Em discurso na convenção que oficializou o nome do presidente à reeleição, ele disse que “se bater em mulher, não precisa votar em mim”
O presidente Lula afirmou, durante a convenção que o confirmou como candidato à Presidência, neste domingo (2), que o Brasil precisa investir em Defesa e “estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco”.
No evento, ocorrido no domingo (2), Lula ressaltou a importância de o Brasil ter capacidade de produção tecnológica e Forças Armadas preparadas para impedir ataques à soberania do país.
“Esse país tem 12% da água doce do mundo, tem uma riqueza mineral que a gente não sabe o quanto é e tem 210 milhões de preciosidades que são homens, mulheres e crianças. Nós precisamos investir na Defesa”, continuou.
“Eu quero estar preparado para que ninguém invada para levar o presidente, como eles [os EUA] invadiram [a Venezuela]”, declarou Lula.

Ele comentou que fortalecer a Defesa é também preparar o país “para a paz”, uma vez que pode impedir ataques e guerras. “Se a gente não estiver seguro, um dia alguém se mete a besta conosco. E eu quero estar preparado, investindo em tecnologia, nas coisas mais modernas”, disse.
Para isso, “nós precisamos investir na indústria de Defesa e saber a importância da Defesa. Por que um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drones? Como vamos controlar 16 mil quilômetros de fronteira a pé? Se não tiver drone, não controla a fronteira”, assinalou.
DEFESA DAS MULHERES
Comentando sobre as ações do governo federal contra a violência à mulher, o presidente disse que não quer o voto dos agressores. “Ou o cara vota em mim, ou ele bate em uma mulher. Se bater em mulher, não precisa votar em mim”, apontou.
“Quero criar uma sociedade de respeito, uma sociedade de compartilhamento, que as pessoas vivam em harmonia. A luta contra a violência contra a mulher não é das mulheres, é de nós, homens, que somos os violentos e achamos que somos donos delas”, continuou.

Lula disse que a maior iniciativa para impedir a violência contra a mulher foi a criação do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que engloba ações do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. “Já fizemos mais leis e decretos do que em 100 anos. Está crescendo o número de denúncias porque as mulheres têm garantia e vão ter proteção, o cara vai ser preso logo”, destacou.
PIX PENSÃO
Ele ainda comentou sobre a lei do Pix Pensão, sancionada na quinta-feira (30), que permite que as mães solicitem a transferência automática das pensões.
Durante seu discurso, o presidente Lula fez autocrítica pelo evento não ter escalado nenhuma liderança feminina para discursar. Por isso, chamou para falar a primeira-dama Janja, que afirmou ter orgulho das ações do governo federal no combate ao feminicídio e de levar o tema para fóruns de lideranças internacionais.
TERRAS RARAS E MINERAIS CRÍTICOS
O presidente Lula ressaltou a importância das terras raras e minerais críticos na economia e geopolítica atuais e denunciou que “tem muita gente metendo o dedo nas nossas terras”.
“O patrimônio é do povo brasileiro, quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. Temos que utilizar nossa capacidade de investimento, nosso conhecimento científico e tecnológico para a gente ser dono de explorar, transformar e usar”, enfatizou.
“Por que a gente não pode fazer bateria elétrica? Tem que formar cientista, o cara especialista naquilo. Se for preciso, vai para a China, mas vai ter que estudar aquilo que o nosso país precisa”, completou.
GETÚLIO
O presidente questionou: “de todos os presidentes da República, quantos fizeram política de inclusão social?”.
“Tem dois momentos importantes. O primeiro do doutor Getúlio Vargas, com a criação do salário mínimo em 1936, que tirou o povo do abandono para ter um salário. Depois, em 1943, com a criação da CLT, que tirou o povo da semi-escravidão e deu jornada de trabalho, férias e um monte de coisa”, lembrou Lula. “O segundo momento foi o governo Lula”, arrematou.
EDUCAÇÃO E FAMÍLIA
Lula reforçou a importância do programa Pé de Meia, que incentiva financeiramente estudantes a não abandonarem a escola, e disse que “educação não é gasto, é investimento”.
“Um preso custa R$ 35 mil por ano. Um estudante do Instituto Federal custa R$ 16 mil por ano. É mais barato investir em educação do que gastar dinheiro com prisão. E quem pode ir para a prisão é esse jovem se a gente não der oportunidade”, comparou.
O presidente Lula disse que quer “resolver definitivamente o papel da educação nesse país” e “pagar uma dívida com os idosos desse país”, que hoje não têm equipamentos públicos de lazer e qualidade de vida.

“Nós precisamos criar um programa para o idoso, não para ele ficar trancado, mas que ele possa nadar, possa dançar, possa ler, possa ter filme, caminhar e fazer o que ele quiser”, ressaltou.
GERALDO ALCKMIN
O vice-presidente e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, comparou os quatro anos de governo Lula com a gestão anterior, de Bolsonaro, e disse que Flávio Bolsonaro começou a atacar as urnas eletrônicas por prever a derrota: “a descrença nas urnas é fumaça de derrota”.
“Enquanto os bolsonaristas queriam voltar a cobrar o CPMF, o presidente Lula fez a reforma tributária”, lembrou. O projeto bolsonarista “só tinha o homeschooling, criança fora da escola. Com o presidente Lula, foi ampliação de creche, escola em tempo integral, institutos federais, Pé de Meia”, disse.
Ao passo que indústrias importantes foram fechadas entre 2015 e 2022, resultando numa queda na produção industrial do país, no governo Lula “a indústria cresceu 3,2%, o sexto maior crescimento do mundo, só perdendo para os asiáticos”.
Geraldo Alckmin ainda denunciou que Jair Bolsonaro liderou uma tentativa de “golpe de Estado e tinha como projeto matar aqueles que foram eleitos pelo povo. Imaginem se eles tivessem ganho as eleições?”.
O ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que hoje é candidato ao governo de São Paulo, comentou que o cenário político mundial é de “mar revolto”, o que exige um “marujo confiável, experiente e que sabe manejar o barco”, como Lula.
O presidente Lula é capaz de “preservar a nossa soberania, a nossa altivez e levar a nossa voz nos fóruns internacionais”, disse.










