“Eu sinto falta de meu pai todo dia. Ele cuidava de tudo por nós”, diz o garoto de 13 anos, Saif Hijazi, cujo pai, Rami Hijazi, foi morto em um ataque naziisraelense contra a casa de sua família ao norte Gaza em janeiro de 2024.
O relato está em matéria redigida pela jornalista Maram Humeid neste sábado (1) pela agência de notícias Al Jazeera.
A matéria traz denúncias da UNICEF de que, desde outubro de 2023, 58.000 crianças perderam um ou dois pais.
Saif ficou paralítico como consequência do mesmo bombardeio. “Desde que fui ferido, não posso me locomover só”, diz a criança que ao lado de sua mãe Warda Hijazi e irmãos Sarah e Ammar apela: “Eu só quero que a nossa vida melhore”. Desde o início dos ataques a Gaza em outubro de 2023, mais de 73 mil palestinos foram assassinados pelas tropas de Netanyahu. Segundo a Unicef, um milhão de crianças de Gaza precisam de apoio, entre elas muitas carecem de tratamento psicológico.
Desde o assassinato de seu marido, a mulher de 33 anos de idade tem enfrentado uma batalha diária: cuidar de Saif a todo momento, que também sofre de paralisia renal, enquanto também tenta prover as necessidades de suas outras crianças de 9 e 10 anos de idade.
“Tudo ficou sob minha responsabilidade”, relata Warda. “A alimentação deles, remédios, cria-los, e buscando cuidar para que tenham, pelo menos em parte, o amor e os cuidados que perderam”.
Ela diz que perder seu marido e, depois, ver Saif gravemente ferido a empurrou para uma depressão severa da qual conseguiu sair com apoio em tratamento psicológico através de um programa comunitário que lhe devolveu a capacidade para lidar com tudo isso.
Um apoio, diz a jornalista, que não mudou sua vida diária. Ela continua responsável sozinha pelas necessidades de seus filhos em condições extremamente difíceis.
“Às vezes eu sinto que a carga é maior do que eu posso suportar, mas eu não tenho escolha exceto seguir em frente~, prossegue Warda.
“Crianças órfãs vivem através de uma realidade dura”, acrescenta, não só precisam de alimento; precisam de alguém que as faça sentirem seguras, que abrace seu luto e lhes devolva o amor que perderam”.
Estas crianças órfãs perderam tanto, mas ainda merecem mais apoio e esperança”, conclama Warda. “A história de Saif e sua mãe reflete uma crise mais ampla afetando milhares de famílias através de toda Gaza~, finaliza a jornalista da Al Jazeera.










