Há quem diga que o crime organizado, que já ocupou uma série de posições no Rio, almeja chegar ao Planalto. O país está atento e não permitirá que isto ocorra
As revelações da semana passada sobre as movimentações, tanto de Eduardo Bolsonaro nos porões da casa Branca, quanto de Flávio, aplaudindo o cancelamento do visto da embaixadora brasileira no EUA, revelam que a família Bolsonaro age abertamente como cúmplices de Donald Trump em sua fixação em humilhar e submeter o Brasil.
QUINTAL DOS EUA
O chefe da Casa Branca não faz segredo que quer transformar o Brasil em quintal dos Estados Unidos. Ele está chantageando o país para interferir no processo eleitoral em favor de seus bajuladores. O bufão elevou as tarifas aos produtos brasileiros para prejudicar a economia do país e tentar afetar a imagem do presidente Lula. Seu objetivo é dominar o Brasil para roubar suas riquezas.
Os serviçais de plantão, Flávio e Eduardo, já ofereceram todas as terras raras e minerais críticos a Trump. Flávio fez isso num discurso durante reunião da extrema-direita, realizada recentemente no Texas, no sul dos EUA. Ele ofereceu as riquezas brasileiras a Trump e se ofereceu para atrapalhar as relações comerciais entre o Brasil e a China. Evidentemente que foi aplaudido pelos fascistas de todos os tipos presentes.
Trump evidentemente achou ótimo. Ele está satisfeito por dois motivos. Primeiro porque está ávido por terras raras e minerais críticos, em sua disputa tecnológica com a China. Segundo porque os produtores americanos disputam com o agro brasileiro o mercado chinês. Afastar o Brasil de seu maior parceiro comercial, que é a China, prejudica os produtores brasileiros e ajuda os americanos.
PREJUDICAR O AGRO BRASILEIRO
O agro brasileiro hoje tem na China o seu maior mercado. Grande parte da produção de grãos brasileira é adquirida pelo gigante asiático. Este, inclusive, tem sido um dos fatores da robustez da balança comercial brasileira. Pois não é que Flávio teve a cara de pau de prometer a Trump arrasar o agro brasileiro para agradar os decadentes produtores americanos. Sim porque afastar a China do Brasil significa isso. Esta é a definição mais completa de um serviçal e de um traidor da pátria.
Mas, não é só isso. O Brasil sabe das ligações de Flávio com a corrupção do Banco Master. Ele foi flagrado pedindo R$ 134 milhões na surdina ao banqueiro ladrão, que deu um golpe bilionário no país e está preso. Este escândalo mostrou ao Brasil que Flávio faz qualquer coisa em troca de dinheiro.
Pois bem. Todos sabem também que Trump está contra o PIX e quer acabar com ele. Reclama que o sistema de pagamento público brasileiro é de graça e, com isso, estaria causando prejuízo para as empresas americanas Visa e Mastercard, que cobram bem alto por seus serviços. Não é que Flávio e Eduardo ofereceram “negociar” o PIX com Trump em troca de afagos e apoio da Casa Branca ao seu esquema eleitoral. Pois é. Eles vendem qualquer coisa – inclusive o PIX – para se darem bem.
Mas as coisas não ficam só por aí. É sabido também que Flávio Bolsonaro tem ligações antigas com as milícias no Rio de Janeiro. Mais recentemente também vieram a público seus vínculos com o Comando Vermelho. Todos os indicados por ele ao governo do Rio, na gestão Cláudio Castro, eram ligados ao Comando Vermelho e estão presos por isso. Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), preferido de Flávio para ser candidato ao governo do estado, está preso por ligações à facção criminosa.
LIGAÇÕES COM O CV
Ele indicou também dois secretários de Estado. O primeiro foi o Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena. Pois bem, este “cidadão” também foi preso durante a Operação Anomalia, da Polícia Federal, por ligações com o Comando Vermelho. Acabou? Não. Outra figura indicada por Flávio foi o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca. Mais um que também acabou sendo preso por suas ligações com o Comando Vermelho.
Flávio tinha ligações íntimas também com o ex-deputado TH Joias. O ex-deputado e designer de joias Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, também foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Zargun. A acusação do TH Joias era, adivinhem, de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. Em suma, não eram só as milícias. As facções também estavam no esquema. Há quem diga que o crime organizado, que já ocupou uma série de posições no Rio, almeja chegar ao Planalto
Por que isso interessa a Trump? Porque ele usa esse tema como escudo para invadir países. Também porque, todos sabem, o chefe do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, é ligado ao narcotráfico (máfia cubana) e usa esse tema para interferir nos assuntos de outros países. Faz isso muitas vezes em defesa de seus carteis. Só para se ter uma ideia, o maior traficante de drogas de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão, foi perdoado por Trump porque tem relações com Rubio e apoia o governo fascista dos EUA.
A alegação de que havia um grande tráfico de drogas na Venezuela foi o pretexto para Trump bombardear o país, sequestrar seu presidente e roubar o petróleo do país. Eles haviam decidido classificar as facções criminosas da Venezuela como organizações terroristas internacionais para, então, agredir o país e roubar o seu petróleo. Esta é que é a verdade. Agora o tráfico da região está sob o controle de Rubio e não se fala mais nisso.
INTERFERÊNCIA AMERICANA
Pois bem. Com a ajuda de Flávio Bolsonaro, eles se meteram a classificar também o Comando Vermelho e o PCC do Brasil como organizações terroristas internacionais. Aparentemente seria, como alegaram na Venezuela, para endurecer o combate ao crime. Puro engodo. Não é nada disso. A medida visa atrapalhar o trabalho da Polícia Federal brasileira e das polícias americanas e acaba ajudando o crime organizado. O mesmo crime organizado que tem Flávio como braço político.
Se não, vejamos. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), maior especialista brasileiro em combate ao crime organizado avalia como negativos os impactos desta classificação para o combate ao crime no Brasil. Ele alertou que a classificação pode trazer consequências diretas para o país. “Se os Estados Unidos classificarem o PCC como organização terrorista, a gente pode estar sujeito a uma intervenção militar americana dentro de território brasileiro, sem contar nas sanções de ordem comercial e econômica que podem advir também desta classificação”, disse.
Outro efeito apontado pelo promotor é o possível prejuízo na troca de informações entre autoridades brasileiras e norte-americanas, o que pode enfraquecer investigações. Segundo ele, há receio de mudanças no fluxo de inteligência caso o tema passe a ser tratado como terrorismo. “Conversei com alguns policiais do FBI sobre essa classificação e alguns deles têm receio de que aconteça uma mudança na classificação das informações. Elas poderiam ser classificadas como secretas, o que traria uma dificuldade no compartilhamento com outras autoridades”, explicou Gakiya.
Com mais de 20 anos de atuação no combate ao PCC, Gakiya afirmou que o principal problema enfrentado no Brasil não é a tipificação das facções, mas a falta de articulação entre instituições. Ele defendeu maior integração entre órgãos como Polícia Federal, Ministérios Públicos, polícias estaduais e Receita Federal, e criticou “interesses políticos partidários” que, segundo ele, prejudicam a cooperação entre o governo federal e os estados no enfrentamento ao crime organizado. Estados controlados pelo bolsonarismo também tentaram enfraquecer a ação da PF. Mas, felizmente, o país está cada vez mais alerta a tudo isso.
SÉRGIO CRUZ
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