesto sob o título “Com Lula para avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho”.
O documento, aprovado por unanimidade, resgata as principais conquistas institucionais e sociais do atual governo, mas também sintetiza as prioridades defendidas pelo PCdoB no próximo governo, como a mudança na política macro-econômica de caráter neoliberal, principalmente no combate aos juros altos e ao rentismo e na defesa da reindustrialização e do desenvolvimento soberano do país.
“É tempo de dar um passo adiante e fazer do próximo governo Lula o vetor de referência e mobilizador do país”, diz trecho aprovado. Segundo o partido, a reeleição do petista é “condição imperativa para o futuro promissor que almejamos”.
O texto enfatiza, ainda, a necessidade de aprofundar políticas voltadas ao desenvolvimento econômico com inclusão social, fortalecimento da indústria nacional, ampliação da capacidade científica e tecnológica do país, defesa da democracia e valorização do trabalho como eixo estruturante do crescimento.
Também destaca temas que têm ocupado posição central na atuação do partido, como a reindustrialização, a transição ecológica, a ampliação dos investimentos públicos, o fortalecimento das universidades e institutos de pesquisa, a defesa das empresas estratégicas nacionais e a ampliação da presença do Brasil em organismos multilaterais e iniciativas de cooperação internacional.
A publicação do manifesto procura oferecer não apenas apoio eleitoral à candidatura presidencial, mas também uma plataforma política para o debate público durante a campanha.
ALIADOS EXALTAM UNIDADE E ALERTAM PARA AMEAÇA EXTERNA
Também manifestaram-se, por vídeoconferência, os representantes do PT, Partido Verde, do PSol e da Rede Solidariedade, sendo unânimes em ressaltar a importância da unidade do campo progressista e o papel do PCdoB para a reeleição do presidente Lula e a derrota do projeto neofacista encabeçado por Flávio Bolsonaro.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, alertou para a crise do capitalismo e a ascensão de uma direita de inspiração fascista no mundo, citando o fenômeno de Donald Trump como um “imperialismo do século XXI”. Edinho defendeu que a reeleição de Lula garante a democracia, a segurança pública, a mobilidade urbana e o protagonismo do Brasil no multilateralismo.
Edinho acrscentou “que nós possamos construir condições de uma tática eleitoral vitoriosa e em sintonia com o nosso projeto de Brasil liderado pelo presidente Lula”, cuja reeleição, para ele, “significa não só dar continuidade a esse projeto de reconstrução do Brasil pós-governo Bolsonaro. Significa elegermos o presidente Lula para termos um governo de legado, que defenda a soberania nacional e autonomia de destinação das nossas riquezas naturais”, complementou.
A presidenta do PSOL, Paula Coradi, exaltou a militância do PCdoB e citou Gramsci para alertar que, na crise do neoliberalismo, “surgem monstros”. Paula defendeu um programa progressista que inclua o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos, a demarcação de terras indígenas e o combate ao racismo, afirmando que a unidade foi a maior força para derrotar o bolsonarismo em 2022 e será a chave para 2026.
O presidente em exercício do PV, Reinaldo Nunes, destacou a maturidade da Federação Brasil da Esperança, ressaltando que a visão do Partido Verde vai além da defesa das árvores, integrando a pauta socioambiental à justiça social.
O conjunto das manifestações revelou uma estratégia eleitoral que procura combinar a preservação da aliança construída em torno de Lula com uma agenda própria do PCdoB. Soberania, desenvolvimento tecnológico, reindustrialização, direitos sociais, democracia e mobilização popular aparecem como os principais eixos que o partido pretende levar à campanha de 2026.
AMPLA E UNITÁRIA PARTICIPAÇÃO
Participaram da convenção os 162 integrantes do Comitê Central com direito a voto, além de dirigentes, convidados e representantes de partidos aliados. O resultado da Convenção reafirma uma aliança construída desde a campanha de 2022 e mantida ao longo do atual mandato presidencial.
Além da homologação da chapa presidencial, os delegados aprovaram a participação do partido na coligação nacional e delegaram à Comissão Política Nacional competência para deliberar sobre eventuais ajustes futuros na composição da aliança, conforme previsto na legislação eleitoral. As decisões serão posteriormente encaminhadas à convenção da Federação Brasil da Esperança, marcada para o próximo dia 2 de agosto, em São Paulo.
A convenção do PCdoB antecede a reunião nacional da Federação Brasil da Esperança, responsável por formalizar a candidatura presidencial conjunta. A federação, criada para atuar de forma unificada nas disputas eleitorais e na atuação parlamentar, tornou-se um dos principais instrumentos de coordenação política e sustentação do governo Lula.
(com informações do site do PCdoB)











